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Publicado em: 15 de julho de 2025
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Alguns a descrevem como “um ferro em brasa empurrado no olho”. Outros como “uma faca perfurando a cabeça”. Seja qual for a descrição, a Cefaleia em Salvas é considerada pelos especialistas a pior dor que um ser humano pode sentir.
Difícil de diagnosticar, suas consequências vão muito além do sofrimento físico. Pacientes que que enfrentam a Cefaleia em Salvas podem ter sua saúde mental, suas relações pessoais e sua vida profissional comprometidas por episódios de dor tão aguda. Por isso, vale a pena conhecer um pouco melhor o que é essa doença e o que podemos fazer para prevenir e trata-la.
“Cefaleia” é o nome técnico para “dor de cabeça”. Ela pode ocorrer de duas maneiras. A cefaleia secundária é efeito colateral de alguma outra condição – aquela dor de cabeça que sentimos se estamos gripados ou desidratados, por exemplo.
Já as cefaleias primárias são as “independentes”, pois não acontecem em decorrência de alguma outra doença. A Cefaleia em Salvas pertence a esse grupo.
Seu nome faz referência ao fato de que, tipicamente, as crises ocorrem em janelas de semanas ou meses, períodos que são chamados de “salvas”. Após uma salva, há um intervalo de meses ou até anos sem que o paciente experimente acessos de dor. Isso dura até a próxima salva.
Em casos mais graves, a Cefaleia em Salvas torna-se crônica – isto é, as crises ocorrem sem remissão, o que, como se pode imaginar, torna a doença extremamente debilitante.
O principal sintoma da Cefaleia em Salvas é uma dor muito intensa atrás ou ao redor do olho, e sempre no mesmo lado da cabeça.
Essa dor aparece de uma a oito vezes por dia, em episódios que duram meia hora ou um pouco mais. O pico de dor costuma ser alcançado poucos minutos após o início da crise, e ele termina de forma igualmente abrupta.
Essa dor intensa pode desencadear outros sintomas, como lacrimejamento, vermelhidão nos olhos e congestão nasal. Esse é um dos motivos pelos quais o diagnóstico da Cefaleia em Salvas chega a demorar uma década: seus sintomas são facilmente confundidos com os de outras doenças, como uma sinusite, por exemplo.Quem sofre de Cefaleia em Salvas também apresenta um comportamento inquieto durante as crises, andando de um lado para outro, segurando a cabeça e pressionando os olhos em busca de algum alívio. Nesse sentido, seu efeito é o oposto de uma enxaqueca, que faz o paciente buscar repouso, silêncio e ambientes pouco luminosos.
A Cefaleia em Salvas é causada por uma disfunção no hipotálamo, o principal “relógio” do corpo, responsável por regular o sono, a temperatura corporal e vários outros ciclos biológicos.
Isso dá à doença uma característica bem particular: os episódios de dor costumam ocorrer sempre nos mesmos horários, comumente durante o sono. Essa regularidade nas crises e sua relação com o ciclo sono/vigília tem a ver justamente com o hipotálamo.
Portanto, estar atento(a) à regularidade nos episódios de dor é um bom ponto de partida para diferenciar a Cefaleia em Salvas de outras doenças que causam dor de cabeça. Essa é uma característica sintomática que precisa ser levada à atenção do médico.
A dor provocada pela Cefaleia em Salvas não tem impacto somente sobre o bem-estar físico e a qualidade do sono dos pacientes.
Ela pode desencadear quadros de depressão, irritação extrema e isolamento social, além da ansiedade associada ao medo antecipado de um episódio de dor.
Isso compromete as relações familiares e afetivas, limitando, por exemplo, a capacidade que o paciente tem de comparecer e aproveitar eventos sociais. Os episódios constantes de dor aguda também prejudicam a vida profissional dos pacientes, que muitas vezes precisam se ausentar do emprego durante episódios mais agudos. Essas pessoas podem ter mais dificuldade de concentração e de manter o ritmo de trabalho.
A International Headache Society (IHS) estabelece os critérios adotados globalmente para o diagnóstico da Cefaleia em Salvas. Essa é uma doença que pode ser identificada sem exames laboratoriais, com base apenas nos sintomas e no histórico do paciente.
Um desses critérios é a ocorrência de pelo menos cinco episódios de dor intensa unilateral na região do olho, com duração de 15 minutos a 3 horas. O padrão de recorrência desses episódios também conta muito, conforme explicamos acima.
Outro critério é a presença de ao menos um sintoma autonômico, isto é, relacionado ao sistema nervoso autonômico, aquele que controla funções corporais involuntárias. São exemplos desses sintomas o lacrimejamento ou a congestão nasal.
Por fim, o exame de ressonância magnética e/ou tomografia é fundamental para excluir outras possíveis causas das dores intensas e recorrentes.
Os tratamentos para a Cefaleia em Salvas podem ser divididos em três grandes categorias:
– Tratamento durante a crise: a inalação de oxigênio puro, bem como o uso de sprays nasais, medicamentos orais e injeções de ação rápida são estratégias para interromper ou abrandar uma crise de dor depois que ela já começou.
– Tratamento de transição (ou controle imediato): aqui falamos de ações que buscam interromper um ciclo de crises, proporcionando dias, semanas ou até meses de alívio. São tratamentos válidos as terapias com corticosteroides e a injeção de anestésicos e agentes anti-inflamatórios no nervo occipital (responsável pela sensibilidade em parte da cabeça).
– Tratamento preventivo: medicamentos reguladores de canais de cálcio, estabilizadores de humor, anticonvulsivantes e suplementos para regulação do sono podem ajudar a reduzir a intensidade e frequência das crises.
A Cefaleia em Salvas é uma doença ainda pouco conhecida, mas seus efeitos são devastadores para as vidas de milhares de pessoas. Portanto, é fundamental que o nível de conscientização social sobre o tema melhore.
Vale a pena conferir este e-book, elaborado pela Associação Brasileira de Cefaleia em Salvas e Enxaqueca (ABRACES), com informações mais completas sobre a Cefaleia em Salvas. E caso você tenha se identificado com alguns dos sintomas descritos neste texto, não deixe de procurar um médico.
E se você sofre com a doença e procura um jeito prático de organizar seu tratamento e registrar os episódios de crise, vale a pena baixar o app Diário da Cefaleia, disponível para Android ou iOS.
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Conteúdo elaborado em 30 jun. 2025.
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
As opiniões emitias pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.
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