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Lidar com a enxaqueca não é nada fácil. Essa condição prejudica bastante a qualidade de vida das pessoas afetadas, causando dor e vários outros sintomas, como náusea, sensibilidade à luz e vertigem. Por conta disso, é essencial entendermos mais sobre essa questão para, assim, tratá-la da melhor forma possível.1

Se você lida com essa condição em seu dia a dia, não se preocupe. Nos próximos minutos, você vai entender quais são os sinais de alerta da enxaqueca, além de aprender como é feito o tratamento e qual é o passo a passo para o diagnóstico. 

Continue e saiba mais sobre a enxaqueca e suas características, com o apoio do Dr. Antônio Damin, neurologista e consultor da Libbs. Vamos lá?

Afinal, o que é a enxaqueca?

A enxaqueca é um distúrbio complexo e debilitante que vai muito além da dor de cabeça. Embora a dor seja o sintoma mais conhecido, muitas pessoas com enxaqueca sofrem com outros sintomas que podem ser até mais incômodos do que a própria dor.1 

Por isso, é importante entender a enxaqueca como um processo que envolve vários mecanismos no corpo, e não apenas como uma “dor de cabeça forte”.1

Tudo isso acontece porque a condição envolve uma combinação de processos centrais (no cérebro) e periféricos (nos nervos e vasos sanguíneos). Durante uma crise, há uma ativação anormal de áreas do cérebro que controlam a dor, os sentidos e o equilíbrio.1

Além disso, há uma liberação de substâncias inflamatórias que irritam os nervos e os vasos sanguíneos, causando os sintomas.1

Quais são os principais sinais de alerta da enxaqueca?

Agora, é hora de você conhecer alguns sintomas que podem estar associados a essa condição.1 “Esses sintomas podem ser relacionados a várias doenças e, por isso, é importante diferenciá-los com um diagnóstico bem feito.”, completa o Dr. Damin.

Muitas pessoas com enxaqueca experimentam uma hipersensibilidade a estímulos sensoriais, o que faz com que elas evitem:1

  • movimento, já que até mesmo os menores podem piorar a dor;
  • luz, pois a claridade pode se tornar insuportável;
  • sons, pois barulhos altos ou repetitivos podem causar desconforto;
  • toque;
  • odores, porque cheiros fortes, como perfumes ou produtos de limpeza, podem desencadear ou piorar a crise.

Essas experiências são subjetivas e muitas vezes incompreendidas por familiares, amigos ou colegas, o que pode levar os pacientes a serem rotulados como “sensíveis”.1

Confira mais informações!

1. Náusea

A náusea é um dos sintomas mais comuns da enxaqueca, presente em até 50% das crises de quem sofre de enxaqueca episódica. Além de ser muito incômoda, a náusea tem um grande impacto na qualidade de vida e até nos custos econômicos, como faltas ao trabalho ou à escola.1

Esse sintoma é mais comum em mulheres e está associada a um maior risco de desenvolver enxaqueca crônica (quando as crises ocorrem 15 dias ou mais por mês).1

A náusea na enxaqueca pode estar ligada a outras condições, como a síndrome do vômito cíclico, o enjoo de movimento, a gestação ou cuidados paliativos.1

2. Osmofobia

A osmofobia é uma aversão ou sensibilidade aumentada a odores durante as crises de enxaqueca. Muitas pessoas com enxaqueca relatam que certos cheiros, como perfumes, produtos de limpeza, fumaça de cigarro ou até alimentos, podem desencadear ou piorar uma crise.1

Esse sintoma é tão comum que até 70% dos pacientes com enxaqueca podem desenvolver uma dor de cabeça após serem expostos a odores fortes.1

Alguns pontos importantes sobre essa questão são:1

  • pacientes com osmofobia tendem a ter dores de cabeça mais fortes e frequentes;
  • náuseas, vômitos e alodinia (veja abaixo) são mais comuns em quem tem osmofobia.

Lidar com isso é um grande desafio, já que evitar odores pode ser um desafio, especialmente em ambientes públicos ou no trabalho.1

3. Fonofobia

A fonofobia é uma sensibilidade aumentada a sons durante as crises de enxaqueca. É um dos sintomas que ajudam a diferenciar a enxaqueca de outros tipos de dor de cabeça.1

Ela está relacionada a alterações no processamento de sons no cérebro. Estudos mostram que pacientes com enxaqueca têm menor tolerância a sons, tanto durante as crises quanto entre elas.1

4. Vertigem 

A vertigem (sensação de que tudo está girando) é comum em pacientes com enxaqueca, e a enxaqueca vestibular é uma das causas mais frequentes de vertigem recorrente.1

Essa condição é relatada por até 60% dos pacientes com enxaqueca e está relacionada a alterações no sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio) e no cérebro.1

5. Alodinia 

Por fim, a alodinia é uma condição em que estímulos que normalmente não causam dor (como um toque leve ou o vento no rosto) se tornam dolorosos. É comum em pacientes com enxaqueca, especialmente naqueles com crises frequentes ou crônicas.1

Esse sinal atinge até 80% dos pacientes com enxaqueca, que relatam alodinia durante as crises. A condição pode ser cutânea (na pele) ou extracraniana (em outras partes do corpo).1

De modo geral, a alodinia está relacionada à sensibilização central, um processo em que o sistema nervoso fica “hiperativo” e responde de forma exagerada a estímulos. Áreas do cérebro como o tálamo e o tronco cerebral estão envolvidas nesse processo.1

Há fatores que contribuem para uma maior sensibilidade na enxaqueca?

Alguns fatores externos podem contribuir para a cronificação (tornar a enxaqueca mais frequente) e a sensibilização (aumentar a sensibilidade a estímulos). Entre eles estão:1

  • estresse;
  • obesidade, que pode estar relacionada a processos inflamatórios que agravam a enxaqueca;
  • microbiota intestinal;
  • ambiente familiar e o comportamento dos pais podem afetar a forma como a enxaqueca se manifesta.

Quais são os impactos desses sintomas na vida do paciente?

“Muitos pacientes convivem com uma hipersensibilidade associada à enxaqueca”, explica o Dr. Damin. Ela, inclusive, pode ser o sintoma principal da enxaqueca em alguns pacientes, e não apenas um efeito colateral da dor de cabeça. Isso pode levar a:1

  • dificuldades de atenção;
  • resposta variável ao tratamento, pois a presença de hipersensibilidade pode influenciar a eficácia dos tratamentos preventivos.

Como antever os sintomas?

A fase premonitória (também chamada de pródromo) é o período que antecede a dor de cabeça da enxaqueca. Ela pode começar horas ou até dias antes da crise e inclui sintomas que muitas vezes passam despercebidos ou são confundidos com “gatilhos”. Esses sintomas são como “avisos” de que uma crise está chegando.2

Os sintomas premonitórios variam de pessoa para pessoa, mas podem ser agrupados em algumas categorias:2

  • irritabilidade;
  • ansiedade;
  • dificuldade de concentração;
  • mudanças no humor;
  • cansaço excessivo;
  • bocejos frequentes;
  • sonolência;
  • sede excessiva;
  • desejos por alimentos específicos;
  • retenção de líquidos;
  • sensibilidade à luz, som ou odores antes mesmo da dor começar. 

Pesquisas mostram que substâncias químicas no cérebro, como serotonina e dopamina, estão envolvidas na fase premonitória. Por isso, essas substâncias podem ser alvos para novos tratamentos que atuem antes mesmo da dor de cabeça começar.2

Como essa condição é tratada?

De modo geral, o tratamento envolve tanto medicamentos quanto abordagens como exercícios, terapia psicológica e outras intervenções.3 Vamos conhecer um pouco mais?

Tratamento para aliviar as crises

O tratamento agudo pode ser feito com três grupos de medicações analgésicas utilizadas de acordo com a gravidade da dor e da resposta. Podem ser usados anti-inflamatórios, triptanos e outros.3

Tratamento preventivo

O tratamento preventivo é indicado para pacientes com crises frequentes ou incapacitantes. Os medicamentos mais usados incluem antidepressivos, medicações anticrises epilépticas, betabloqueadores e bloqueadores de canais de cálcio.3 Medicações injetáveis que atuam diretamente no mecanismo da enxaqueca também constituem uma importante forma de tratamento preventivo atualmente.3

Tratamento não farmacológico

Além dos medicamentos, várias abordagens não farmacológicas podem ajudar a controlar as dores de cabeça e melhorar a qualidade de vida. Aqui estão as principais:3

  • acupuntura;
  • exercícios físicos;
  • massagem;
  • liberação de pontos-gatilho;
  • terapia psicológica;
  • neuromodulação;
  • alterações na dieta, entre outros. 

E, por fim, uma dica: faça o download do app Diário da Enxaqueca, da Libbs, e anote os seus sintomas e a frequência com que eles aparecem. Assim, seu médico poderá pensar no melhor tratamento para o seu caso com base no jeito que você se sente! 

Gostou de conhecer os sinais de alerta da enxaqueca? Embora seja desagradável lidar com esses sintomas, conhecê-los é bem importante para que você saiba como cuidar melhor da sua saúde! 

Agora, aproveite para conferir os posts do blog A Vida Plena para entender melhor sobre o seu bem-estar e dar uma olhada em dicas que vão melhorar a sua qualidade de vida. Pode contar com a gente! 

– Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

– As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Se você ou alguém que você conhece sofre com enxaquecas, não deixe de conferir este guia completo sobre como como lidar com a doença para ter mais informações.

Preparamos também esta cartilha com receitas deliciosas que ajudam a controlar a enxaqueca.

Referências:

1. Villar-Martinez MD, Goadsby PJ. Pathophysiology and Therapy of Associated Features of Migraine. Cells. 2022 Sep 5;11(17):2767

2. Karsan N, Goadsby PJ. Biological insights from the premonitory symptoms of migraine. Nat Rev Neurol. 2018 Dec;14(12):699-710.

3. Onan D, Younis S, Wellsgatnik WD, et al. Debate: differences and similarities between tension-type headache and migraine. J Headache Pain. 2023;24:92.