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É bem provável que você já tenha ouvido falar sobre a pílula anticoncepcional, certo? Na verdade, é possível até mesmo que você — ou, quem sabe, sua parceira ou alguma mulher da sua família — faça uso desse tipo de medicamento.

No entanto, há muitas dúvidas que permeiam esse assunto. Uma delas diz respeito ao uso de hormônios idênticos aos naturais para evitar as gestações e, claro, obter os demais benefícios dos anticoncepcionais.

Você gostaria de conhecer melhor esse assunto? Então, continue a leitura para entender quais são esses hormônios e quais são as vantagens desse tipo de pílula para o corpo feminino!

O que são as pílulas anticoncepcionais?

A pílula anticoncepcional é um dos métodos mais populares para evitar gravidez.1 Ela se divide em dois tipos principais:1

  • Combinada, quecombina dois hormônios, estrogênio e progesterona;
  • Isolada, contendo apenas um hormônio, a progesterona.

Nesse caso, o progestagênio atua como um bloqueador da ovulação, enquanto o estrogênio atua em fatores como a regulação do ciclo e auxiliando no efeito contraceptivo. De todo modo, as pílulas são bem eficazes e seguras.1

No uso perfeito ao longo de um ano, sem esquecer da medicação (e tomando sempre no mesmo horário), o risco de engravidar é menor que 1%. No entanto, há também o uso típico. Aqui entra a vida real — ou seja, esquecer uma pílula ou tomá-la fora do horário. Nesse caso, o risco aumenta para cerca de 9% no primeiro ano.1

Outro ponto de destaque é que a pílula combinada não é só para prevenir a gravidez. Além disso, ela tem também benefícios não contraceptivos que podem ajudar muito no dia a dia das mulheres:1

  • Alívio de dores menstruais;
  • Regular ciclos menstruais irregulares;
  • Tratar condições como endometriose e miomas;
  • Reduzir acne e os pelos em excesso.

E isso não é tudo! A pílula combinada, por exemplo, tem alguns benefícios adicionais, que incluem:1

  • Reduzir o risco de câncer de endométrio em 50% (proteção que pode durar até 20 anos após o uso);
  • Diminuir o risco de câncer de ovário em 27% – quanto mais tempo você usa, maior a proteção;
  • Reduzir o risco de câncer de cólon em 18%.

 

O que significa uma pílula com hormônios idênticos aos naturais?

Boa parte dos contraceptivos hormonais são provenientes de formas sintéticas dos hormônios sexuais, isto é, hormônios que “imitam” (ou, em alguns casos, potencializam) o efeito dos hormônios naturais do nosso organismo.2

Por conta disso, podem ocorrer efeitos colaterais associados ao uso desses medicamentos.1 “A ideia é sempre pesar os prós e os contras, ou seja, o risco-benefício do uso da medicação”. explica o Dr. Achilles Cruz, médico ginecologista (CRM: 53579; RQE: 55506).

Nesse contexto, surgiu a preocupação do desenvolvimento de substâncias que fossem mais próximas do natural. Diferentemente dos hormônios sintéticos presentes nas pílulas mais antigas, as pílulas modernas trazem hormônios idênticos aos naturais. Ou seja, ainda que produzidos em laboratório, sua estrutura é a mesma dos hormônios endógenos, já presentes no corpo humano.

Isso significa:

  • Menor impacto no organismo;
  • Menos efeitos colaterais;
  • Sangramento previsível e controlado;
  • Perfis endócrino e metabólico favoráveis;
  • Não promove ganho de peso;
  • Não altera o desejo sexual;
  • Mínimo impacto no fígado

E quanto à eficácia?

É natural que você esteja preocupada(o) com a questão da eficácia dessas pílulas. Mas, pode ficar tranquila(o): tais medicamentos apresentam alta eficácia.

Os estudos sobre a eficácia demonstram sua alta eficácia contraceptiva e efeitos favoráveis no controle da atividade ovariana, do crescimento folicular, e na supressão de ovulação.

Sendo assim, as pílulas com hormônios idênticos aos naturais podem ser consideradas uma boa alternativa para prevenir gestações, trazer efeitos positivos e reduzir riscos.5

Por que consultar um médico para avaliar suas opções?

Muitas pessoas acham que as pílulas são todas iguais e qualquer anticoncepcional serve, certo? No entanto, a verdade é que as coisas não são bem assim.

Cada corpo é único

Nem todos os anticoncepcionais funcionam da mesma forma para todas as pessoas. O médico avalia seu histórico de saúde e até condições como hipertensão, tabagismo ou diabetes, para recomendar o método mais seguro e eficaz para você.6,7

Reduzir riscos de efeitos colaterais

Os anticoncepcionais podem causar efeitos colaterais, como dores de cabeça, náuseas, alterações no ciclo menstrual ou até problemas mais sérios, como trombose venosa (coágulo nas veias). O médico ajuda a escolher a opção mais adequada e que minimiza esses riscos.4-6

Evitar falhas no uso

Há diferentes métodos anticoncepcionais, como pílulas, adesivos, anel vaginal, implantes, injeções ou dispositivos intrauterinos (DIU). O médico explica como usar corretamente cada um, aumentando a eficácia e evitando gestações indesejadas.7

Acompanhar mudanças no corpo

“Ao longo do tempo, seu corpo pode mudar, e o método que era adequado antes pode não ser mais o ideal. Consultar o médico regularmente garante que você continue usando o anticoncepcional mais adequado.”, finaliza dr. Achilles.

Como você viu, as pílulas com hormônios idênticos aos naturais podem ser uma boa pedida para quem gostaria de usar um contraceptivo com menos efeitos colaterais e riscos mais controlados. Converse com o seu médico sobre o assunto!

Antes de ir, aproveite também para conferir as outras postagens sobre contracepção e saúde da mulher no blog A Vida Plena! Por aqui, você encontra informações para se manter saudável e cheia(o) de qualidade de vida.

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

** As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Cooper DB, Mahdy H, Patel P. Oral Contraceptive Pills [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430882/.

2. Maher EE, White AM, Craig A, Khatri S, Kendrick PT, Matocha ME, et al. Synthetic contraceptive hormones occlude the ability of nicotine to reduce ethanol consumption in ovary-intact female rats. Drug and Alcohol Dependence [Internet]. 2023 Nov 1;252:110983. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37778097/.

3. Akintomide H, Panicker S. Nomegestrol acetate/17-beta estradiol: a review of efficacy, safety, and patient acceptability. Open Access Journal of Contraception. 2015 May;77.

4. Didembourg M, Médéa Locquet, Raskin L, Babel Tsague Tchimchoua, Jean-Michel Dogné, Beaudart C, et al. Lower reporting of venous thromboembolisms events with natural estrogen-based COCs compared to ethinylestradiol containing pills: A disproportionality analysis of the Eudravigilance database. Contraception. 2024 Oct 1;110727–7.

5. Stewart M, Black K. Choosing a combined oral contraceptive pill. Australian Prescriber [Internet]. 2015 Feb 1;38(1):6–11. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4654044/.

6. Choose the Right Birth Control. Office of Disease Prevention and Health Promotion. U.S Department of Health and Human Services. [Internet]. Disponível em: https://odphp.health.gov/myhealthfinder/healthy-living/sexual-health/choose-right-birth-control. Acesso em 20 mar. 2025.

7.Foidart JM, Gemzell-Danielsson K, Kubba A, Douxfils J, Creinin MD, Gaspard U. The benefits of estetrol addition to drospirenone for contraception. AJOG Glob Rep. 2023 Sep 18;3(4):100266. Data: 20/03/2025.