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O tempo e muitas coisas acabam mudando, mesmo contra a nossa vontade. O processo natural de alterações no nosso organismo é uma delas. Quando o assunto é a saúde feminina, então, nem se fala! “O corpo feminino passa por muitas mudanças hormonais e de funcionamento ao longo do tempo”, explica o Dr. Achilles Cruz, médico ginecologista e consultor da linha de saúde da mulher da Libbs (CRM: 53579; RQE: 55506).

Por conta disso, a escolha de um anticoncepcional após os 35 anos deve ser feita de maneira cuidadosa. Continue a leitura para entender mais sobre as particularidades dessa decisão e a importância dos cuidados nessa fase!

O que leva mulheres com mais de 35 anos a usarem a pílula?

Alguns estudos já buscaram compreender esses fatores, e algumas das razões citadas são:1

  • Medo de engravidar;
  • Receio dos riscos de uma gestação em idade avançada;
  • Preocupação com as responsabilidades da maternidade.

Em geral, muitas mulheres hoje buscam evitar gestações tardias, seja por já serem mães ou por simplesmente não terem a pretensão de se tornarem uma. Dessa forma, os métodos contraceptivos representam uma oportunidade de exercício dessa vontade.1

Nesse caso, os contraceptivos orais são considerados seguros e eficazes para mulheres saudáveis até a perimenopausa.2

Como é feita a escolha do anticoncepcional após os 35 anos?

A escolha de um anticoncepcional após os 35 deve ser feita com a ajuda de um profissional, que poderá avaliar alguns fatores importantes para a sua segurança. Confira abaixo!

Anamnese e exames físicos

Tudo começa com uma boa conversa. O objetivo, aqui, é investigar condições que contraindicam o uso da pílula e realizar exames físicos, ginecológicos e de mamas.3

Começar pelo mais simples

Inicialmente, a ideia é priorizar a pílula combinada de baixa dose, especialmente aquelas com estrogênios idênticos ao natural.6

Orientações para começar

No início, o médico vai explicar detalhadamente como você deve usar a pílula. Além disso, ele vai alertar sobre possíveis efeitos colaterais, que podem ocorrer sobretudo nos primeiros meses de uso.3

Sinais de alerta

O profissional também poderá explicar sobre a necessidade de buscar atendimento imediato caso ocorram sintomas graves, como dor abdominal súbita, cefaleia com sinais neurológicos, alterações visuais, hemorragias, dor no peito ou nas pernas.3

Consultas de retorno

O acompanhamento não acaba aí! O ideal é que o primeiro retorno após a implementação de uma nova pílula no dia a dia da mulher seja feito após um período de um a três meses. Depois, caso tudo ocorra bem, as consultas poderão ser anuais para acompanhamento.3

Há riscos envolvidos com as pílulas após os 35 anos?

A resposta é: depende! Como cada mulher é única, deve ser feita uma avaliação individualizada. Um risco maior está associado à faixa etária de mais de 40 anos, período em que a incidência de doenças cardiovasculares tende a ser maior e, portanto, o risco de eventos trombóticos também pode aumentar.3

No entanto, a idade maior que 35 anos também já serve de alerta e demanda alguns cuidados especiais, a depender do estado de saúde da mulher. Para as fumantes, por exemplo, o risco aumenta.3

Inclusive, caso a mulher tenha mais de 35 anos e fume, as pílulas orais combinadas não são indicadas. Nesse caso, seria mais interessante investir em métodos só de progestagênio e outros métodos contraceptivos, como os de barreira (por exemplo, preservativos e diafragma) ou o DIU.4

Nos casos de enxaqueca com aura em qualquer idade ou de enxaqueca sem aura em mulheres com 35 anos ou mais, as pílulas combinadas também são contraindicadas.5,6

Por isso, nunca deixe de consultar um médico a fim de fazer boas escolhas para a sua saúde!

Quais são os benefícios das pílulas mais modernas?

Recentemente, surgiram algumas pílulas mais modernas, que utilizam hormônios idênticos aos naturais como o estradiol e o estetrol, isto é hormônios mais parecidos com os produzidos pelo nosso próprio organismo.7

Essas novas pílulas com estrogênios idênticos aos naturais combinam progestagênios que se assemelham à progesterona natural, impedindo a ovulação e dificultando a passagem dos espermatozoides ao modificar o muco cervical.8

É importante mencionar que, diferentemente de alguns contraceptivos mais antigos, esses progestagênios não causam efeitos “masculinizantes”, como acne ou aumento de pelos.8

Além disso, as pílulas com estrogênios idênticos aos naturais afetam menos o sistema da coagulação, reduzindo o risco de trombose, especialmente nas mulheres acima dos 40 anos de idade.7,8

“Apesar de todos esses avanços, a escolha do anticoncepcional ideal deve ser individualizada, considerando o histórico médico, os riscos e os benefícios para cada mulher. Sempre consulte um médico para orientação personalizada”, explica Dr. Achilles.

Como os contraceptivos orais podem contribuir para o bem-estar geral?

Para finalizar, é importante que você saiba que as pílulas anticoncepcionais não ajudam apenas a prevenir a gravidez. Embora esse seja o objetivo principal do medicamento, há também os benefícios não-contraceptivos.3

Alguns exemplos são a redução da incidência ou frequência de algumas condições, como:3

  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP);
  • Frequência de cistos funcionais de ovário;
  • Adenocarcinoma de ovário;
  • Adenocarcinoma de endométrio;
  • Doença benigna da mama;
  • Cólicas e ciclos com sangramentos intensos;
  • Quadros de anemia.

Já deu para notar que não se pode escolher qualquer anticoncepcional após os 35 anos, certo? Por isso, cuide da sua saúde com carinho e conte com a ajuda de um bom profissional para ajudá-la na tomada dessa decisão.

Outra dica que damos para ajudar nesse processo é: se informe! Para isso, você pode contar com o blog A Vida Plena, da Libbs. Acesse e encontre detalhes sobre contracepção, saúde feminina e muito mais!

Conteúdo elaborado em: 26 mar. 2025.

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

** As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Godfrey EM, Chin NP, Fielding SL, Fiscella K, Dozier A. Contraceptive methods and use by women aged 35 and over: A qualitative study of perspectives. BMC Women’s Health [Internet]. 2011 Feb 16;11:5. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3050835/. Acesso em: 26 mar. 2025.

2. Archer DF. Reversible contraception for the woman over 35 years of age. Current opinion in obstetrics & gynecology [Internet]. 1992 Dec;4(6):891–6. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1450355/.

3. Assistência em Planejamento Familiar – Anticoncepcão Oral. Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/0102assistencia2.pdf. Acesso em: 26 mar. 2025.

4. CDC. Contraception and Birth Control Methods [Internet]. Contraception. 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/contraception/about/index.html. Acesso em: 26 mar. 2025.

5. Febrasgo. Manual de Anticoncepção [Internet]. 2015. Disponível em: https://central3.to.gov.br/arquivo/494569/. Acesso em: 26 mar. 2025.

6. Febrasgo. FEMINA. Volume 49, Número 8, 2021. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/FeminaZ2021Z49Z08ZWeb.pdf. Acesso em: 26 mar. 2025.

7. Didembourg M, Médéa Locquet, Raskin L, Babel Tsague Tchimchoua, Jean-Michel Dogné, Beaudart C, et al. Lower reporting of venous thromboembolisms events with natural estrogen-based COCs compared to ethinylestradiol containing pills: A disproportionality analysis of the Eudravigilance database. Contraception. 2024 Oct 1;110727–7. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0010782424004360. Acesso em: 26 mar. 2025.

8. Cooper DB, Mahdy H, Patel P. Oral Contraceptive Pills [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430882/. Acesso em: 26 mar. 2025.