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Publicado em: 23 de maio de 2025
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O termo anedonia até pode ser um pouco esquisito. No entanto, o seu significado é compreendido em todo e qualquer lugar. A palavra se refere à perda de prazer e interesse, ou seja, aquela velha “anestesia” dos nossos sentimentos. E, muitas vezes, o quadro está ligado à depressão.1
Além da anedonia, outro sintoma relevante é o distanciamento afetivo, caracterizado por uma sensação persistente de afastamento emocional das outras pessoas. Nesse estado, as emoções ficam reduzidas ou “anestesiadas”, tornando difícil se conectar verdadeiramente com quem está ao redor.1
Está passando por um período em que nada parece ter graça? Conhece alguém que está desse jeito atualmente? Então, este conteúdo foi feito especialmente para você!
Solicitamos a ajuda do Dr. Antônio Damin — médico neurologista e consultor da Libbs — para tirar algumas das suas principais dúvidas sobre a anedonia e o distanciamento afetivo. Continue a leitura para conhecer mais sobre a condição e as formas de tratá-la!
Já falamos um pouco sobre isso, mas chegou a hora de definirmos o conceito de uma maneira mais aprofundada. Vamos lá?
Como visto, a anedonia é a incapacidade de sentir prazer ou de se interessar por atividades que antes eram agradáveis. É um sintoma comum em transtornos como a depressão, mas também pode aparecer em outras condições como o transtorno bipolar.1
Estudos mostram que ela está ligada a alterações em áreas do cérebro envolvidas no processamento de recompensas e prazer, especialmente o estriado ventral (parte do sistema de recompensa do cérebro).1
E mais: essas alterações já foram observadas em crianças de pais com depressão, mesmo antes de elas desenvolverem a doença, sugerindo que podem ser um marcador de risco para depressão.1
Além disso, os pacientes com anedonia tendem a ter uma depressão mais grave e de difícil tratamento — e, consequentemente, a condição está associada a um risco aumentado de comportamentos suicidas.1,2
A definição de anedonia foi ampliada para incluir também a falta de motivação para buscar recompensas ou prazer. Sendo assim, ela é um sintoma comum em vários transtornos neuropsiquiátricos, como:3
No entanto, outros conceitos também podem ser bem semelhantes, como é o caso da apatia e até mesmo da depressão. Continue para entendê-los melhor!
A apatia é caracterizada por uma redução geral da motivação para atividades cognitivas, físicas ou emocionais. Ela é frequentemente associada a:3
A apatia e a anedonia podem coexistir, mas elas têm origens diferentes. A anedonia está mais ligada a problemas no processamento de recompensas (a pessoa não sente prazer ou motivação para buscar recompensas).3
Por sua vez, a apatia se encontra mais relacionada a problemas na alocação de esforço (a pessoa não se esforça para realizar tarefas, mesmo que sejam importantes).3
De modo geral, a anedonia é um sintoma específico da depressão, mas não é a mesma coisa que a depressão. Escalas como a Escala de Prazer de Snaith-Hamilton (SHAPS) medem a anedonia e mostram que ela é um conceito relacionado, mas distinto da depressão.3
Por exemplo, uma pessoa pode estar deprimida sem ter anedonia, e vice-versa.3
Já no que diz respeito à apatia, estudos mostram que ela e a depressão são dissociáveis, ou seja, podem ocorrer separadamente. Em doenças neurodegenerativas, por exemplo, a apatia pode estar presente sem depressão.3
Um dos maiores desafios é distinguir esses conceitos na prática clínica, já que eles podem se sobrepor. Por exemplo:3
“Por conta disso, o diagnóstico precisa ser bem preciso e cuidadoso, com a participação de profissionais de diferentes áreas, como médicos e psicólogos.”, explica o Dr. Damin.
Diante de tudo isso, é possível que você esteja se perguntando sobre os tratamentos para essa condição. Certo?
Então, vamos lá!
Os antidepressivos mais comuns, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina, são usados como tratamento de primeira linha para a depressão.4
No entanto, eles têm eficácia limitada no tratamento da anedonia. Além disso, foi relatado que podem levar ao distanciamento afetivo em alguns indivíduos.4
Como a anedonia está ligada a problemas no sistema de dopamina (um neurotransmissor relacionado ao prazer e à motivação), alguns antidepressivos que atuam nesse sistema podem ser eficazes.4
Esses medicamentos também podem ser úteis para a anedonia, pois aumentam a dopamina. Um estudo mostrou que eles, quando combinados com antidepressivos, podem melhorar significativamente a anedonia.4
Técnicas que estimulam áreas específicas do cérebro também estão sendo estudadas para o tratamento da anedonia.4
Um exemplo é a estimulação magnética transcraniana, uma técnica não invasiva que usa campos magnéticos para estimular áreas do cérebro envolvidas no humor e no prazer. Estudos mostram que ela pode melhorar a anedonia, mesmo em pacientes que não respondem bem a antidepressivos.4
A psicoterapia é uma parte importante do tratamento da anedonia, especialmente quando combinada com medicamentos. Uma das abordagens mais comuns é a terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a desafiar padrões de pensamento negativos que podem contribuir para a anedonia.4
Por fim, a eficácia do tratamento pode variar dependendo de fatores como a gravidade da depressão, a presença de outros sintomas e as preferências do paciente. Por isso, é importante que o tratamento seja personalizado, levando em consideração as necessidades individuais de cada pessoa.4
Como você viu, a anedonia e o distanciamento afetivo são condições sérias, que podem afetar significativamente a vida das pessoas. Por isso, não perca tempo: caso apresente esses sintomas, procure ajuda de profissional da saúde. Você não está sozinho nessa!
Gostaria de mais informações sobre depressão e outros transtornos emocionais? Acesse o blog A Vida Plena e confira as nossas outras publicações sobre o assunto!
– Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
– As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.
Referências:
1. Pizzagalli DA. Toward a Better Understanding of the Mechanisms and Pathophysiology of Anhedonia: Are We Ready for Translation? Am J Psychiatry. 2022 Jul;179(7):458-469.
2. Wong S, Le GH, Phan L, Rhee TG, Ho R, Meshkat S, Teopiz KM, Kwan ATH, Mansur RB, Rosenblat JD, McIntyre RS. Effects of anhedonia on health-related quality of life and functional outcomes in major depressive disorder: A systematic review and meta-analysis. J Affect Disord. 2024 Jul 1;356:684-698.
3. Shaw SR, El-Omar H, Roquet D, Hodges JR, Piguet O, Ahmed RM, Whitton AE, Irish M. Uncovering the prevalence and neural substrates of anhedonia in frontotemporal dementia. Brain. 2021 Jun 22;144(5):1551-1564.
4. Alessandro Serretti. Anhedonia and Depressive Disorders. Clinical psychopharmacology and neuroscience : the official scientific journal of the Korean College of Neuropsychopharmacology. 2023 Aug 31;21(3):401–9.
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