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Publicado em: 1 de abril de 2024
Assuntos abordados
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No intuito de conscientizar as pessoas sobre a Epilepsia, preparamos um conteúdo bem especial para explicar todas as nuances da doença. O objetivo é trazê-lo até você de forma didática, completa e informativa.
Nos próximos tópicos, você já vai entender tudo sobre a condição, descobrindo quais são as suas causas, quais são os sintomas do problema, como se dão as manifestações clínicas, quais são os tratamentos e muito mais!
Continue a leitura para tirar as suas dúvidas sobre a epilepsia e informe-se sobre o assunto. Vamos juntos!
A epilepsia é uma condição complexa e com diversas causas, sendo que, aproximadamente, metade dos casos envolvem uma motivação desconhecida.1 Abaixo, confira algumas das principais razões por trás da enfermidade.
Inicialmente, vamos discutir as causas gerais para o desenvolvimento da epilepsia. Ou seja, os motivos mais comuns e prevalentes quando a doença é mencionada. Veja!
As infecções cerebrais são uma causa significativa da epilepsia em âmbito global, afetando boa parte das pessoas acometidas pelo problema. Portanto, quando há evidências de uma infecção cerebral que leva a convulsões, o quadro é considerado uma causa infecciosa da epilepsia.1,3
A epilepsia autoimune (EA) é desencadeada por uma alteração na função imunológica do corpo. Basicamente, o sistema imunológico — que, normalmente, protege contra substâncias estranhas — pode começar a atacar erroneamente as próprias células cerebrais, desencadeando episódios epilépticos.1,3
Alguns tipos de epilepsia são também hereditários. Ou seja, são transmitidos de uma geração para a outra. No entanto, outros casos podem resultar de alterações genéticas que são herdadas ou até ocorrem pela primeira vez.1,2
O corpo humano tem enzimas responsáveis pelo processamento dos alimentos ingeridos. Havendo problemas em uma dessas enzimas, é possível que surjam dificuldades na quebra dos alimentos ou na produção da energia necessária para o funcionamento do corpo, o que pode contribuir para a epilepsia.1,3
Anormalidades estruturais no cérebro aumentam o risco de crises epilépticas. Essas anomalias podem ser congênitas ou até desenvolvidas ao longo da vida, sendo detectáveis em exames de imagem, como a ressonância magnética (MRI) cerebral.1,3
A idade também conta quando o assunto envolve a epilepsia. A seguir, veja as principais causas para o problema de acordo com a faixa etária dos pacientes afetados.
Infelizmente, os recém-nascidos podem apresentar crises de epilepsia. No caso dos pequenos, as principais motivações abrangem:3-4
As causas de epilepsia entre crianças e bebês estão, normalmente, associadas com infecções e febres altas. Além disso, os tumores cerebrais também são muito prevalentes.3
A epilepsia pode estar presente em todas as faixas etárias — inclusive em jovens (como adolescentes) e adultos. Nesse caso, as causas mais frequentes da doença incluem:4,5
Por fim, não podemos deixar de mencionar a terceira idade. As causas de epilepsia em idosos estão, normalmente, ligadas às questões neurodegenerativas. Por isso, a Doença de Alzheimer é um fator de risco importante para esse quadro.6
No entanto, acidentes vasculares cerebrais e traumas — especialmente causados por quedas — também são motivos que devem ser mencionados e levados em conta.2
Usualmente, os sintomas da epilepsia são diversificados, variando de acordo com a região do cérebro na qual a perturbação tem início e no quão amplamente ela se espalha. Os temporários incluem a perda de consciência ou a consciência alterada, os movimentos involuntários, as alterações sensoriais (incluindo visão, audição e paladar), a oscilação do humor ou outras funções cognitivas.2,3,7
Abaixo, ainda elencamos outras manifestações clínicas do problema! Veja!
A epilepsia pode se manifestar em episódios de perda de consciência, às vezes acompanhados por um olhar fixo, por movimentos automáticos e pela ausência de resposta a estímulos externos.2,3,7
As crises epilépticas motoras são bastante comuns na epilepsia. Inclusive, o fenômeno pode se manifestar a partir da ocorrência de movimentos involuntários, como espasmos musculares, tremores ou rigidez durante os episódios.2,3,7
Episódios epilépticos podem afetar os sentidos, resultando em distorções visuais, auditivas ou gustativas. Ou seja, há uma alteração da percepção sensorial nos pacientes acometidos. Aliás, alucinações sensoriais também são possíveis.2,3,7
Episódios epilépticos podem influenciar o humor, causando irritabilidade, ansiedade ou emoções intensas. Além disso, distúrbios cognitivos temporários, como confusão, podem ocorrer.2,3,7
Pessoas com epilepsia frequentemente enfrentam problemas físicos, como fraturas e contusões decorrentes de lesões relacionadas às crises epilépticas. As situações podem ocorrer durante as crises ou devido a quedas resultantes da perda súbita de consciência.2,3,7
A epilepsia está associada a taxas mais altas de condições psicológicas, incluindo ansiedade e depressão. A complexidade emocional pode resultar tanto dos desafios físicos quanto das preocupações com a recorrência das convulsões.2,3,7
Os gatilhos para as crises epilépticas são variados e podem desencadear episódios em pessoas predispostas à epilepsia. Reconhecer e gerenciar esses fatores desencadeantes é crucial para o controle eficaz da condição. Abaixo, destacamos alguns gatilhos comuns. Confira!
O estresse emocional e a ansiedade são gatilhos frequentes para as crises epilépticas. A pressão mental e emocional, por exemplo, pode desencadear atividades elétricas anormais no cérebro, precipitando uma crise.8,9
A privação de sono é conhecida por desencadear crises epilépticas. Manter uma rotina de sono regular e garantir horas adequadas de descanso é essencial para quem vive com epilepsia.8,9
Períodos prolongados sem a ingestão de alimentos também podem desencadear crises. Nesse sentido, manter uma dieta equilibrada e realizar refeições regulares é importante para evitar esse gatilho.8,9
O não cumprimento da medicação prescrita é um fator significativo. Pular doses e/ou interromper abruptamente o uso dos medicamentos pode aumentar o risco de crises.8,9
O uso indevido de drogas, especialmente estimulantes, como cocaína e anfetaminas, pode desencadear crises epilépticas. O álcool, principalmente durante a retirada, também está associado a crises epilépticas.8,9
Algumas mulheres experimentam uma piora no controle das crises durante o período menstrual — conhecido como epilepsia catamenial. As flutuações hormonais nesse período também podem desencadear episódios.8,9
A epilepsia fotossensível é um tipo específico da condição em que a exposição a estímulos visuais, como luzes intermitentes da televisão, de videogames ou luzes “piscantes” em uma determinada frequência, podem desencadear crises. Na verdade, o contexto é mais comum em pessoas com epilepsia generalizada genética.8,9
Além desses gatilhos comuns, cada pessoa pode ter fatores desencadeantes específicos. Identificar esses elementos individuais — como certos padrões de sono, alimentos ou situações — é determinante para a elaboração de um plano de manejo personalizado.8,9
Agora, vamos falar sobre o diagnóstico da doença, que pode ser bem desafiador, com uma taxa de erros diagnósticos que é considerável. A propósito, estudos realizados em diferentes níveis de cuidados relatam taxas de diagnóstico incorreto entre 4,6% e 30%.8
Na verdade, a complexidade reside na variedade de apresentações clínicas e na necessidade de integrar informações clínicas, testes e observações para uma conclusão precisa.3,8
A história detalhada dos episódios é fundamental. Geralmente, o diagnóstico começa com a narrativa do paciente ou de testemunhas, descrevendo a natureza e a frequência das crises.3
Um EEG é frequentemente realizado quando há uma suspeita de epilepsia. O procedimento monitora as mudanças nos padrões elétricos cerebrais. No entanto, o exame pode não captar a atividade anormal — especialmente se ela ocorrer profundamente no cérebro. A telemetria de vídeo-EEG, realizada em um ambiente hospitalar ou domiciliar, pode ser mais abrangente.3,8
A RMI é útil para identificar lesões e/ou cicatrizes cerebrais evidentes relacionadas às crises. Ela é recomendada pelo National Institute for Health and Care Excellence (NICE) em casos de início da epilepsia antes dos dois anos ou na idade adulta, na suspeita de epilepsia focal ou se as crises persistirem, apesar do tratamento medicamentoso.8
Gravações em vídeo dos episódios são valiosas para complementar o relato clínico. Inclusive, a disponibilidade de câmeras de celular facilitou significativamente essa prática, apesar de haver, sim, questões éticas e de privacidade associadas.8
O diagnóstico diferencial é crucial para descartar outras condições que possam “imitar” crises epilépticas, como síncope, transtornos do sono ou episódios psicogênicos.8
Ao avaliar episódios semelhantes a crises epilépticas, é imperativo considerar o diagnóstico diferencial para evitar tratamentos inadequados e, claro, para abordar corretamente as condições subjacentes. A seguir, elencamos alguns diagnósticos diferenciais.
As CNEP— também conhecidas como crises psicogênicas não epilépticas — são frequentemente confundidas com epilepsia. Basicamente, trata-se de eventos reais, mas não são causados por uma atividade elétrica anormal no cérebro.2,8,10
Essas crises estão associadas a experiências traumáticas e a históricos de abuso, sendo mais comuns em mulheres. O diagnóstico preciso muitas vezes exige vídeo-EEG, evidenciando algumas características, como maior duração e falta de resposta a medicamentos antiepilépticos (ASMs).8,10
A síncope — uma perda temporária de consciência devido ao fluxo sanguíneo insuficiente para o cérebro — é uma diferenciação importante, especialmente em adultos.5 Durante uma síncope, o paciente fica “mole”, ao contrário da rigidez típica das crises epilépticas. Portanto, causas cardiovasculares ou cerebrovasculares devem ser descartadas antes de considerar a epilepsia.8
Algumas sensações associadas a crises focais podem se assemelhar à aura de enxaqueca. A relação entre epilepsia e enxaqueca é complexa, e o tratamento pode envolver medicamentos antiepilépticos que também são eficazes contra as enxaquecas.11
Como vimos, a epilepsia é uma condição complexa e que vai além das crises epilépticas, apresentando diversas complicações e inúmeros impactos significativos na vida dos indivíduos afetados. Confira alguns a seguir!
Até metade dos pacientes com epilepsia relata algum tipo de problema de memória. A consequência pode ser decorrente da condição subjacente do cérebro afetada pela epilepsia, do efeito a curto prazo das convulsões ou mesmo de efeitos colaterais de alguns medicamentos antiepilépticos.7
Depressão, ansiedade, ideação suicida, psicose e questões relacionadas à saúde mental são mais prevalentes em pessoas com epilepsia em comparação com a população em geral.2
SUDEP é a consequência mais grave de uma crise epiléptica e envolve a morte súbita e inesperada de uma pessoa com epilepsia, geralmente durante o sono.12
As pessoas com epilepsia têm quase dez vezes mais probabilidade de se afogar do que a população em geral. Por isso, é necessário ter um cuidado redobrado.2
O diagnóstico de epilepsia pode impactar negativamente o emprego e os relacionamentos e, inclusive, resultar em estigma e isolamento social.2
Embora nem todos os casos de epilepsia sejam evitáveis, estima-se que cerca de 25% deles possam ser prevenidos.8 Abaixo, listamos algumas estratégias e considerações para a prevenção da epilepsia. Veja!
Reduzir as lesões na cabeça é a forma mais eficaz de prevenir a epilepsia pós-traumática. Nesse sentido, medidas para evitar quedas, acidentes de trânsito e lesões esportivas contribuem significativamente para essa prevenção.8
A adequada assistência perinatal pode reduzir novos casos de epilepsia causados por lesões durante o parto.8
O uso de medicamentos e de outras medidas para diminuir a temperatura corporal de uma criança febril pode reduzir a chance de convulsões febris.2,8
O foco na redução dos fatores de risco cardiovascular, como o controle da pressão arterial, do diabetes e da obesidade, também é fundamental. Além disso, evitar o tabaco e o consumo excessivo de álcool são medidas igualmente preventivas.2,8
Infecções do sistema nervoso central são causas comuns de epilepsia em áreas tropicais. Diante disso, a eliminação de parasitas nesses ambientes e a educação sobre a prevenção de infecções podem ser formas altamente eficazes de reduzir a condição, como no caso da neurocisticercose.2,8
Até o momento, não há cura para a epilepsia. No entanto, os tratamentos disponíveis têm mostrado bons resultados para controlar boa parte das crises e, consequentemente, trazer qualidade de vida aos pacientes afetados.6
Aliás, por falar em tratamentos, chegou a hora de você conhecer como a epilepsia é tratada! O tratamento da condição é, geralmente, iniciado após o paciente ter experimentado dois ou mais ataques não provocados em um período de 12 meses. Cerca de 73% de risco de recorrência de crises epilépticas dentro de quatro anos — após os dois ataques não provocados — é a razão subjacente para essa recomendação.13,14
Nesse caso, algumas estratégias aplicadas são:
A escolha do fármaco anticrises epilépticas (FAC) é, usualmente, baseada em determinados fatores, como o tipo de crise epiléptica, a síndrome epiléptica, o perfil de efeitos colaterais, as comorbidades e os custos.7,8
Apesar de eficientes, os tratamentos podem apresentar alguns desafios, que tornam a abordagem mais complexa. Os mais comuns são:
Assim, é possível notar que o tratamento da epilepsia é, sim, desafiador e requer uma abordagem personalizada para cada paciente, levando em consideração alguns fatores, como tipo de convulsão, síndrome epiléptica, perfil de efeitos colaterais e resposta individual aos fármaco anticrises.13
Se alguém estiver em uma crise epiléptica, a abordagem pode variar, dependendo do tipo específico de crise. A seguir, veja algumas diretrizes gerais:1,7,15
Essas são as recomendações gerais para as crises. No entanto, um questionamento-chave é: quando chamar a ambulância? Afinal, é provável que exista um momento em que aguardar não seja mais a melhor ideia, e a intervenção de profissionais pode se fazer necessária.
Então, você deve ligar para a emergência nestes casos:15
Além disso, siga o seu instinto. Mesmo em situações que não se enquadram nos critérios acima, ligue para a emergência e peça ajuda, caso você ache necessário.
Essas diretrizes são sugeridas para situações gerais, e a melhor abordagem pode variar, dependendo do histórico médico da pessoa, do tipo específico de epilepsia e de outras considerações individuais.Por isso, o acompanhamento é fundamental!15
Chegamos ao fim do nosso post especial acerca sobre a Epilepsia! Esperamos que a leitura do conteúdo tenha sido produtiva e que você tenha aprendido bastante sobre esse problema. Como foi possível perceber, a epilepsia pode ser tratada. Então, faça um bom acompanhamento e ganhe qualidade de vida!
Agora, para se manter adequadamente informado, não deixe de conferir também as publicações do blog A Vida Plena! O nosso objetivo é levar informação, saúde e bem-estar ao seu dia a dia e ao de toda a sua família.
E não deixe de conferir nosso Guia de Orientações para o Paciente com Epilepsia.
Referências
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