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Dor neuropática: o que é, causas e principais tratamentos!

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Lidar com a dor não é nada fácil. Essa sensação é responsável por trazer grandes prejuízos para a vida das pessoas afetadas, podendo atrapalhar em questões que vão desde os relacionamentos interpessoais até a vida profissional e os estudos.1

Mas você sabia que há vários tipos de dor? Ela pode ser classificada de acordo com a origem ou a duração, além de outros critérios — e cada variação poderá ter um tipo de manejo diferente de acordo com a Medicina.2

Pensando nisso, neste artigo falaremos sobre a dor neuropática, que ocorre devido à ocorrência de danos aos nervos. Ela tem várias causas e tratamentos que podem variar bastante.2 Continue a leitura para saber mais! 

O que é dor neuropática? 

A dor neuropática é uma forma de dor crônica causada por danos ao sistema nervoso, que resulta de uma lesão direta nos nervos.3

Ela pode ter várias causas, entre elas traumas físicos, doenças metabólicas (como é o caso da diabetes) e até mesmo infecções ou contato com certos produtos químicos.3

No sistema periférico, a dor neuropática pode surgir por lesões dos nervos fora do cérebro e da medula espinhal, enquanto no sistema central, ela geralmente é associada a condições como lesões na medula espinhal, acidentes vasculares cerebrais ou esclerose múltipla.3

Essa condição é caracterizada por hipersensibilidade e dor espontânea, ou seja, a pessoa sente dor mesmo sem a presença de um estímulo específico.3 Imagine que a dor está com você o tempo todo, e não apenas quando uma certa área é apertada. É como se não houvesse um motivo para a sensação, mas ela está lá. 

Isso ocorre devido a impulsos elétricos anormais, conhecidos como atividade ectópica, que são gerados nos nervos danificados e causam a sensação dolorosa. Esse fenômeno envolve mudanças na maneira como os sinais são processados, tanto nos neurônios danificados quanto em áreas do cérebro que interpretam a dor.3

Ou seja: nesse caso, o seu sistema nervoso está recebendo informações e processando todas elas de uma maneira diferente do que deveria ser feito.3

Como a dor neuropática se manifesta?

Agora, chegou a hora de você compreender quais são os sintomas da dor neuropática. Afinal, é importante saber como reconhecê-la para que os sinais possam ser repassados ao médico, que poderá escolher o melhor tratamento para o seu caso.

Vamos lá?

Alodinia

Dor causada por estímulos que normalmente não provocariam dor, como um toque leve na pele.4,5

Hiperalgesia

Aumento da percepção da dor em resposta a estímulos dolorosos, levando a uma dor mais intensa que o esperado.4,6

Parestesia

Sensações anômalas e desconfortáveis, como formigamento, picadas de agulha, coceira e perda ou diminuição de sensibilidade.4,7

Quais são as causas para a dor neuropática?

Dor neuropática: o que é, causas e principais tratamentos!

A dor neuropática é causada por lesões ou doenças que afetam o sistema nervoso, resultando em dor crônica que pode comprometer seriamente a qualidade de vida.8 Continue a leitura para conhecer alguns exemplos de condições que podem gerar essa sensação! 

Neuralgia do trigêmeo 

A neuralgia do trigêmeo é uma condição neurológica caracterizada por dor intensa e súbita no rosto, muitas vezes descrita como um “choque elétrico” na face. Essa dor ocorre em crises de curta duração que podem se repetir várias vezes ao dia, debilitando os pacientes afetados.9

Na maior parte das vezes essa dor é unilateral, envolvendo uma ou mais divisões do nervo trigêmeo. A compressão dele, por sinal, é uma das principais causas para essa condição.9

Polineuropatia dolorosa 

A polineuropatia dolorosa, por sua vez, é uma condição que envolve a dor intensa associada a neuropatias periféricas, ou seja, doenças que afetam os nervos periféricos. Existem várias causas para a polineuropatia, como:10

  • fatores hereditários;
  • metabólicos;
  • infecciosos;
  • inflamatórios;
  • tóxicos;
  • traumáticos. 

A condição pode se desenvolver de forma aguda, subaguda ou crônica. Esse tipo de dor pode ser descrito como agulhadas, queimação, cãibras, dormência e formigamento.10

Neuralgia pós-herpética 

A neuralgia pós-herpética é uma complicação — a longo prazo e dolorosa — da reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora. Ela é caracterizada por uma dor persistente e intensa na área onde as lesões ocorreram, que pode durar meses ou até anos após o desaparecimento das erupções cutâneas.11

Essa condição é mais comum em adultos mais velhos e pode afetar substancialmente a qualidade de vida, devido à sua natureza debilitante e complexa de tratar.11

Dor pós-AVC 

A dor pós-AVC, também chamada de síndrome da dor central pós-AVC, é um tipo de dor neuropática que ocorre após um acidente vascular cerebral (também conhecido como derrame). Essa condição se manifesta como dores e parestesias (ou seja, aquela sensação de agulhadas sobre as quais já falamos).12

Outros sintomas que já foram mencionados são a alodinia (dor provocada por estímulos normalmente não dolorosos) e a hiperalgesia (sensibilidade aumentada a estímulos dolorosos). A dor geralmente se manifesta entre três a seis meses após o AVC, mas pode ocorrer antes ou muito depois desse período.12

Neuropatia diabética

Por fim, vamos falar sobre uma das causas mais comuns para a dor neuropática. Ela é, como o nome indica, um dano nos nervos causado pelo diabetes, que afeta a comunicação entre o cérebro e o corpo.13

Esse dano pode comprometer a capacidade de sentir, mover partes do corpo e controlar funções automáticas, como a digestão. Existem quatro tipos principais de neuropatia diabética:13

  • periférica, que afeta principalmente os nervos dos pés e pernas, podendo também afetar as mãos e braços;
  • autonômica, que afeta os nervos que controlam os órgãos internos, como o coração, bexiga, sistema digestivo e glândulas do suor;
  • focal, que envolve o dano a um único nervo, geralmente nas mãos, cabeça, tronco ou pernas, e causa fraqueza ou dor em uma área específica do corpo;
  • proximal, que é uma forma rara e debilitante de dano nervoso que afeta a região do quadril, nádegas ou coxas, geralmente em um lado do corpo.

Quais são os tratamentos para a dor neuropática?

Diante de tudo isso, fica a dúvida: como tratar essa condição? A boa notícia é que há muitas alternativas que podem ajudar com a sensação de dor e colaborar com a melhora da qualidade de vida das pessoas afetadas.14

No entanto, não se engane: o tratamento da dor neuropática é complexo e desafiador, muitas vezes não respondendo adequadamente a analgésicos convencionais, como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).14

Vamos conhecer algumas alternativas?

Opioides

Embora haja consenso de que alguns pacientes com dor neuropática podem se beneficiar de opioides, eles não são recomendados como primeira linha devido aos efeitos adversos e riscos associados. Quando indicados, devem ser prescritos com cautela e acompanhados regularmente.14

Antidepressivos

São outra classe muito utilizada, com evidências robustas de eficácia no alívio da dor neuropática, especialmente em neuropatia diabética e neuralgia pós-herpética no caso da classe de antidepressivos tricíclicos e dos inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina.14

Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, por sua vez, têm eficácia limitada e geralmente não são considerados adequados para tratamento de dor neuropática.14 Por isso, é importante que o médico escolha bem a classe de medicamentos que será utilizada em cada caso.

Anticonvulsivantes

Normalmente utilizados para ajudar em crises convulsivas, eles também são frequentemente utilizados e demonstraram eficácia no tratamento da dor neuropática, modulando a atividade e reduzindo a excitabilidade dos nervos.14

Anestésicos locais

Alguns tipos de anestésicos podem ajudar na dor neuropática, bloqueando canais de sódio e reduzindo a atividade em nervos danificados. Em outras palavras, esses medicamentos “acalmam” os nervos, reduzindo a dor.14

Canabinoides

Estudos recentes sugerem que os canabinoides podem ser benéficos na dor crônica, pois os receptores associados não sofrem desregulação após lesões nervosas, diferentemente dos receptores opioides.14

Estimulação elétrica transcutânea

Utiliza eletrodos para estimular nervos periféricos, com base na teoria do controle da dor, mostrando eficácia em melhorar sintomas neuropáticos.14

Terapia comportamental

Uma abordagem multidisciplinar é essencial considerando aspectos afetivos, comportamentais e a incapacidade do paciente. Por isso, a terapia com psicólogos também é uma tentativa válida para ajudar no manejo dos sintomas e cuidar da saúde mental.14

Como você viu, a dor neuropática é um assunto sensível. Caracterizada pela presença de sensação dolorosa constante, essa condição deve ser abordada de modo multidisciplinar com a ajuda de profissionais de diversas áreas.14 

Está convivendo com dor? Então, não deixe de se informar! Confira as outras postagens do blog A Vida Plena para entender mais sobre a sua condição e não deixe de procurar ajuda especializada. Você merece viver de maneira plena e com qualidade!

Referências:

1. Witt EA, Kenworthy J, Isherwood G, Dunlop WCN. Examining the association between pain severity and quality-of-life, work-productivity loss, and healthcare resource use among European adults diagnosed with pain. Journal of Medical Economics. 2016 May 4;19(9):858–65.

2. What are the Different Types of Pain Management? | AUC School of Medicine [Internet]. www.aucmed.edu. 2023. Disponível em: https://www.aucmed.edu/about/blog/types-of-pain-management. Acesso em 5 nov. 2024.

3. Costigan M, Scholz J, Woolf CJ. Neuropathic Pain: A Maladaptive Response of the Nervous System to Damage. Annual Review of Neuroscience. 2009 Jun;32(1):1–32.

4. Cavalli E, Mammana S, Nicoletti F, Bramanti P, Mazzon E. The neuropathic pain: An overview of the current treatment and future therapeutic approaches. International Journal of Immunopathology and Pharmacology [Internet]. 2019;33(33):205873841983838. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6431761/. Acesso em 5 nov. 2024.

5. He Y, Kim PY. Allodynia [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2020. Disponível em:  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK537129/. Acesso em 5 nov. 2024.

6. National Cancer Institute. NCI Dictionary of Cancer Terms – National Cancer Institute [Internet]. www.cancer.gov. 2011. Disponível em: https://www.cancer.gov/publications/dictionaries/cancer-terms/def/hyperalgesia. Acesso em 5 nov. 2024.

7. Pal B. 10-minute consultation: Paraesthesia. BMJ. 2002 Jun 22;324(7352):1501–1.

8. Finnerup NB, Kuner R, Jensen TS. Neuropathic Pain: From Mechanisms to Treatment. Physiological Reviews [Internet]. 2021 Jan 1;101(1):259–301. Disponível em: https://journals.physiology.org/doi/full/10.1152/physrev.00045.2019. Acesso em 5 nov. 2024.

9. Shankar Kikkeri N, Nagalli S. Trigeminal Neuralgia [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554486/. Acesso em 5 nov. 2024.

10. Marchettini P, Lacerenza M, Mauri E, Marangoni C. Painful Peripheral Neuropathies. Current Neuropharmacology. 2006 Jul 1;4(3):175–81.

11. Gruver C, Guthmiller KB. Postherpetic Neuralgia [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2021. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK493198/. Acesso em 5 nov. 2024.

12. Anosike KC, Rajaram Manoharan SVR. Central Post-Stroke Pain Syndrome [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK604196/. Acesso em 5 nov. 2024.

13. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. What Is Diabetic Neuropathy? | NIDDK [Internet]. National Institute of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases. 2018. Disponível em: https://www.niddk.nih.gov/health-information/diabetes/overview/preventing-problems/nerve-damage-diabetic-neuropathies/what-is-diabetic-neuropathy. Acesso em 5 nov. 2024.

14. Schug SA, Stannard KJ. Treatment of Neuropathic Pain [Internet]. Fitridge R, Thompson M, editors. PubMed. Adelaide (AU): University of Adelaide Press; 2011.  Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK534257/. Acesso em 5 nov. 2024.

Data: 05/11/2024.