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Publicado em: 15 de setembro de 2025
Com a chegada do inverno, é comum ouvirmos falar no aumento de casos de gripes, resfriados e outras doenças respiratórias. O que muitos desconhecem é que as temperaturas mais baixas também representam um risco maior para o coração.¹
Apesar de não ser uma associação imediata para a maioria das pessoas, o clima frio impõe desafios importantes ao sistema cardiovascular. Por exemplo, os casos de infarto se tornam mais frequentes no frio, e entender o motivo disso é essencial para a prevenção e o cuidado com a saúde cardiovascular.1-4
Doenças cardiovasculares, que incluem infarto e acidentes vasculares cerebrais (AVC), são a principal causa de morte no mundo, sendo responsáveis por cerca de 17,9 milhões de óbitos anuais. Dessas mortes, cerca de quatro a cada cinco são provocadas por ataques cardíacos e derrames, e um terço ocorre de forma prematura, em pessoas com menos de 70 anos.²
Os infartos podem acontecer em qualquer época do ano, mas há um risco aumentado durante os meses mais frios. O ar frio e seco pode causar espasmos nos brônquios, dificultando a respiração, principalmente em pessoas com asma.3
Além disso, mudanças na pressão atmosférica, baixa umidade, vento forte e temperaturas frias ativam o sistema nervoso e promovem a contração dos vasos sanguíneos, aumentando a viscosidade do sangue.³
A trombose venosa profunda (TVP), por exemplo, é mais comum nesse período, com estudos indicando que uma queda de 10 milibares na pressão atmosférica está associada a um aumento de 2,1% no risco relativo de TVP.4
Para quem já tem algum problema no coração, respirar ar frio pode causar dor torácica. Em temperaturas baixas, os vasos se contraem, elevando a pressão arterial e sobrecarregando o coração, que precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal. Se a pessoa não estiver bem agasalhada, a perda de calor pode levar à hipotermia e comprometer o funcionamento do músculo cardíaco.3-4
“Para pessoas com o coração saudável e artérias desobstruídas, inalar o ar frio significa um aumento saudável do fluxo sanguíneo para o coração, o que ajuda a bombear mais sangue para manter os órgãos vitais aquecidos. Porém, em pacientes com artérias bloqueadas, o ar frio causa uma redução do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, levando a uma irrigação menor e possível dano ao coração“, explica o Dr. Jairo Lins Borges (CRM 46.977), cardiologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Há um conjunto de explicações para o aumento dos infartos nos meses frios. Uma delas tem a ver com o sistema nervoso simpático, aquele que prepara o corpo para emergências.
Em baixas temperaturas, esse sistema é ativado, aumentando a secreção de catecolaminas, neurotransmissores e hormônios essenciais como a adrenalina (epinefrina), noradrenalina (norepinefrina) e dopamina. Essas substâncias elevam a pressão arterial.4
Além disso, há uma redução significativa nos níveis de vitamina D durante o outono e o inverno, e essa deficiência está associada a um risco cardiovascular mais elevado.4
Outro motivo é a tendência de aumento da quantidade de colesterol presente no sangue no inverno, motivada pela maior ingestão de calorias por conta do frio. Ao mesmo tempo, os níveis de atividade física costumam cair. Isso favorece o surgimento ou agravamento de fatores de risco para problemas cardiovasculares4.
Durante o inverno, o organismo também tende a produzir mais substâncias que facilitam a formação de coágulos, o que significa que o sangue pode se tornar mais “espesso”, favorecendo entupimentos nos vasos sanguíneos, o que pode levar a infartos ou AVCs.4
Por fim, há ainda a questão ambiental. A concentração de poluentes, como o material particulado, costuma ser mais alta no inverno, e mesmo uma exposição pequena à fumaça passiva pode acelerar o acúmulo de placas de colesterol nas paredes das artérias, levando à obstrução e aumento de risco para infartos.4
Descobertas recentes mostram que vírus respiratórios também podem ser gatilhos para infartos e AVC, especialmente em pessoas já vulneráveis.5
Uma meta-análise publicada na revista Cardiovascular Research avaliou mais de 11 mil estudos e identificou que a gripe e a Covid-19 estão entre os principais vírus relacionados a esses eventos.5
Acredita-se que o mecanismo envolvido é a inflamação provocada pelo vírus, que pode induzir ao acúmulo de placa de colesterol nos vasos sanguíneos.5 “Bloqueadas, as artérias podem desenvolver coágulos que, uma vez soltos na corrente sanguínea, podem ocasionar novos bloqueios em vasos ligados ao coração ou ao cérebro. Esse processo tem chances de levar a um ataque cardíaco ou um AVC”, explica o Dr. Borges.
Segundo o estudo, uma gripe aumenta em 5,4 vezes o risco de infarto e em 4,7 vezes o risco de AVC. A janela de risco é maior nos primeiros dias ou semanas após a infecção. A Covid-19 também pode ter efeito semelhante, mas faltam dados para estimar com precisão.5
Outros vírus, como o sincicial respiratório (VSR), enterovírus e citomegalovírus, também foram associados, embora com ligações menos evidentes.5
“Se você tem uma condição cardíaca, é muito importante se manter aquecido no inverno. Mas o fundamental, é claro, é ter hábitos saudáveis durante todo o ano. Além de reduzir os riscos trazidos pelo frio, isso faz bem para a saúde do coração no longo prazo, independentemente da estação do ano”, orienta o Dr. Borges.
Entre os principais fatores comportamentais de risco estão a alimentação não-saudável, o sedentarismo, o tabagismo e o consumo excessivo de álcool. A exposição à poluição também influencia negativamente.2-3
Outro ponto importante é a vacinação. A imunização contra a gripe pode reduzir o risco de infarto ou AVC, principalmente em pessoas com doenças cardíacas.5
Adotar um estilo de vida saudável e cuidar de condições pré-existentes fazem toda a diferença para a saúde do coração nas estações frias.3
(texto elaborado em 18/08/2025)
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