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Publicado em: 4 de março de 2026
Manter a prática de atividade física é uma recomendação importante para a saúde, mas, em dias de altas temperaturas, o exercício exige atenção redobrada. O calor impõe uma sobrecarga ao organismo ao combinar aumento da temperatura corporal, maior esforço do coração e perda de líquidos pelo suor, o que pode favorecer diferentes desfechos negativos à saúde¹.
O exercício físico eleva naturalmente a temperatura interna do corpo, o esforço cardíaco e a sudorese. Quando essa prática ocorre em ambientes quentes, esses efeitos se intensificam¹.
Por esse motivo, é importante entender quando é hora de limitar, modificar ou até evitar a prática de exercícios no calor, como forma de reduzir riscos e preservar o bem-estar¹.
Em primeiro lugar, o calor impacta o sistema respiratório porque ele está em contato direto com o ambiente externo. Afinal, a parte anterior da cavidade nasal funciona como uma porta de entrada para as trocas gasosas com o ambiente, sendo, portanto, uma das primeiras regiões do corpo a sentir os efeitos das condições externas².
Além disso, ele tem uma estrutura de proteção delicada. A barreira epitelial (pele) respiratória é muito fina e atua como uma defesa física, com funções de limpeza mucociliar e ação antibacteriana. Temperaturas extremas afetam diretamente essa barreira respiratória².
O calor intenso pode alterar proteínas estruturais das vias aéreas e desencadear inflamação e hiper-reatividade, tornando os pulmões mais sensíveis. Além disso, o sistema de termorregulação do corpo, ou seja, a capacidade do organismo de ajustar a própria temperatura, é impactado.2
Isso leva ao aumento do volume respiratório e da frequência da respiração, favorecendo maior resistência das vias aéreas e episódios de broncoconstrição reflexa ² – isto é, quando ocorre “o estreitamento das vias aéreas nos pulmões, reduzindo o fluxo de ar, resultando em sintomas como respiração ofegante, tosse e falta de ar”, conforme explica a Dra. Maura Neves (CRM 97446 | RQE: 63161), otorrinolaringologista.
Além disso, quando as células epiteliais das vias respiratórias sofrem danos, elas liberam substâncias de alerta que ativam respostas que contribuem para o agravamento da inflamação das vias aéreas.2,3
Segundo a médica, esse processo pede atenção especialmente de pessoas que convivem com doenças respiratórias. Por conta dele, o calor pode desencadear sintomas em pessoas com asma ou alergias respiratórias³.
De acordo com a explicação da médica, o calor já pode impactar as vias aéreas por si só. Agora, considerando a prática de atividade física, “é preciso avaliar os próprios limites e as condições de tempo para evitar impactos graves na saúde respiratória”, diz a Dra.
Naturalmente, a prática de exercícios físicos eleva a temperatura interna do corpo.¹ O problema surge quando o exercício acontece sob calor intenso.
Nessas condições, a capacidade de o corpo regular a própria temperatura pode ser ultrapassada. Temperaturas internas muito elevadas, entre 39 °C e 40 °C, levam à redução do fluxo de sangue em alguns tecidos e ao aumento do estresse oxidativo4, ou seja, a “dificuldade do corpo em eliminar substâncias prejudiciais produzidas durante o exercício físico, como radicais livres”, explica a médica.
Esse cenário pode provocar danos a células, tecidos e órgãos, inclusive o pulmão, que está entre os órgãos mais vulneráveis⁴.
No sistema respiratório, o calor excessivo pode causar lesões pulmonares, como acúmulo de líquido nos pulmões (edema pulmonar), e síndrome do desconforto respiratório agudo, inflamação que pode causar baixos níveis de oxigênio no sangue. Esse risco é ainda maior quando para pessoas com doenças respiratórias pré-existentes, como a asma⁴.
Outro ponto importante é que os danos causados pelo calor podem não desaparecer imediatamente após o resfriamento do corpo. Mesmo quando a temperatura volta ao normal, as lesões associadas ao estresse térmico podem continuar representando riscos. Alterações no funcionamento dos órgãos, inclusive dos pulmões, podem persistir por anos após o dano inicial⁴.
Para reduzir os riscos associados aos exercícios no calor e proteger a saúde respiratória e geral, algumas medidas são recomendadas:¹
Além disso, ao sinal de qualquer mal-estar, a especialista recomenda a interrupção das atividades e a avaliação médica. “Especialmente para quem convive com doenças respiratórias e cardiovasculares, o acompanhamento médico é essencial para uma prática de exercícios segura.”
Conteúdo elaborado em fevereiro de 2026
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor
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