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Publicado em: 20 de outubro de 2023
Assuntos abordados
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A dor no peito é um sintoma que pode ser preocupante e alarmante para muitas pessoas. Ela pode ser caracterizada por uma sensação de desconforto, pressão ou dor localizada na região torácica, próxima ao coração. Embora a dor no peito seja frequentemente associada pela população a problemas cardíacos, como um ataque cardíaco, ela pode ter uma variedade de causas que não estão relacionadas ao coração.1
Este tipo de dor é um sintoma comum em diversas condições médicas diferentes, incluindo distúrbios gastrointestinais, pulmonares e musculoesqueléticos.1 Na prática clínica, observa-se que as dores no peito podem se apresentar de diferentes maneiras, como queimação, aperto, pressão, “pontadas” ou peso, a depender da causa. O tempo que a dor dura, bem como fatores que provoquem sua melhora ou piora, são muito relevantes na investigação clínica do paciente. Neste artigo, discutiremos a classificação da dor no peito e as possíveis causas que devem ser consideradas ao experimentar esse sintoma.
Para entender melhor os tipos de dor torácica, é necessário compreender a grande diversidade de sintomas associados, bem como as características da dor. Abaixo você entenderá quais são os principais achados em diferentes causas de dor no peito.
No dia a dia de consultório, percebe-se que as dores no peito de origem muscular, em geral, têm relação com alguma atividade física que demande o uso dos músculos do tórax, como a musculação. Pode também ter relação com má postura no trabalho ou ao executar alguma atividade. Em geral, a dor costuma ser mais leve, melhorando com analgésicos simples. Além disso, nota-se que a dor piora ao fazer pressão tocando os músculos. Em geral, nota-se que estes paciente possuem uma dor bem localizada, não tendo irradiação para outros lugares.2,3
Na prática clínica, nota-se que a dor de origem pulmonar pode ser muito variável, a depender do local onde a lesão está. No caso de um derrame pleural, processo onde ocorre um acúmulo de líquidos entre o pulmão e a pleura, tecido que reveste os pulmões, a dor costuma piorar ao inspirar profundamente.4-5 A depender da causa que originou o derrame pleural, como uma pneumonia, pode haver outros sintomas associados, como tosse e febre.5
Nestas situações, é importante individualizar cada caso durante a avaliação médica, analisando se existem fatores de risco como tabagismo, histórico de câncer na família, histórico de trombose, perda de peso nos últimos meses ou presença de sintomas agudos, como febre e tosse.5
A dor de origem cardíaca pode se manifestar de diferentes formas, a depender da condição que esteja ocorrendo no coração. No caso de infartos, costuma haver uma dor que pode irradiar para pescoço, mandíbula, braço esquerdo, ombros ou região do estômago. O desconforto lembra muito uma pressão ou aperto no peito. A dor costuma durar minutos até horas, piora com esforços físicos e pode melhorar com o repouso6.
Pacientes com alguma doença prévia, como o diabete, podem ter sintomas atípicos de infarto, ou seja, sintomas diferentes dos clássicos.7 Isso ocorre devido a alterações na percepção de dor que ocorrem ao longo do tempo nos diabéticos.7
Arritmias cardíacas também podem causar desconfortos torácicos, se manifestando por meio de uma sensação de palpitações no peito. As arritmias são eventos que podem ser muito graves e demandam atenção médica.8 Em casos de arritmia, os pacientes também podem sentir tonturas, pressão baixa, dor no peito.9
A ansiedade também é uma das causas de dor torácica.10 Por se tratar de uma causa psicogênica de dor, suas características são variáveis na prática clínica. Muitas vezes, a dor torácica de origem ansiosa pode ser muito parecida com a dor de um infarto, onde é sentido um aperto forte no peito. Pode existir, além disso, a falta de ar e a sensação de pensamentos acelerados e preocupação profunda sobre algum fato.10
Observa-se que em muitos pacientes a dor no peito de origem ansiosa costuma ter relação com algum evento estressante ou traumático. Nestes casos, os sintomas costumam melhorar à medida que a pessoa fica mais tranquila, o que pode ocorrer com o auxílio de medicações ou com exercícios de presença. É importante que pessoas com diagnóstico de ansiedade ou depressão que sentem esses sintomas de forma frequente informem seu médico sobre a situação. Assim, é possível a definição de estratégias para promover um melhor controle dos quadros, ou até mesmo evitá-los.10
Outras causas possíveis de dor no peito são os distúrbios gastrointestinais. A Doença do Refluxo Gastroesofágico, por exemplo, é uma das origens para a sensação de queimação no peito.11 Nestes casos, boa parte dos pacientes costuma referir dor após uma refeição exagerada ou depois do consumo de alguns alimentos irritativos, como molhos de tomate, bebidas cítricas e chocolate. Além disso, muitos pacientes relatam aos seus médicos a presença de rouquidão na voz pela manhã ou até mesmo tosse crônica.
As úlceras de estômago também podem causar dores na porção mais inferior do peito e, em geral, costumam ter relação forte com a alimentação. Contudo, esta não é apresentação mais usual do quadro, tendo em vista que classicamente as dores ocorrem na barriga, mais especificamente na região do estômago.12
Como você viu, dores no peito podem ter causas muito simples e facilmente tratáveis e causas potencialmente letais.2 É importante para quem sente este tipo de desconforto que esteja atento a sinais de gravidade, como dores moderadas a intensas, acompanhadas de falta de ar, tontura, desmaios ou palpitações.10 A presença de febre e tosse também pode apontar para quadros de pneumonia ou outras alterações pulmonares que demandam tratamento específico imediato.4 A presença de fatores de risco, como histórico de colesterol alto, diabete, doenças cardiovasculares ou tabagismo são fatores que reforçam a necessidade de investigação.6
Na prática clínica, as dores mais leves, sem outros sintomas associados e que melhoram espontaneamente não costumam representar situações graves. Contudo, sempre que tiver dúvidas em relação à dor no peito, é fundamental a avaliação de um profissional. O mesmo cuidado vale para idosos, pois podem ter dificuldades para relatar precisamente o que vêm sentindo.
Agora que você conheceu as principais causas de dores no peito, suas características e os sinais de alarme, não deixe de nos seguir nas redes sociais para ter acesso a outros artigos sobre saúde.
Referências:
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor
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2. MI Dunn, MD Hostetler. CHEST PAIN. Bionted and Pharmcother. 1990;353–7.
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