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Publicado em: 14 de agosto de 2024
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É uma futura mamãe e sente que seu intestino anda funcionando… diferente? Não se preocupe. Você não está sozinha nessa! A prisão de ventre na gravidez é um problema recorrente e que afeta muitas gestantes.1
Também conhecida como constipação, essa condição é caracterizada principalmente pela redução das idas ao banheiro para defecar. Além disso, dificuldades na evacuação podem estar presentes.1
Tem percebido alterações nesse aspecto? Então, continue a leitura para entender melhor as causas desse problema, quais são os principais sintomas e o que fazer para aliviar a prisão de ventre na gravidez. Vamos lá!
Constipação, também conhecida como prisão de ventre, é um problema comum que afeta a forma como nosso corpo elimina as fezes.1
Então, como saber se você está lidando com constipação? Bem, seu corpo envia sinais de alerta. Se você não evacuou ao menos três vezes durante a última semana ou se está tendo menos evacuações do que o habitual, é um indício. Além disso, se suas fezes estão mais secas, pequenas e endurecidas é hora de prestar atenção.1
Ah, e há mais um sinal revelador: você pode ter aquela sensação de que ainda não esvaziou completamente seu intestino, como se algo estivesse preso lá dentro, causando desconforto. Para piorar, seu estômago pode começar a reclamar, gerando dores e inchaço. Também é possível que você se sinta até um pouco enjoada.1
Então, fique de olho! A constipação é tida quando esses sinais aparecem por, no mínimo, três meses ao longo do ano.2
No Brasil, cerca de 19% das gestantes sofrem de constipação.3 Mas por que isso acontece? Antes de falarmos sobre a ocorrência do problema durante a gravidez, é importante entendermos como ele acontece de forma geral.
Na maior parte das vezes, a constipação está associada a questões relacionadas ao estilo de vida do paciente. Sendo assim, comportamentos como a baixa ingestão de água ou o consumo insuficiente de fibras podem contribuir.3
No entanto, a relação entre constipação e gravidez é complexa e multifacetada. Durante a gravidez, a mulher passa por uma série de mudanças hormonais e físicas que podem afetar o funcionamento normal do sistema digestivo, contribuindo para a constipação intestinal.3
Sendo assim, é hora de você entender mais sobre as causas de prisão de ventre entre as gestantes. Lembrando que boa parte dessas razões é generalizada, ou seja, afeta tanto as mulheres grávidas quanto outros grupos sociais. Confira!
Durante a gravidez, os hormônios femininos, como estrógeno, progesterona e relaxina, desempenham um papel importante no funcionamento do trato gastrointestinal. Embora os mecanismos exatos ainda não sejam totalmente compreendidos, estudos sugerem que esses hormônios podem afetar a musculatura do intestino de várias maneiras.4
Por exemplo, a progesterona, um hormônio essencial na gravidez, tem sido associada ao relaxamento da musculatura lisa intestinal. À medida que seus níveis aumentam durante a gravidez, esse efeito relaxante pode levar a uma diminuição na motilidade intestinal, ou seja, os movimentos que ajudam a impulsionar os alimentos pelo trato digestivo podem se tornar menos eficazes.4
Além disso, estudos mostram que a progesterona pode ter um efeito inibitório sobre a motilina, um hormônio conhecido por estimular a musculatura lisa e a motilidade do trato gastrointestinal. Isso pode explicar, pelo menos em parte, a hipomotilidade observada no intestino durante a gravidez.4
O aumento dos níveis hormonais durante a gravidez, ao lado de outras mudanças fisiológicas, como o crescimento do útero, pode contribuir para uma maior prevalência de constipação entre as gestantes.4
Efeitos físicos do útero dilatado
À medida que o útero se expande para acomodar o crescimento do feto, ele pode exercer compressão sobre os órgãos adjacentes, incluindo os intestinos. Isto pode dificultar o funcionamento normal do trato gastrointestinal, levando à constipação.3
Durante a gravidez, há uma ênfase especial na importância de manter hábitos alimentares saudáveis. A constipação está intimamente relacionada aos maus hábitos alimentares, o que inclui a falta de ingestão de fibras e o consumo insuficiente de água.3,4
As fibras desempenham um papel essencial na promoção da regularidade intestinal, pois adicionam volume às fezes e facilitam sua passagem pelo trato gastrointestinal. Ao longo da gestação, a recomendação é consumir cerca de 28 g de fibras por dia, um pouco mais do que a quantidade recomendada para adultos saudáveis.4
Além disso, a água é fundamental. Um estudo realizado em Londres demonstrou que as mulheres grávidas que aumentaram o consumo hídrico no primeiro trimestre apresentaram uma redução nos sintomas de constipação.4
No entanto, nos trimestres seguintes, esses efeitos foram limitados, sugerindo a necessidade de atenção contínua à hidratação materna durante toda a gravidez e no período pós-parto. A água torna as fezes mais macias e volumosas, o que pode ajudar a prevenir a constipação.4
Algumas mulheres podem ter uma predisposição genética para problemas digestivos, incluindo constipação, o que pode ser agravado durante a gravidez devido às mudanças físicas e hormonais.3
Além desses fatores, os efeitos colaterais de certos medicamentos prescritos durante a gravidez e a anatomia individual do corpo podem ter sua parcela entre as causas da constipação durante esse período.3
A atividade física é fundamental para a saúde geral, incluindo a saúde intestinal. A prática regular de exercícios oferece uma série de benefícios para as mulheres adultas, incluindo a promoção da saúde gastrointestinal.4
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), as gestantes precisam se mexer durante e após a gravidez, desde que não existam contraindicações. A entidade recomenda a prática de 150 minutos de exercícios moderados por semana. Caso as atividades sejam mais intensas, a frequência pode ser de apenas 75 minutos.5
Sendo assim, a inclusão de exercícios físicos no dia a dia das gestantes pode ser uma boa estratégia para evitar a constipação ou lidar com o problema caso ele já esteja presente.4
De forma geral, os sintomas percebidos durante a gestação são semelhantes aos vistos em outros grupos. E, conforme mencionado, é preciso que eles persistam por certo tempo antes de uma pessoa ser diagnosticada com constipação.2
Continue a leitura para conferir os sinais mais frequentes do problema:
Diante de tais sintomas, é possível que você esteja se perguntando como preveni-los ou até mesmo amenizá-los, caso já estejam presentes. Saiba mais!
Para evitar, aliviar ou tratar a constipação, é importante se hidratar. Assim, beber no mínimo três litros de água por dia é essencial para manter o corpo hidratado e ajudar na função intestinal. Tenha sempre uma garrafa de água por perto para se lembrar de se hidratar regularmente.6
Além disso, você pode tornar a água mais saborosa adicionando frutas naturais, como laranja, hortelã, pepino ou outras de sua preferência. Chás sem açúcar também são uma ótima opção, podendo ser consumidos quentes ou gelados.6
Priorize frutas com casca ou bagaço, como maçã, pera, laranja, mexerica, ameixa, caqui, jambo e tamarindo, que são ricas em fibras e têm efeitos laxativos. Evite frutas como banana-prata, maçã sem casca e outras menos fibrosas.6
Outra dica: inclua legumes e verduras cruas e refogadas em suas refeições, como abóbora, abobrinha, alho, beterraba, brócolis, cenoura, couve-flor, entre outros. Eles são fontes importantes de fibras e contribuem para a regularidade intestinal.6
Escolha alimentos integrais, como arroz, macarrão, pães, biscoitos e torradas integrais, em vez de suas versões refinadas. Além disso, você pode substituir arroz branco e macarrão tradicional por milho-verde, mandioca, batatas, inhame e cará.6
Evite o consumo de farinha de mandioca e trigo, amido de milho, biscoitos de água e sal e tapioca, que são menos ricos em fibras.6
Feijões, lentilhas, ervilhas frescas e grão-de-bico são fontes excelentes de fibras e proteínas vegetais. Consuma esses alimentos no almoço e no jantar para ajudar a melhorar o funcionamento intestinal.6
No entanto, outra dica: não esqueça de deixar as leguminosas de molho por, pelo menos, 12 horas. Isso ajuda na prevenção de gases após a ingestão.6
O primeiro passo é implementar mudanças positivas no dia a dia da gestante, como as alterações na alimentação, na ingestão de água e na realização de atividades físicas.6 Porém, o uso de outras abordagens também pode ser útil. Continue e confira!
Probióticos é o nome dado a um conjunto de microrganismos vivos que podem ser benéficos à saúde do hospedeiro. Em outras palavras, são as chamadas “bactérias do bem”. Em relação à constipação, estudos têm demonstrado que os probióticos podem exercer um papel importante no alívio dos sintomas e na melhoria da função intestinal.7
Quando os probióticos e as mudanças na rotina não trazem conforto para a gestante, pode ser interessante implementar outras estratégias, como o uso de laxantes.8 Esses medicamentos são divididos em diferentes classes, como veremos a seguir. Confira!
Essas substâncias não são absorvidas pelo corpo e são consideradas seguras para uso durante a gravidez a longo prazo. No entanto, podem não ser eficazes para todas as pessoas e causar efeitos colaterais desagradáveis, como gases, inchaço e cólicas.8
Substâncias desse tipo são consideradas seguras durante a gravidez e não têm sido associadas a efeitos adversos significativos. Contudo, o uso prolongado pode ser associado à hipomagnesemia neonatal (baixos níveis de magnésio), como relatado em um caso.8
O óleo mineral é pouco absorvido pelo trato gastrointestinal e não parece estar associado a efeitos adversos significativos. Entretanto, há controvérsias sobre se o uso prolongado pode reduzir a absorção de vitaminas lipossolúveis, embora esse risco pareça ser mais teórico do que real.8
Quando a intenção é reduzir o número de efeitos colaterais e fazer com que a constipação seja tratada de forma mais natural, os laxantes osmóticos são uma boa pedida. Compostos como o macrogol são muito eficientes na hidratação das fezes e atuam no alívio dos sintomas sem a ocorrência de questões como flatulência e vômitos.9
Esse tipo de medicamento tem absorção mínima pelo organismo e não parece aumentar o risco de malformações fetais. No entanto, é possível que cause cólicas abdominais e, assim como os laxantes osmóticos, o uso prolongado pode teoricamente levar a desequilíbrios eletrolíticos.8
A fisioterapia tem um papel importante no manejo da constipação intestinal em mulheres grávidas, oferecendo uma abordagem não invasiva e eficaz para aliviar os sintomas. Isso é feito por meio de movimentos e massagens que ajudam no trânsito intestinal e podem colaborar com o bem-estar das gestantes.3
Como observamos, a prisão de ventre na gravidez é um problema relativamente comum e que traz muitos desconfortos para a gestante. Felizmente, existem medidas simples para controlá-lo, de modo que esse momento seja o mais agradável possível para você e seu bebê!
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Referências:
1. National Health Service (NHS). Constipation [internet]. 2023. [Acesso em 17Jun2024]. Disponível em: https://tinyurl.com/2x6vccxx
2. Kawaguti FS, Klug WA, Binfang C, Ortiz JA, Capelhucnick P. Cosntipation in pregnancy. Rev Bras Coloproct. 2008;28(1):46-9.
3. Cardoso AJ, Moura JB. Prevention and treatment of constipation in pregnant women: under the eyes of physiotherapists. Research, Society and Development. 2021;10(14):1-7.
4. Saffioti RF, Nomura RM, Dias MC, Zugaib M. Constipation in pregnancy. Femina. 2011;39(3):163-8.
5. Diretrizes da OMS para atividade física e comportamento sedentário: num piscar de olhos [WHO guidelines on physical activity and sedentary behavior: at a glance]. [Acesso em 17Jun2024]. Disponível em: https://iris.who.int/bitstream/handle/10665/337001/9789240014886-por.pdf?sequence=102&isAllowed=y.
6. Prefeitura Municipal de Campinas. Orientações nutricionais: Constipação intestinal [internet]. 2020. [Acesso em 17Jun2024]. Disponível em: https://tinyurl.com/5b5e2ne5
7. He Y, Zhu L, Chen J, Tang X, Pan M, Yuan W, et al. Efficacy of Probiotic Compounds in Relieving Constipation and Their Colonization in Gut Microbiota. Molecules. 2022;27(3):666.
8. Trottier M, Erebara A, Bozzo P. Treating constipation during pregnancy. Canadian family physician – Médecin de famille canadien, v. 58, n. 8, p. 836–8, 2012.
9. Lyseng-Williamson,, K. A. Macrogol (polyethylene glycol) 4000 without electrolytes in the symptomatic treatment of chronic constipation: a profile of its use. Drugs & Therapy Perspectives, v. 34, n. 7, p. 300–310, 15 jun. 2018.
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
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