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Você já sentiu aquela dor de cabeça tão intensa que mal consegue abrir os olhos ou se concentrar no que está fazendo? Pode ser uma crise de enxaqueca!

Diferentemente de outros tipos de dor de cabeça, a enxaqueca costuma vir acompanhada de sintomas como náuseas, sensibilidade à luz e ao som, podendo prejudicar o andamento das atividades do dia a dia.1

Mas como saber se é realmente enxaqueca? Neste post, vamos ajudar você a identificar os sinais e entender melhor esse problema. Você vai descobrir o que é essa condição, quais são os sintomas, quando buscar ajuda e outras informações interessantes sobre o assunto. Boa leitura!

O que é a enxaqueca?

Você já ouviu alguém dizer que está com “enxaqueca” e pensou que era só uma dor de cabeça forte? Na verdade, essa é uma condição de saúde complexa, que vai muito além de uma simples dor.1

Quando falamos dela, é importante diferenciar alguns conceitos:1

  • enxaqueca (também conhecida pelo termo médico “cefaleia”) é um tipo de dor de cabeça. Existem vários tipos de cefaleias;
  • a “enxaqueca” se refere à condição crônica em si;
  • as “crises de enxaqueca” são os episódios agudos que surgem como parte desse problema.1

Por que a enxaqueca acontece?

A enxaqueca decorre de uma combinação complexa de fatores genéticos, neurológicos e ambientais. Durante uma crise, há uma atividade cerebral anormal que desregula sinais nervosos, substâncias químicas e até o fluxo sanguíneo no cérebro.2

Mas por que isso acontece? Vamos destrinchar as possíveis causas!

Tudo começa com a genética. Se você tem enxaqueca, há uma boa chance de que alguém na sua família também sofra com ela. Há indicações de que parentes de pessoas com essa condição têm 3 vezes mais risco de desenvolver o problema.2

No entanto, não existe um único “gene da enxaqueca” — o que se sabe é que vários genes, em diferentes partes do DNA, interagem entre si e com fatores externos para desencadear as crises. Identificar esses genes pode ser o caminho para tratamentos mais personalizados no futuro.2

Por conta disso, é importante saber que algumas formas raras de enxaqueca estão ligadas a mutações genéticas bem definidas. Por exemplo:2

  • enxaqueca hemiplégica familiar, que pode ser causada por alterações em genes como CACNA1A, ATP1A2 ou SCN1A. Eles afetam canais de cálcio e sódio no cérebro, interferindo na comunicação entre neurônios;
  • síndrome MELAS (encefalopatia mitocondrial, acidose láctica e síndrome do acidente vascular cerebral), uma condição mitocondrial hereditária que, entre outros sintomas, pode causar enxaquecas recorrentes;
  • CADASIL, uma doença vascular genética que frequentemente se manifesta com enxaqueca com aura (presente em quase metade dos portadores);
  • RVCL (vasculopatia retiniana com leucoencefalopatia cerebral) e HERNS, que são doenças raras que afetam vasos sanguíneos no cérebro e na retina, muitas vezes associadas a enxaquecas intensas.

E além da genética?

A genética explica parte do quadro, mas não tudo. Fatores como estresse, alterações hormonais, distúrbios do sono e até mudanças climáticas podem ativar o gatilho em pessoas predispostas. É essa combinação entre vulnerabilidade interna e agentes externos que faz a enxaqueca ser tão imprevisível e variável de pessoa para pessoa.1,2

Sendo assim, alguns dos possíveis gatilhos para a condição são:1

  • mudanças ambientais;
  • mudanças climáticas;
  • excesso de horas de sono;
  • falta de sono;
  • cheiros fortes ou fumaça;
  • estresse;
  • excesso de esforço físico;
  • barulhos;
  • enjoo por movimento;
  • baixo nível de açúcar no sangue;
  • o hábito de pular refeições;
  • tabagismo;
  • consumo excessivo de álcool;
  • machucados na cabeça;
  • mudanças hormonais;
  • exposição a luzes brilhantes ou piscantes.

Quais são os tipos de enxaqueca?

A enxaqueca se manifesta de formas diferentes. Por isso, entender essas variações ajuda no diagnóstico e tratamento. A Sociedade Internacional de Cefaleia classifica os principais subtipos de enxaqueca de uma maneira bem específica. Confira abaixo!

Enxaqueca sem aura

Causa uma dor latejante, geralmente em um lado da cabeça, com intensidade moderada a forte. Piora com o movimento ou esforço físico. Dura de 4 a 72 horas, se não for tratada.2

A enxaqueca sem aura também traz sintomas associados, como náusea, sensibilidade à luz (fotofobia) e ao som (fonofobia).2

Enxaqueca com aura

A aura envolve alterações neurológicas reversíveis que surgem antes ou durante a crise, geralmente durando até 60 minutos. Podem incluir:2,3

  • sintomas visuais (pontos brilhantes, flashes, perda parcial da visão);
  • sintomas sensitivos (formigamento no rosto, braços ou pernas);
  • dificuldade para falar (fala arrastada ou confusão mental).

Enxaqueca crônica

É a dor de cabeça que ocorre em 15 ou mais dias por mês, sendo que pelo menos 8 desses dias têm características típicas de enxaqueca (dor latejante, náusea, sensibilidade à luz/som).2

Enxaqueca provável 

A enxaqueca provável ocorre quando as crises têm a maioria dos sintomas da enxaqueca, mas não atendem totalmente aos critérios para fechar o diagnóstico.2

Quais são os sintomas mais frequentes da enxaqueca?

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem uma dor latejante e intensa, muitas vezes em apenas um lado da cabeça. Como vimos, essa dor acontece porque há uma desregulação nas atividades nervosas, químicas e nos vasos sanguíneos do cérebro.1

Mas não para por aí: enjoo, vômitos, sensibilidade à luz, barulhos e cheiros fortes, alterações de humor e cansaço extremo também são comuns. Algumas crises duram horas; outras, dias inteiros — e podem atrapalhar completamente a rotina.1

Além disso, entre as crises, muitas pessoas ainda lidam com outros efeitos persistentes, como dificuldade de concentração, ansiedade, depressão, insônia e até calafrios.1

Como identificar a enxaqueca em 3 passos! 

Agora, chegou a hora de você aprender a identificar se está passando por uma crise de enxaqueca ou não.

Reflita sobre os questionamentos abaixo e veja se a resposta é positiva!

1. A dor é intensa e incapacitante?

Aqui, não se trata de um incômodo passageiro. A enxaqueca costuma ser intensa e latejante, como se o coração estivesse batendo dentro da cabeça.2

Ela geralmente afeta um lado, mas pode ser bilateral. A intensidade é moderada a forte, a ponto de atrapalhar tarefas simples.2,4

Além disso, atividades rotineiras, como caminhar ou subir escadas, podem piorar a sensação.2 Em alguns casos, até virar na cama se torna um desafio.

2. Tem náusea ou vômito?

Enjoo e mal-estar estomacal são comuns durante a crise. Algumas pessoas até vomitam.2

3. Luzes, barulhos e cheiros incomodam?

Luzes, sons e cheiros que normalmente passariam despercebidos se tornam insuportáveis. A claridade (mesmo a de ambientes fechados) dói nos olhos, barulhos cotidianos — como o ruído do trânsito — irritam profundamente, e até perfumes ou odores de comida podem intensificar o desconforto.2,4

4. Qual é a duração?

Uma enxaqueca típica dura de 4 horas a 3 dias se não for tratada. Ao sentir sintomas de enxaqueca, a recomendação é procurar um médico, uma vez que ignorar a enxaqueca pode prolongar o sofrimento e até agravar o quadro.2,4

5. Tem sinais de aviso antes da dor?  

Uma boa parte das pessoas com enxaqueca experimenta aura, ou seja, sintomas neurológicos reversíveis que surgem antes ou durante a crise. Eles podem incluir distúrbios visuais (como flashes de luz ou manchas escuras), formigamento no rosto ou membros ou até dificuldade temporária para falar, com palavras saindo confusas.2,4

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Quando procurar um médico para tratar a enxaqueca?

Você já parou para pensar que é preciso buscar ajuda para dores de cabeça? Muitas pessoas convivem com enxaqueca sem saber que têm o problema. Inclusive, a estimativa é de que menos da metade das pessoas que sofrem com a condição procure tratamento.5 

Mas como saber quando é o momento certo de buscar atendimento médico? Confira algumas dicas abaixo!

Tem sintomas fortes

Você pode ter enxaqueca se suas dores de cabeça:5

  • são intensas (moderadas a fortes), a ponto de atrapalhar seu dia;
  • vêm acompanhadas de náusea, sensibilidade à luz ou barulho;
  • pioram com movimento (caminhar, subir escadas).

Nos casos acima, é provável que o quadro seja de enxaqueca, e não outros tipos de dor de cabeça.5

Sua vida está sendo prejudicada

Como vimos, a enxaqueca prejudica as atividades do dia a dia. Então, é hora de procurar ajuda especialmente se você:5

  • falta ao trabalho, à escola ou cancela compromissos por causa da dor;
  • planeja sua rotina em função das crises (evita sair, viajar ou fazer planos); deixa de realizar sonhos (como mudar de emprego ou voltar a estudar) por medo de uma crise.

As crises estão frequentes

Se as crises ocorrem uma vez por semana ou mais já é um sinal de alerta. Além disso, dores quase diárias, mesmo que menos intensas, podem indicar enxaqueca crônica ou uso excessivo de analgésicos (que pioram o problema).5,6

Por isso, vale o alerta: tomar analgésicos mais de 2 vezes por semana (seja remédio comum ou de farmácia) pode:5,6

  • piorar a enxaqueca a longo prazo;
  • causar dependência e dores de rebote.

Se isso acontece, é sinal de que é hora de procurar atendimento médico para auxiliar no tratamento de maneira eficaz.

Identificar os sinais da crise de enxaqueca é o primeiro passo para buscar alívio e qualidade de vida. Se você sofre com dores de cabeça intensas, náuseas ou sensibilidade a estímulos, não ignore esses sintomas!  

Uma ótima maneira de acompanhar seus episódios é usando o Diário da Cefaleia, um aplicativo prático para registrar suas dores, gatilhos e sintomas. Então, que tal conversar com o seu médico sobre a ferramenta? Caso ele libere o uso, baixe agora e comece a mapear suas crises! O app está disponível para iOS e Android.  

Conteúdo elaborado em 11 abr. 2025.

– Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

– As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Se você ou alguém que você conhece sofre com enxaquecas, não deixe de conferir este guia completo sobre como como lidar com a doença para ter mais informações.

Preparamos também esta cartilha com receitas deliciosas que ajudam a controlar a enxaqueca.

Referências:

1. National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Migraine. 2025 [Internet]. [acesso em 11 abr. 2025]. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/migraine

2. Pescador Ruschel MA, De Jesus O. Migraine headache [Internet]. PubMed. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. [acesso em 11 abr. 2025]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK560787/

3. Shankar Kikkeri N, Nagalli S. Migraine With Aura. 2024 [Internet]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing. [acesso em 11 abr. 2025]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK554611/

4. NIH MedlinePlus Magazine. National Library of Medicine. Migraine: What you need to know. [Internet]. [acesso em 11 abr. 2025]. Disponível em: https://magazine.medlineplus.gov/article/migraine-what-you-need-to-know

5. American Migraine Foundation. When Should I See a Doctor About Migraines? 2017 [Internet]. [acesso em 11 abr. 2025]. Disponível em: https://americanmigrainefoundation.org/resource-library/when-should-i-see-a-doctor-about-migraines/6. Fischer MA, Jan A. Medication-Overuse Headache. 2023 In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025. [acesso em 11 abr. 2025]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK538150/