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Alergias ao longo da vida: como surgem?

Você sofre de algum tipo de alergia? Essa condição ocorre quando os anticorpos do nosso organismo reagem exageradamente ao entrar em contato com substâncias inofensivas, identificadas erroneamente como ameaças pelo sistema imunológico.1

As alergias podem ocorrer tanto na infância quanto na vida adulta.2 Ao longo do tempo, a sensibilização a elas pode aumentar ou diminuir.2 Entender como isso acontece e a relação entre os diferentes tipos de reação alérgica é fundamental para tratá-las corretamente e ter qualidade de vida.

Neste post, vamos abordar tudo o que você precisa saber sobre como surgem as alergias. Confira!

O que é uma alergia?

O processo alérgico é desencadeado quando o sistema imune reage de modo exacerbado (hipersensibilidade) a um agente alérgeno.3

Entre os fatores que causam alergias também está o componente genético, mais comum entre os diagnósticos.3 Porém, nem sempre há um causador específico para essas doenças.3

Em determinado estágio da vida, o organismo humano pode identificar uma substância como invasora, produzindo anticorpos para combatê-la, além de manifestar uma sequência de reações que acarretam uma resposta alérgica.3

As consequências reativas podem afetar diversas partes do corpo, sendo que as mais comuns atingem as vias respiratórias, como rinite e asma, e a pele, como as dermatites atópicas e de contato.3

Como as alergias se desenvolvem ao longo da vida?

A manifestação das alergias ao longo da vida pode variar.4 Em se tratando da dermatite atópica, por exemplo, estima-se que 60% dos casos ocorram no primeiro ano de vida, enquanto 90% são diagnosticados após os 5 anos.4 A condição costuma se resolver na idade adulta, porém, cerca de 10% a 30% dos pacientes ainda podem apresentar sintomas da doença nessa fase da vida.4

Já no que se refere à rinite alérgica, 80% dos episódios surgem antes dos 20 anos, sendo que aproximadamente 40% manifestam os sintomas da condição antes de completar 6 anos.5

Geralmente, as patologias alérgicas tendem a acompanhar o paciente da infância até a velhice.6 Esse ciclo é observado principalmente nos casos de asma ou rinite, que podem causar problemas em pessoas acima de 65 anos.6

Desde o nascimento podem acontecer eventos sequenciais que provocam alergias respiratórias.6 Tais situações têm início com a sensibilização a poucos componentes alergênicos, que posteriormente se torna mais intensa e/ou é ativada por outros agentes alérgicos.6

Contudo, vale ressaltar que, para a maioria das pessoas, a sensibilização não costuma mudar com o passar do tempo, desenvolvendo-se inteiramente até a idade pré-escolar.6 O avanço das alergias também é incomum.6 A reação do corpo aos alérgenos está ligada ao surgimento dos sintomas que a doença apresenta.6

Quais são as diferenças nas alergias na infância e na idade adulta?

Uma preocupação entre quem é alérgico ou tem filhos com essa condição é sobre como ela pode se apresentar no futuro.

Os elementos responsáveis por causar sintomas mais fortes, como alimentos ou substâncias que respiramos, aparecem logo na infância.6 Já a IgE, uma proteína produzida por nosso organismo, é aumentada em casos de alergia.6

Além disso, pesquisas mostram que ter asma quando criança, problemas de respiração em idade mais jovem e a predisposição a patologias alérgicas, aumenta o risco de sofrer de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) na meia-idade.6

Para pessoas com asma, a reação alérgica pode piorar a qualidade de vida na velhice e está ligada a um maior risco de morte, especialmente quando não são diagnosticadas ou tratadas adequadamente.6

A primeira experiência profissional também pode influenciar nessa condição.6 Isso porque você se expõe a novos alérgenos, o que eleva as chances de desenvolvimento de doenças alérgicas respiratórias, como asma e rinite alérgica.6

Como a rinite está relacionada com outras condições alérgicas, como asma e dermatite atópica?

Pacientes com dermatite atópica, doença crônica caracterizada pela inflamação cutânea, frequentemente podem apresentar outras condições alérgicas, como asma e rinite alérgica, resultando no fenômeno chamado de marcha atópica.7

A comunidade científica sugere que a alergia na pele seria o primeiro passo para o desenvolvimento dessas outras patologias, principalmente quando ela ocorre nos primeiros anos de vida.7

Na marcha atópica, as alergias tendem a surgir uma após a outra, mas não se acumulam.7 Assim, quando uma aparece, a tendência é que a outra regrida.7 

Uma das explicações para a relação entre elas envolve mutações do filagrina, um gene específico da pele.8 Tais alterações seriam capazes de afetar a barreira cutânea e aumentar o risco das demais enfermidades alérgicas.8

Quais fatores influenciam o desenvolvimento e a evolução das alergias?

São vários os fatores que podem contribuir para que uma pessoa desenvolva quadros alérgicos, como asma e dermatite atópica.9 Sabe-se que as reações alérgicas têm uma forte base genética, o que significa que podem ser herdadas.9

Quando um dos pais tem alergia, há uma chance maior de seus filhos sofrerem com o mesmo sintoma e, muitas vezes, com sintomas graves.9 Para além da genética, o gênero também é uma questão relevante, já que é mais comum que meninos sejam mais alérgicos do que meninas, o que possivelmente está associado à maior sensibilidade masculina aos alérgenos — pele de gato e pólen, por exemplo.9

Ademais, fatores ambientais podem favorecer o desencadeamento do problema.9 A exposição à fumaça de cigarro e à poluição do ar, por exemplo, pode aumentar o risco de alergias, bem como piorar os seus sintomas.9

As infecções respiratórias, especialmente as virais, também podem colaborar para o surgimento da asma no público infantil.9 Sendo assim, tanto os elementos hereditários quanto os encontrados nos ambientes têm um impacto considerável na nossa saúde alérgica.9

Quais são os sintomas comuns de alergias em diferentes idades?

Atentar aos sintomas de rinite e alergias é imprescindível para saber identificá-las e buscar ajuda médica. O modo como essas manifestações ocorrem depende do tipo de condição apresentada e da parte do corpo que entrou em contato com o alérgeno.10

Quando o pólen presente no ar penetra no trato respiratório por meio do nariz, a pessoa pode ter consequências, como coceira, tosse, secreção nasal clara e fina, espirros, congestão e chiado no peito.10 Os olhos também podem ficar vermelhos, inchar, coçar e lacrimejar.10

Se o pulmão for afetado, pode haver ainda a falta de ar e aperto do peito.10 Nos quadros de alergia cutânea, os sinais podem incluir irritação, erupções, lesões, vermelhidão, bolhas, inchaços, secreções, coceiras e crostas.10

A combinação dos sintomas alérgicos é chamada de anafilaxia e pode ser fatal para os pacientes.10 Um dos indícios de sua ocorrência é o choque, no qual o corpo não recebe sangue suficiente devido à pressão arterial estar extremamente baixa, causando palidez, dificuldade para respirar ou respiração ruidosa.10

Como gerenciar alergias em diferentes fases da vida?

Alergias ao longo da vida: como surgem?

As doenças como asma e alergias podem impactar a sua qualidade de vida consideravelmente, uma vez que trazem limitações no dia a dia, afetam o sono e provocam dores. Também podem desencadear estresse, dificuldade de convívio social, ansiedade e depressão.11

Diante disso, é essencial gerenciar essas condições, o que requer um conjunto de práticas a serem aplicadas diariamente.12 Em primeiro lugar, é necessário evitar o contato com os agentes alérgicos.12 Fique de olho no clima da sua cidade, além de conferir o calendário de polens, que pode indicar a quantidade dessa substância na região.12

Tem alergia a ácaros? Então mantenha a sua casa sempre limpa e livre de elementos que possam acumular poeira, como tapetes e cortinas pesadas, e invista em capas de colchão à prova desse tipo de microorganismos.12

Quais são as opções de tratamento?

O controle das alergias e suas manifestações também requer um tratamento adequado, sendo a medicação uma das principais aliadas para combatê-las.12 Patologias como rinite alérgica costumam ser tratadas com anti-histamínicos e esteroides, por exemplo.12

Esses medicamentos estão disponíveis em diferentes formulações, como comprimidos, sprays nasais e injeções, o que facilita encontrar uma opção que se adapte melhor ao seu estilo de vida.12 Para as reações de pele, há loções e cremes esteroides que proporcionam alívio rápido e eficaz.12

Você também pode considerar a imunoterapia específica para alérgenos, que atua de maneira semelhante a das vacinas.12

Nessa alternativa, o indivíduo é exposto a pequenas quantidades da substância alergênica em intervalos regulares, por meio de comprimidos ou injeções.12 Leva pelo menos de três a cinco anos para a abordagem surtir efeito, mas a sua aplicação costuma apresentar resultados bastante satisfatórios, principalmente para pacientes alérgicos a ácaros e pólen.12

É importante deixar claro que, embora existam produtos a base de ervas ou homeopáticos que prometem tratar alergias, a sua eficiência não é comprovada cientificamente, assim como ocorre com a acupuntura.12

Quando buscar ajuda médica?

Ao manifestar sintomas característicos de reações alérgicas, é recomendado consultar-se com um médico para obter um diagnóstico adequado.12 Para tanto, são realizados, diferentes testes, nos quais o indivíduo é exposto aos alérgenos em ambiente controlado.12

Dependendo do caso, será preciso fazer um exame de sangue para detectar a presença de anticorpos contra determinados agentes alérgicos.12 Todos esses procedimentos são feitos por médicos especialistas, como alergologistas, dermatologistas, pneumologistas, pediatras e otorrinolaringologistas.12

As patologias alérgicas surgem no início da vida e podem permanecer ao longo dela, da infância à terceira idade.6 As hipersensibilidades que envolvem vias aéreas e pulmonares podem iniciar com sintomas fracos que se intensificam ao decorrer dos anos.6 Porém, em muitos pacientes, essa sensibilização não acontece.6

Existe uma relação entre alergias e doenças respiratórias, na qual a dermatite atópica surge como um fator que pode levar ao desenvolvimento ou agravamento de problemas como asma e rinite.7

Não é possível prevenir o desenvolvimento de uma alergia, mas ao adotar medidas que impedem o contato com os seus causadores e seguir o tratamento indicado por seu médico você pode reduzir os impactos do problema no seu cotidiano, mantendo seu bem-estar e qualidade de vida.12

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Referências

1. Ministério da Saúde. Alergia: saiba como se cuidar e tratamentos oferecidos pelo SUS. [Internet]. Disponível em:<https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2024/julho/alergia-saiba-como-se-cuidar-e-os-tratamentos-oferecidos-pelo-sus#:~:text=As%20alergias%20ocorrem%20quando%20os,qu%C3%ADmica%20que%20causa%20os%20sintomas>. Acesso em 09 set. 2024.

2. Haarala AK, Sinikumpu S, Vaaramo E, Jokelainen J, et al. Incidence and remission of aeroallergen sensitization in adults in Northern Finland: 15 years longitudinal study. Sci Rep. 2021;11:4249.

3. Associação Brasileira de Alergia e Imunologia. Saiba como acontecem e conheça as mais comuns. [Internet]. Disponível em: https://asbai.org.br/o-que-sao-as-alergias/. Acesso em 09 set. 2024.

4. Avena-Woods C. Overview of atopic dermatitis. Am J Manag Care. 2017 Jun;23(8 Suppl) :S115-S123. 

5. Tenero L, Vaia R, Ferrante G, Maulle M, et al. Diagnosis and Management of Allergic Rhinits in Asthmatic Children. J Asthma Allergy. 2023;16:45-57. 

6. Calderon MA, Demoly P, Casale T, Akdis CA, et al. Allergy immunotherapy across the life cycle to promote active and healthy ageing: from research to policies. Clin Transl Allergy. 2016;6:41. 

7. Távora E, Cunha M, Leite M, Borges B, et al. Evidências da relação entre a dermatite atópica e o desenvolvimento da marcha atópica: revisão integrativa. Braz J Health Rev. 2019;2(4):3613–3633.

8. Arruda LK. A vida com alergia: da criança ao idoso. Rev Assoc Bras Alerg Imunol. 2015 Jul-Aug;3(4). 

9. Aldakheel FM. Allergic diseases: a comprehensive review on risk factors, immunological mechanisms, link with Covid-19, potential treatments and role of allergen bioinformatics. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(22):12105. 

10. Elshemy A, Abobakr M. Allergic reaction: symptoms, diagnosis, treatment and management. J Sci Innov Res. 2013;2(1):1-22. ISSN: 2230-4818. 

11. American College of Allergy, Asthma, & Immunology. Social and emotional impacts of allergic disease. [Internet]. Disponível em: https://acaai.org/resource/social-and-emotional-impacts-of-allergic-disease/. Acesso em 09 set. 2024.

12. Institute for Quality and Efficiency in Health Care. Allergies: Overview [Internet]. Nih.gov. Institute for Quality and Efficiency in Health Care (IQWiG); 2017. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK447112/. Acesso em 09 set. 2024.

Artigo elaborado em 09 de setembro de 2024