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Existe alergia a ar-condicionado? Descubra!

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Vivemos em um país tropical, que tende a ter um clima mais quente durante o ano todo na maior parte dos estados.¹ Inclusive, em localidades nas quais a temperatura vai às alturas, há dias em que é preciso recorrer a equipamentos além do ventilador. Nesses períodos mais quentes, o ar-condicionado “rouba” o protagonismo.¹

No entanto, para muitas pessoas, o que impede de utilizar o equipamento é a dúvida: “existe alergia a ar-condicionado?”. Há quem diga que sim; há quem jure que não. Por isso, preparamos este post para explicar melhor a questão. Continue a leitura!

O ar-condicionado causa alergia?

Os sistemas dos aparelhos contêm filtros desenhados para reter boa parte das partículas, como poeira, pólen, mofo e outros alérgenos presentes no ar — e que assim o fazem quando higienizados regularmente.3

Na realidade, o cenário tende a ser o oposto: a utilização do ar-condicionado (e do desumidificador) é uma das medidas de prevenção a eventuais alergias. O objetivo é diminuir a alta umidade interna, que acaba estimulando a reprodução desenfreada de fungos.²

Inclusive, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que uma parcela expressiva dos poluentes biológicos e químicos que causam a chamada SBS (ou Síndrome do Edifício Doente) pode ser encontrada em materiais bastante comuns dentro dos ambientes — desde mobiliários a materiais de construção e tintas.4

Portanto, em circunstâncias assim, a ventilação do local na verdade é uma ótima pedida para proporcionar condições mais aceitáveis de ar em áreas internas.4 Ou seja, as alergias causadas pelo ar-condicionado, por si sós, não precisam ser uma preocupação.

Teoricamente, os filtros retêm essas substâncias nocivas, reduzindo sua concentração nos espaços internos. Além disso, ao resfriar ou aquecer o ar, o ar-condicionado diminui a umidade, dificultando a proliferação de ácaros e fungos — agentes comuns de alergias.3 Mas naturalmente, por liberar um ar seco e frio, ele tende a favorecer o agravamento de determinados problemas de saúde se não houver alguns cuidados.¹

Obviamente, a situação pode piorar se a manutenção e a limpeza do equipamento não estiverem em dia.¹ Por sua vez, vale destacar que só o uso de filtros para o ar-condicionado não é considerado o suficiente para assegurar um meio realmente livre de poluentes e de agentes de contaminação.4

Nesse sentido, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Governo do Estado do Espírito Santo destaca:

O ar seco resseca a mucosa das vias respiratórias, que perdem a sua função de filtrar, aquecer e umidificar o ar que respiramos, facilitando a entrada de bactérias e vírus. Quando o aparelho é malcuidado, os riscos são maiores porque a sujeira que se acumula nele contém micro-organismos nocivos à saúde”

Diante disso, existem práticas essenciais para garantir a qualidade do ar. Elas incluem um planejamento adequado, bons equipamentos, a manutenção e a análise do ar, bem como um rigoroso Plano de Manutenção, Operação e Controle (PMOC).4

Além disso, tão importante quanto manter os filtros do ar-condicionado limpos é substituí-los regularmente.1 Acredite: a medida vai garantir uma eficácia superior na retenção de eventuais alérgenos.

Por que algumas pessoas acham que ar-condicionado causa alergias?

Existe alergia a ar-condicionado? Descubra!

Espirros, tosse, coriza, expansão das vias aéreas, aumento da secreção nasal, coceira no nariz e/ou na garganta.1 Algumas pessoas associam esses e outros sintomas de alergias respiratórias ao uso do ar-condicionado nos períodos de temperatura mais alta. Em algumas situações, o equipamento realmente pode contribuir para esses quadros. Um exemplo é se os filtros não forem mantidos bem higienizados; outro é se houver acúmulo de umidade. Afinal, nesse caso, cria-se um ambiente propício para o crescimento de mofo,4

De fato, o ar-condicionado é apontado como desencadeador de crises alérgicas em pacientes que convivem com a condição, por vezes, perene. Como o equipamento funciona a partir do resfriamento e do ressecamento do espaço onde está instalado, pode haver a irritação das mucosas, provocando os sintomas mencionados.3 Normalmente, isso é resultado da mudança brusca de temperatura.3

Por outro lado, o ar mais seco do ambiente minimiza bastante a viabilidade de crescimento de fungos e ácaros. Consequentemente, a carga alergênica é reduzida.1,3

Ou seja, sem uma limpeza regular dos aparelhos, esses componentes podem se tornar propícios para o crescimento de micro-organismos que causam alergias, liberando os alérgenos de volta ao ambiente interno. Além disso, como o ar-condicionado pode ressecar muito o ar do local, é possível que haja uma irritação das vias respiratórias e o agravamento de problemas respiratórios, como rinite e sinusite.5

Algumas pessoas também são sensíveis ao ar frio soprado pelo ar-condicionado, o que pode causar desconforto respiratório.5 Esses elementos contribuem para a percepção de que o ar-condicionado desencadeia ou piora as alergias em alguns indivíduos.

O que costuma estar por trás de alergias respiratórias?

As alergias respiratórias são reconhecidas como multifatoriais. Ou seja, são desencadeadas pela combinação de fatores genéticos e pela exposição a elementos ambientais.3 Geralmente, as reações são causadas por mediadores químicos que podem estar associados ou não ao sistema imunológico e que interagem entre si durante um episódio alérgico.6

Na prática, quando essas substâncias entram no sistema respiratório de pessoas sensíveis, o sistema imunológico reage de maneira exagerada, liberando substâncias químicas que causam os sintomas já vistos.6

Como o ar-condicionado pode agravar alergias preexistentes?

Embora não exista uma alergia a ar-condicionado, como dito, o equipamento pode agravar alergias preexistentes de diversas formas.5,6 Inicialmente, se os filtros não forem higienizados com frequência, podem acumular alérgenos como poeira, ácaros, pólen e bolor.3,4

Quando o ar-condicionado é utilizado, e a limpeza do filtro não está em dia, esses alérgenos podem ser dispersos no ambiente interno, provocando reações alérgicas em indivíduos suscetíveis.3,5,6

Além disso, como explicamos, o ar-condicionado tende a reduzir a umidade do ar, especialmente em ambientes fechados. O resultado envolve o ressecamento das mucosas nasais e a irritação das vias respiratórias, tornando-as mais suscetíveis a alergias e a infecções respiratórias.1,5,6

Portanto, concluímos que é essencial manter o ar-condicionado limpo e com as manutenções em dia. Outro cuidado primordial é controlar a umidade do ambiente para minimizar o potencial de agravamento de alergias preexistentes.3,6

Quais os cuidados para evitar alergias com o uso do ar-condicionado?

Para evitar o agravamento de alergias pelo uso do ar-condicionado, é fundamental adotar alguns cuidados. Em primeiro lugar, é importante limpar ou trocar regularmente os filtros para remover poeira, pólen, ácaros e outros alérgenos acumulados.3,4 A medida ajuda a garantir que o ar filtrado seja mais limpo e seguro para respirar.

Dicas gerais para quem tem alergias

  • Mantenha sua casa higienizada, especialmente os locais onde há mais acúmulo de poeira, como tapetes, cortinas e estofados.1
  • Controle a umidade, já que ambientes muito úmidos favorecem o crescimento de mofo e ácaros. Se necessário, recorra a um desumidificador para mantê-la em níveis adequados.1
  • Evite alérgenos, sobretudo aqueles específicos que desencadeiam suas reações alérgicas, como pólen, pelos de animais de estimação e ácaros.3

Como visto, não existe alergia a ar-condicionado. Porém, cuidados como manter filtros limpos, controlar a umidade e evitar ambientes muito frios são essenciais para minimizar o risco de agravar condições preexistentes. Também vale ressaltar que o uso correto do equipamento não causa alergias, mas sua manutenção inadequada pode, sim, piorá-las!

A leitura foi esclarecedora? Então, aproveite para acessar nosso blog A Vida Plena e ter acesso a outros posts interessantes como este!

Referências:

1. Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (SESA). Cuidados no uso do ar-condicionado evitam surgimento de doenças. 2015. [Internet]. Disponível em: https://saude.es.gov.br/cuidados-no-uso-do-ar-condicionado-evitam-sur. Acesso em: 30 mar. 2024.

2. MANUAL MSD. Versão Saúde para a Família. Alergias durante o ano todo. 2022. [Internet]. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/casa/doen%C3%A7as-imunol%C3%B3gicas/rea%C3%A7%C3%B5es-al%C3%A9rgicas-e-outras-doen%C3%A7as-relacionadas-%C3%A0-hipersensibilidade/alergias-durante-o-ano-todo. Acesso em: 30 mar. de 2024.

3. Rubini NPM, Wandalsen gf, Rizzo MCV, Aun MV, Neto HJC, Solé D. Guia prático sobre controle ambiental para pacientes com rinite alérgica. Arq Asma Alerg Imunol. 2017;1(1):7-22.

4. Ciências da Saúde: Pluralidade dos aspectos que interferem na saúde humana. p. 155. Atena Editora. 2021. [Internet]. Disponível em: https://www.atenaeditora.com.br/catalogo/download-file/4567. Acesso em: 30 mar. de 2024

5. Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Ar-condicionado sem manutenção pode se tornar problema para a saúde. 2020. [Internet]. Disponível em: https://www.saude.df.gov.br/web/guest/w/ar-condicionado-sem-manutencao-pode-se-tornar-problema-para-a-saude. Acesso em: 30 mar. de 2024.

6. Galvão CES, Castro FFM. As alergias respiratórias. Rev. Med. (São Paulo). 2005 jan.-mar.;84(1):18-24.

Elaborado em maio 2024

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.