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Bebê e protetor solar: é necessário? Tire as suas dúvidas!

Entre tantas preocupações que os pais costumam ter ao cuidar de seus filhos, uma questão que sempre aparece e costuma gerar dúvidas é sobre a real necessidade de um bebê utilizar protetor solar. Embora haja receio dos males causados pela exposição ao sol, muitos deles se preocupam com a sensibilidade da pele dos pequenos e não têm certeza sobre a segurança do uso desse tipo de produto desde cedo.1

De fato, a pele dos bebês, especialmente a dos recém-nascidos (RNs), está se ajustando ao novo ambiente fora do útero, e isso requer cuidados específicos. 1 Ela é sensível, fina e frágil, o que a torna mais vulnerável à ação de determinadas substâncias que podem ser prejudiciais.1

Será que o filtro solar faz mal para a pele infantil? A resposta é não, mas ele deve ser usado a partir de 6 meses de idade.2 Neste post, vamos abordar o que você precisa saber para manter seu filho protegido dos raios solares. Confira!

A importância da proteção solar para bebês

Tomar sol regularmente pode ser positivo para o tratamento de uma série de doenças, além de ajudar o corpo a sintetizar vitamina D, que beneficia a nossa saúde óssea.3 No entanto, se expor excessivamente pode causar diversos problemas, que vão desde queimaduras solares, envelhecimento precoce da pele até câncer cutâneo.3

No Brasil, acredita-se que são diagnosticados mais de 100 mil novos casos de câncer de pele a cada ano.3 Vale ressaltar que a exposição ao sol ocorre com maior frequência e intensidade durante a infância e adolescência, uma vez que esses dois públicos realizam mais atividades ao ar livre.3

Normalmente, as crianças passam três vezes mais tempo em locais abertos do que adultos, e os adolescentes tendem a se bronzear sem pensar muito nos riscos.3 Por isso, cuidar da pele desde os primeiros anos de vida é fundamental.3

Pele sensível e riscos da exposição solar

A pele dos recém-nascidos passa por um processo de adaptação ao ambiente fora do útero.1 Mais fina, ela é considerada sensível e frágil, especialmente em bebês prematuros, cuja pele é ainda mais delicada.1

Dessa maneira, a barreira de proteção natural da pele dos pequenos é menos eficaz, levando a uma maior perda de água e tornando-a mais suscetível a traumas e à absorção de substâncias químicas, o que pode aumentar o risco de infecções e toxicidade.1

Os lipídios, que são substâncias gordurosas naturalmente presentes na nossa pele, ajudam a protegê-la, retendo a umidade e evitando que agentes externos a prejudiquem.1 No entanto, a pele dos RNs têm menos lipídios porque as glândulas sebáceas, que atuam na produção dessas gorduras, ainda não estão totalmente desenvolvidas, condição que a deixa menos protegida e mais vulnerável ao ressecamento e irritações.1  

Além disso, o pH, que mantém o equilíbrio da pele, a protegendo contra bactérias e preservando sua hidratação, é mais neutro nos bebês, diferente do pH ácido da pele adulta, o que dificulta a proteção contra micro-organismos.1 Esse aspecto, somado à barreira cutânea ainda imatura, eleva a propensão a infecções e perda de líquidos.1

A exposição solar repetida nos primeiros anos de vida pode causar o envelhecimento precoce da pele e ampliar as chances de desenvolvimento de câncer cutâneo no futuro.4 Queimaduras solares durante a infância estão associadas a um risco maior de melanoma, um tipo de câncer que começa nas células que produzem a cor da pele.4

Cerca de 50% a 80% dos danos causados pelos raios solares acontecem quando somos crianças ou adolescentes.4 Sendo assim, se expor menos ao sol nessa faixa etária e adotar boas práticas de proteção pode reduzir consideravelmente o câncer de pele em adultos.4

Quando começar a usar protetor solar em bebês?

Bebê e protetor solar: é necessário? Tire as suas dúvidas!

A produção adequada de vitamina D também é importante para o metabolismo do cálcio e do fósforo, bem como para o funcionamento de várias células do corpo humano.5 A sua deficiência no organismo das crianças pode provocar problemas de crescimento e raquitismo, patologia que afeta o desenvolvimento dos ossos.5

No entanto, a exposição solar requer cuidados com a pele do bebê.3 Durante os primeiros 6 meses de vida não é recomendado o uso de protetor solar, pois a pele infantil pode absorver as substâncias do produto de forma diferente, já que o seu corpo ainda não está pronto para processá-las e eliminá-las.3  Além disso, até o sexto mês de vida, os bebês não devem ser expostos ao sol.2,3

Caso seja necessário sair ao sol nessa idade, é preciso protegê-la com o uso de roupas anti-UV, bonés e chapéus.3 Ademais, esse processo deve ser feito antes das 10 horas da manhã e após as 16 horas da tarde, quando a intensidade dos raios solares é menor.6

Idade recomendada e produtos específicos

O filtro solar pode ser usado para bebês a partir de 6 meses de idade. 2,.3 O produto deve ser aplicado diariamente se eles forem expostos ao sol, a fim de garantir a proteção adequada.2.3

O ideal é usar um protetor solar infantil, além de roupas com proteção UVA, bonés e chapeús.3 Aplique-o pelo menos 15 minutos antes de tomar sol, reaplicando-o a cada 2 horas após o contato com a água.2

A quantidade de produto utilizada também é um fator crucial para assegurar a proteção da pele do seu filho.2 Para não errar, use a regra da colher de chá, que equivale a dois dedos.2

Pode-se aplicar ½ colher de chá para a cabeça/rosto/pescoço, ½ para cada braço/antebraço/, e 1 colher de chá para cada coxa/perna.8

Como escolher um protetor solar adequado para bebês

Escolher o protetor solar para bebês pode parecer um desafio. Os pais sempre querem o melhor para seus filhos, mas com tantas opções disponíveis no mercado, pode ser difícil encontrar a proteção apropriada para o pequeno.

Antes de qualquer coisa, deve-se entender que esse produto pode causar irritação na pele ou reações alérgicas, tanto ao ingrediente ativo quanto à base da sua fórmula.7 Diante disso, é imprescindível optar por um protetor solar seguro para bebês.7 Para saber se ele pode ou não ser usado em crianças menores, você deve se atentar à formulação descrita na embalagem, conforme veremos a seguir.7

Ingredientes seguros e formulações recomendadas

Há dois tipos de protetores solares: os químicos e os físicos.3 Os químicos funcionam como escudos para a pele, absorvendo os raios solares que podem afetá-la.3 Para serem eficazes, eles precisam captar radiações de comprimento de onda entre  290 nm e 400 nm.3

Alguns se concentram mais na proteção contra os raios UVA, que penetram profundamente na pele e a envelhecem, enquanto outros combatem os raios UVB, que causam as temidas queimaduras solares.3 Eles são ofertados em várias formas, como loções, cremes e géis.3

Por outro lado, os protetores solares físicos criam uma barreira na pele que reflete os raios solares e também os absorvem quimicamente, impedindo que a afetem.3 Os principais componentes da sua fórmula são o dióxido de titânio e o óxido de zinco.3 Portanto, esta opção, sem fragrância, é a mais recomendada para bebês de 6 meses a 2 anos.3

É importante destacar que as formulações com álcool ou em géis podem irritar a pele, causando ardência, além de ter sua eficácia reduzida devido à menor aderência, logo devem ser evitadas para o público infantil.3

No que se refere ao Fator de Proteção Solar (FPS), são indicados filtros com FPS 30.2 No entanto, pessoas de pele clara devem usar filtros com FPS acima de 50.2

No que se refere ao Fator de Proteção Solar (FPS), os pediatras indicam filtros com FPS 15 a 20, que proporcionam uma proteção satisfatória, com menor risco de sensibilização.3

Prevenção de insolações em bebês e crianças

Em dias de altas temperaturas, especialmente no verão, é comum que os pais aproveitem para passear mais com os seus bebês ao ar livre. Neste período, é necessário redobrar os cuidados com as crianças para evitar não só as queimaduras de pele, mas também a insolação, que pode causar desidratação, tonturas e até desmaios.3 Veja, abaixo, como proteger o bebê do sol.

Evite o sol em horários de pico

Se você adora sair para passear com seu filho, tente mantê-lo longe da exposição solar entre as 10h e 15h, quando a maior parte da radiação UVB atinge a Terra.3 Prefira sair antes das 10h e depois das 16h.5 Esse simples cuidado diminui consideravelmente os riscos de problemas na pele, tanto imediatos quanto a longo prazo.3

Lembre que os raios solares também estão presentes em dias nublados e no inverno, sendo indispensável continuar protegendo seu filho.3 A preocupação deve permanecer em viagens para a praia ou locais com neve, já que a água, areia e neve refletem de 40% a 85% dos raios que prejudicam a pele.3

Mantenha o bebê hidratado

Cuide da hidratação da criança, oferecendo a ela líquidos à vontade, como água, sucos naturais, e água de coco.3 Evite os refrigerantes ou isotônicos.3

A pele infantil tem uma camada natural que ajuda a manter a hidratação, mas em pessoas com dermatite atópica, essa proteção é mais fraca, o que pode causar ressecamento e coceira.3

Nessas situações, recomenda-se usar hidratantes prescritos pelo pediatra logo após o banho, quando a pele ainda está levemente úmida, a fim de evitar a perda de água, reduzir o desconforto e prevenir infecções e inflamações.3 Depois da exposição solar, os médicos também indicam a hidratação da pele para todos os pequenos.3

Use roupas adequadas

A proteção solar para bebês também se estende ao uso de roupas apropriadas, fabricadas com tecnologia que bloqueia os raios ultravioletas.3 E, claro, mantendo-os na sombra debaixo de um guarda-sol e usando chapéus ou bonés.3

Consultando o pediatra

Para manter seu filho totalmente seguro durante a exposição solar, é essencial consultar um pediatra para obter orientações adequadas.3 Assim, você pode tomar as melhores medidas para a saúde da pele e introduzir o filtro solar na sua rotina de cuidados.3

Ademais, os pais também devem se atentar a sinais de problemas comuns após a exposição excessiva ao sol, como vermelhidão ou queimaduras na pele, vômitos, febre, mal-estar ou diarreia, buscando a ajuda deste profissional para tratá-los corretamente.3

Sensível, a pele das crianças exige atenção especial no dia a dia.1 Com o uso do protetor solar bebê especifico desde os seis meses de vida, combinado à escolha de roupas anti-UV e horários de exposição controlados, é possível garantir uma proteção eficiente contra os raios nocivos do sol, permitindo que os pequenos brinquem e se desenvolvam tranquilamente ao ar livre, sem afetar a sua saúde futuramente.3

Quer continuar cuidando da saúde da sua família? Leia mais conteúdos no A Vida Plena e acompanhe dicas valiosas para o seu bem-estar e daqueles que você ama!

Referências

1. Fernandes JD, Machado MCR, Oliveira ZNPD. Prevenção e cuidados com a pele da criança e do recém-nascido. Anais Brasileiros de Dermatologia. 2011, 86(1):102-110.

2. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Guia de fotoproteção da SBD – Sob o sol com saúde e bem-estar [2022]. Disponível em: https://www.sbd.org.br/publicacoes/fotoprotecao/. Acesso em: 27 set. 2024.

3. Sociedade de Pediatria de São Paulo. Fotoproteção na infância [2017]. Disponível em: https://www.spsp.org.br/site/asp/boletins/AT6.pdf. Acesso em: 27 set. 2024.

4. Salvado M, Fraga A, Marques DL, Pires IM, Gonçalves CC, Silva NM. Sun Exposure in Pediatric Age: Perspective of Caregivers. Children (Basel). 2021 Nov 6;8(11):1019. 

5. Castilho SD, Rached CR. Hábitos de exposição de lactentes ao sol. Rev. Ciênc. Méd. 2010; 19(supl. 1)(6): 43-52.

6. Sociedade Brasileira de Pediatria. Fotoproteção na criança [2018]. Disponível em: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/cuidados-com-a-saude/fotoprotecao-na-crianca/. Acesso em: 27 set. 2024. 

7. Meurer LN, Jamieson B, Thurman C. Clinical inquiries. What is the appropriate use of sunscreen for infants and children? J Fam Pract. 2006 May;55(5):437, 440, 444.

8. Sociedade Brasileira de Pediatria. Sol na medida certa [2024]. Disponível em:https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/20243c-Sol_na_medida_certa.pdf. Acesso em: 27 set. 2024.

Artigo elaborado em 27 de setembro de 2024.