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Tabagismo passivo: quais os riscos e como evitar esse mal?

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O tabagismo é um problema global, que atinge pessoas de várias faixas etárias, classes sociais e gêneros em todo o mundo. As substâncias presentes no cigarro são reconhecidamente prejudiciais para a saúde de quem fuma.1

Mas você sabia que o tabagismo passivo também pode ser um problema? Isso mesmo, até mesmo os não-fumantes estão suscetíveis aos malefícios desses compostos.1,2

Continue a leitura para entender mais sobre o assunto e descobrir como é possível prevenir esse tipo de situação!

O que é tabagismo passivo?

Tabagismo passivo é o nome dado ao ato de inalar a fumaça e as substâncias provenientes de cigarros e outros dispositivos (como cigarros eletrônicos) do ambiente.1,2

Em outras palavras, é o que acontece quando uma pessoa fuma em um espaço e as demais, mesmo que não estejam fumando, acabam inalando os compostos e podem ter prejuízos em sua própria saúde.1,2 A estes, é dado o nome de fumante passivo.

Qual é a diferença entre tabagismo passivo e ativo?

O tabagismo ativo ocorre quando alguém fuma os próprios cigarros. Já no caso do passivo, como vimos, o indivíduo inala as substâncias provenientes do cigarro de outra pessoa.1,2

Quais são os riscos do tabagismo passivo?

Agora, vamos conferir os principais riscos que o tabagismo passivo pode trazer para a saúde. Entenda mais a seguir!

Doenças cardíacas e derrame

Um dos principais riscos do fumante passivo é o desenvolvimento de doenças coronárias e Acidentes Vasculares Cerebrais (AVC), aumentando o risco de morte prematura em adultos que não fumam. O risco de desenvolver doenças cardíacas pode ser incrementado em até 25-30%, e o risco de derrame em 20-30%.3

Câncer de pulmão

Adultos não fumantes expostos à fumaça do tabaco de forma passiva têm um risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão em até 20-30%. Isso ocorre devido à inalação de substâncias cancerígenas presentes na fumaça.3

Problemas de saúde reprodutiva em gestantes

Mulheres grávidas expostas que sejam fumantes passivas têm maior probabilidade de dar à luz bebês com baixo peso ao nascer, aumentando o risco de complicações de saúde.3

Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI)

A exposição passiva à fumaça do tabaco está associada a um maior risco de SMSI em bebês. A fumaça pode afetar o funcionamento do cérebro dos bebês, interferindo na regulação da respiração.3

Asma e infecções respiratórias em crianças

Crianças expostas passivamente à fumaça do tabaco têm maior probabilidade de desenvolver asma, infecções respiratórias agudas, como pneumonia e bronquite, e problemas de ouvido médio. Elas também têm sintomas respiratórios mais frequentes e graves, como tosse, chiado e falta de ar.3

Problemas bucais

Por incrível que pareça, pode haver sintomas para o fumante passivo na saúde bucal. O mecanismo funciona a partir da diminuição da produção de saliva, devido à concentração no sangue de certos compostos. Assim, os pacientes ficam mais suscetíveis a desenvolver problemas como as cáries.4

Por que o tabagismo passivo é perigoso?

Tabagismo passivo: quais os riscos e como evitar esse mal?

O tabagismo passivo é perigoso devido à presença de uma grande quantidade de substâncias químicas prejudiciais encontradas na fumaça do tabaco comercial. Essa fumaça contém mais de 7.000 produtos químicos, incluindo centenas que são tóxicos e cerca de 70 que podem causar câncer.5

Alguns dos produtos químicos e toxinas presentes na fumaça do tabaco comercial incluem o benzeno, tolueno, butano, cádmio, amônia e cianeto de hidrogênio. Essas substâncias são encontradas em produtos como gasolina, removedores de tinta, fluido de isqueiro, baterias, produtos de limpeza doméstica e armas químicas.5

Quais são os grupos de maior risco quando expostos ao tabagismo passivo?

O tabagismo passivo representa um risco especialmente elevado para os seguintes grupos:

  • bebês não nascidos: a exposição ao tabagismo passivo durante a gravidez pode causar uma série de complicações para o feto, incluindo baixo peso ao nascer e aumento do risco de Síndrome da Morte Súbita Infantil (SMSI);1,3
  • crianças e jovens: as crianças e os jovens são particularmente vulneráveis aos efeitos nocivos do tabagismo passivo em razão do seu desenvolvimento físico e imunológico em curso. A exposição passiva à fumaça do tabaco pode aumentar o risco de desenvolver infecções respiratórias agudas, asma mais grave e, frequente, problemas no ouvido médio e outros;1,3
  • pessoas com problemas respiratórios: indivíduos que já têm problemas respiratórios, incluindo asma, bronquite crônica e outros, estão em maior risco de complicações adicionais quando expostos ao tabagismo passivo.2

Quais são os dados sobre tabagismo passivo?

Agora, que tal conferir algumas estatísticas? Elas ajudam na compreensão da dimensão do problema. Veja a seguir:

  • conforme mencionado, o tabagismo passivo aumenta o risco de câncer de pulmão em crianças expostas em até 30%;1
  • entre 2015 e 2018, quase 21% dos adultos não-fumantes norte-americanos foram expostos ao tabagismo passivo;6
  • no Brasil, segundo pesquisa realizada em 2019, essa proporção é de, em média, 8% nos ambientes domésticos e de trabalho;7
  • os jovens adultos (entre 18 e 39 anos) são os mais afetados pelo tabagismo passivo, com exposição de 25,6%;6
  • os idosos são o grupo menos exposto, com cerca de 17% das pessoas convivendo como fumantes passivas;6
  • houve uma diminuição na exposição ao fumo passivo entre os anos de 2009 e 2018;6
  • anualmente, cerca de 65 mil crianças morrem por complicações associadas ao fumo passivo;8
  • no mundo, cerca de 1,3 milhões de pessoas perdem a vida todos os anos pelo mesmo problema.9

Há uma quantidade segura para o tabagismo passivo?

Não. O tabagismo passivo é perigoso em qualquer frequência e intensidade.3 Por isso, o melhor a ser feito é evitá-lo.5

É importante ressaltar que isso vale tanto para as pessoas que são fumantes passivas, quanto para as ativas. Ou seja: se você fuma, tenha a consciência de evitar o ato próximo às outras pessoas. Caso não seja fumante, o ideal é manter um afastamento quando outros estiverem fumando.10

Como evitar o tabagismo passivo?

Para evitar o tabagismo passivo, é crucial implementar medidas que eliminem a exposição ao fumo. Isso pode ser alcançado por meio de leis e políticas abrangentes que proíbam o fumo em espaços fechados, garantindo que todos tenham a oportunidade de respirar ar livre de fumo e desfrutar de um ambiente saudável.5

Além disso, é importante incluir os cigarros eletrônicos nessas políticas, uma vez que o aerossol que eles emitem também pode conter substâncias prejudiciais.5

Por fim, a consciência pessoal é de extrema importância. Então, ter em mente que o fumo pode causar prejuízos para outras pessoas é um ato indispensável de cidadania.5 Faça a sua parte!

Como podemos perceber, o tabagismo passivo é um problema silencioso, mas potencialmente fatal. Por isso, além de se conscientizar, leve essas informações para outras pessoas!

Além disso, aproveite para conferir outras postagens do blog Vida Plena! Nosso objetivo é levar qualidade de vida e informação para o seu dia a dia. Esperamos que goste dos conteúdos!

Conteúdo elaborado em 17 fev. 2024.

Referências:

1. Cao, S. et al. The Health Effects of Passive Smoking: An Overview of Systematic Reviews Based on Observational Epidemiological Evidence. PLOS ONE, v. 10, n. 10, p. e0139907, 6 out. 2015. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4595077/> Acesso em: 17 fev. 2024.

2. About passive smoking. Australian Government, Department of Health and Aged Care. Disponível em: <https://www.health.gov.au/topics/smoking-vaping-and-tobacco/about-smoking/passive-smoking>. Acesso em: 17 fev. 2024.

3. Health Problems Caused by Secondhand Smoke. CDC. Disponível em: <https://www.cdc.gov/tobacco/secondhand-smoke/health.html>. Acesso em: 17 fev. 2024.

4. Moravej-Salehi, E., Moravej-Salehi, E., & Hajifattahi, F. (2015). Passive smoking: Oral and dental effects. Iranian journal of public health, 44(4), 600. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4441979/>. Acesso em: 17 fev. 2024.

5. General Information About Secondhand Smoke. CDC. Disponível em: <https://www.cdc.gov/tobacco/secondhand-smoke/about.html>. Acesso em: 17 fev. 2024.

6. Data Briefs. CDC. Disponível em: <https://www.cdc.gov/nchs/products/databriefs/db396.htm>. Acesso em: 17 fev. 2024.

7. Prevalência do tabagismo. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Disponível em: <https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/observatorio-da-politica-nacional-de-controle-do-tabaco/dados-e-numeros-do-tabagismo/prevalencia-do-tabagismo>. Acesso em: 17 fev. 2024.

8. Tabaco. Organização Pan Americana de Saúde (OPAS). Disponível em: <https://www.paho.org/pt/topicos/tabaco>. Acesso em: 17 fev. 2024.

9. Proteger as pessoas da fumaça do tabaco: publicado relatório da OMS sobre a epidemia global de tabagismo, 2023 | Biblioteca Virtual em Saúde MS. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/proteger-as-pessoas-da-fumaca-do-tabaco-publicado-relatorio-da-oms-sobre-a-epidemia-global-do-tabagismo-2023/>. Acesso em: 17 fev. 2024.

10. Tabagismo passivo. Instituto Nacional do Câncer (INCA). Disponível em: <https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/causas-e-prevencao-do-cancer/tabagismo/tabagismo-passivo>. Acesso em: 17 fev. 2024.