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Publicado em: 23 de setembro de 2024
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Você sente que situações de desgaste emocional pioram a sua condição da pele? O estresse e dermatite atópica (DA) estão diretamente ligados, podendo tornar os seus sintomas mais desconfortáveis no dia a dia.1 Entender a relação entre esses dois fatores é fundamental para adotar formas mais eficientes de evitar o sofrimento para a sua mente e pele.1
A DA é uma doença bastante comum no Brasil, atingindo principalmente o público infantil.2 As lesões causadas por ela também podem ser estressantes para o paciente e, inclusive, afetar a sua autoestima e interação social.2 Quer saber mais sobre o assunto? Neste post, vamos explicar como o seu estado emocional influencia na saúde da sua pele. Confira!
A dermatite atópica, ou eczema atópico, é definida cientificamente como uma doença de pele crônica e recidivante, o que significa que aparece e some diversas vezes.3 Trata-se de uma condição com alta prevalência, uma vez que atinge até 20% das crianças e de 2 a 8% dos adultos no mundo.3
Geralmente, ela é a detectada na infância e melhora de forma estável em cerca de 4 a 5 anos.3 No entanto, em muitos casos, ela também continua na vida adulta.3
Uma das principais características da enfermidade é o ressecamento da pele com coceira contínua, causando lesões na área afetada.1 Ela pode apresentar fases de melhora e recaídas, com intervalos de anos, meses ou semanas entre suas crises.1
Os ferimentos cutâneos podem facilitar o contato das feridas com agentes externos, como bactérias, vírus e fungos, agravando o problema.1 O quadro clínico da DA é classificada em três estágios:1
O aspecto das lesões na pele pode variar de acordo com a gravidade e tempo da doença.1 Sendo assim, em casos recentes elas podem aparecer como vermelhidões com ferimentos e posteriormente dar origem a áreas com pele mais grossa.1
Causada por fatores genéticos, a dermatite atópica afeta com maior frequência as dobras do corpo, como pescoço, parte anterior dos cotovelos, e porção posterior dos joelhos.1 Em crianças, ela também é recorrente na região facial.1
Hábitos e situações as quais a pessoa se expõe no seu cotidiano podem contribuir para a piora da DA.1 Entre elas estão variações repentinas de temperatura, sudorese excessiva provocada por ambiente quente e roupas pesadas, e a baixa umidade do ar, que deixa a pele mais ressecada.1
O uso frequente de tecidos sintéticos, ásperos ou roupas de lã, o excesso de sabonete e buchas na hora do banho, e episódios de estresse também aumentam a coceira.1
A relação entre estresse e pele é bastante estreita, principalmente quando falamos de DA.3 A pressão e desgastes pelos quais o ser humano passa no dia a dia são associados a elementos sociais e emocionais que atuam no desenvolvimento de doenças.3
A maioria das pessoas diagnosticadas com dermatite atópica relata que quando passam por experiências infelizes, estão estressadas e ansiosas, os sintomas da patologia pioram.3 Pesquisas mostram que o estresse crônico, sobretudo durante a infância, pode desregular o sistema imunológico — que trabalha constantemente para se manter equilibrado.3
Quando estamos sob estresse, nosso corpo produz adrenalina e noradrenalina, hormônios que nos deixam em alerta. Se uma pessoa com DA enfrenta um estresse mental intenso por muito tempo, o seu organismo pode não produzir cortisol, o hormônio do estresse, na quantidade necessária para controlar a inflamação.3 Diante disso, há uma crise acentuada da enfermidade.3’’
A psicodermatologia, área responsável por estudar a conexão entre saúde mental e problemas de pele, também aponta que um número relevante de indivíduos com transtornos cutâneos, como eczema atópico, percebe uma piora de suas manifestações em períodos estressantes.3
Estudos focados nas consequências do estresse para quadros de dermatite atópica sugerem que, com o tempo, a tensão emocional, que aumenta a coceira na pele, pode criar um ciclo vicioso.4 Portanto, a coceira se intensifica, bem como os casos e demais sintomas da condição.4
Muitos pacientes de DA podem perder o controle sobre a coceira quando estão estressados, além de apresentar reações mentais.4 Há, ainda, uma parcela considerável de homens adultos nos quais ansiedade, depressão e somatização estão associados à dermatite.4
O estresse psicológico pode influenciar tanto no eczema em si quanto na coceira e vermelhidão.5 Para alguns indivíduos, ele também acarreta crises de DA de forma repentina.5
A pele tende a coçar de forma mais intensa e profunda, o que pode levar você a arranhá-la descontroladamente.5 Isso porque é mais fácil evitar o atrito nas áreas irritados quando não estamos estressados.5
Conforme você a arranha a pele, as células do seu organismo liberam substâncias inflamatórias que agravam a inflamação.6
Além disso, pacientes com dermatite atópica têm menos defesas naturais no tecido cutâneo, o que permite que uma bactéria chamada Staphylococcus aureus se instale em mais de 90% dos casos, intensificando o processo inflamatório e causando infecções.6
O controle do estresse para dermatite é uma medida essencial para conviver melhor com o problema ao longo da sua vida.7 É necessário buscar um tratamento multidisciplinar, que envolva não só dermatologistas, mas também psicólogos.7 Descubra como ter uma rotina menos estressante.
A prática de atividade física libera serotonina e endorfinas, que regulam os hormônios do bem-estar e felicidade, reduzindo os sintomas desencadeados pelo estresse, ansiedade e depressão.8 O ideal é se exercitar regularmente, você pode praticar caminhada, ginástica e yoga, por exemplo.8
Para tanto, é necessário usar roupas adequadas, com tecidos leves, preferencialmente feitas de algodão, que evitam o excesso de suor, além de optar por locais em que não haja acúmulo de poeira.9
Os alimentos que você coloca no seu prato também podem estar relacionados a estresse e inflamação da pele.10 Ao consumir uma variedade de alimentos, especialmente in natura e fontes de vitaminas, fibras e minerais, o seu corpo produz hormônios associados ao prazo e bem-estar, enquanto uma dieta restritiva pode aumentar o cortisol e, consequentemente, o estresse.10
Uma alimentação com pouca vitamina C e zinco, por exemplo, favorece o surgimento de processos inflamatórios.10 Para casos em que a pessoa com DA é alérgica a produtos como trigo, soja, ovos, e leite, é necessário evitá-los em suas refeições.9
A insônia pode impactar significativamente na sua saúde, tendo em vista que tem potencial para agravar doenças somáticas e de origem emocional, o que compreende ansiedade e depressão.11
Para um sono reparador, é indicado evitar bebidas com cafeínas, como chá-preto, café, guaraná e chimarrão, pelo menos 6 horas antes de ir para cama.12 Além disso, evitar o uso de cigarro e consumo de álcool 4 horas antes de dormir.12
Prepare o seu quarto para descansar, mantendo-o escuro e com uma temperatura agradável.12 Também é indicado deixar de lado atividades estimulantes, como usar o computador, celular ou assistir televisão.12
Uma vida estressante, como vimos, pode desencadear em crises de dermatite atópica. 7 Nessas circunstâncias, é recomendado fazer um acompanhamento psicossomático, ou seja, que inclui psicoterapia, técnicas de relaxamento e terapia comportamental.7
Tratar a DA adequadamente é crucial para o seu bem-estar.1 Para isso, é recomendada uma ampla gama de cuidados, como melhora da barreira cutânea e tratamento farmacológico.1
A principal finalidade do tratamento da dermatite atópica é promover o controle da coceira e prevenir a inflamação, prevenindo novas crises.1
A hidratação é indispensável para aumentar a proteção da pele.1 Isso pode ser feito como a aplicação de soluções emolientes ou hidratantes específicas, várias vezes ao dia.1
Gosta de tomar banho em água muito quente? Essa prática deve ser evitada, pois eleva o ressecamento da pele.1 Opte pela água morna, à qual você deve se expor por um tempo curto, e utilize sabonetes suaves e sintéticos, que não agridam o seu pH natural da pele.1
Dependendo do caso, o dermatologista pode receitar anti-histamínicos orais capazes de diminuir a sensação de coceira.1 Nos quadros leves, a abordagem terapêutica se baseia no uso de medicamentos tópicos, como pomada ou creme com cortisona ou esteroide.1
Pacientes com manifestações mais graves são tratados com medicações orais, como imunossupressores e corticoides.1 Se surgirem infecções secundárias, podem ser ministrados antivirais ou antibióticos.1
“O primeiro passo do tratamento da dermatite atópica é evitar os gatilhos ambientais. Locais, por exemplo, com baixa umidade, roupas com tecidos ásperos, banhos muito quentes e demorados devem ser evitados.”, afirma a dra.Flávia Addor, médica dermatologista.
“O segundo passo é relacionado aos medicamentos, que podem ser necessários em muitos momentos. O médico vai receitar as medicações necessárias para combater os sintomas e controlar as crises, tanto de uso local, como de uso sistêmico – ou seja, comprimidos, ou até mesmo os injetáveis, conforme a gravidade. O terceiro passo é sobre a hidratação, que é um ponto fundamental em qualquer grau da dermatite atópica em qualquer idade. A recuperação da barreira de proteção da pele é muito importante para o controle da coceira e do combate às lesões. A pele seca é o sinal da barreira afetada, mesmo sem lesões aparentes. Por isso, a hidratação diária com o hidratante correto, sem fragrâncias, sem alérgenos e com propriedades reparadoras e calmantes, é sempre necessário”, pontua Flávia.
Sem cura, a DA gera uma série de transtornos devido à irritação e ferimentos que podem causar na pele.1 Evidências científicas comprovam que a dermatite atópica e estresse estão relacionados, exigindo dos pacientes com essa condição uma atenção maior com as suas questões emocionais.3
A combinação entre hábitos que controlam a DA e o enfrentamento das situações difíceis com suporte psicológico melhoram o gerenciamento dos sintomas e a sua qualidade de vida.1,7
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Aproveite também e leia nosso e-book sobre Dermatite Atópica para saber mais sobre o assunto. Confira!
*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
Médica consultada: Dra. Flávia Addor, médica Dermatologista, Pesquisadora, Mestre em dermatologia, Docente e Speaker internacional. CRM66293 | RQE42404.
1. Sociedade Brasileira de Dermatologia. Dermatite atópica. [Internet]. Disponível em:<https://www.sbd.org.br/doencas/dermatite-atopica/#:~:text=Muitas%20vezes%20apoio%20psicol%C3%B3gico/%20psiqui%C3%A1trico,maiores%20do%20que%20a%20prescrita>. Acesso em: 04 set. 2024.
2.Sociedade Brasileira de Dermatologia. Sociedade Brasileira de Dermatologia lança campanha com orientações sobre a dermatite atópica. 2018. Disponível em:< https://www.sbd.org.br/sociedade-brasileira-de-dermatologia-lanca-campanha-com-orientacoes-sobre-a-dermatite-atopica/>. Acesso em: 04 set. 2024.
3.NUNES, C. F. A influência do estresse sobre a dermatite atópica em adultos: revisão bibliográfica. Research, Society and Development, v. 11, n. 16, p. e414111638567, 13 dez. 2022.
4. MARTINEZ, Y. M. et al. Presença de Dermatite Atópica em jovens e adultos com estresse psíquico: uma revisão sistemática. Brazilian Journal of Health Review, v. 5, n. 4, p. 14304–14313, 15 ago. 2022.
5.LÖNNDAHL, L. et al. Psychological Stress and Atopic Dermatitis: A Focus Group Study. Annals of Dermatology, v. 35, n. 5, p. 342–342, 1 jan. 2023.
6. JUNIOR, J. R. S. et al. Aspectos emocionais – ansiedade, depressão e estresse – em pacientes com dermatoses atópicas: revisão sistemática / Emotional aspects – anxierty, depression and stress – in patients with atopic dermatoses: systematic review. Brazilian Journal of Development, v. 8, n. 2, p. 9366–9381, 7 fev. 2022.
7.PRADO, E. et al. Dermatite atópica grave: guia prático de tratamento da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia e Sociedade Brasileira de Pediatria. Arquivos de Asmas Alergia e Imunologia, v. 6, n. 4, 2022.
8. Ministério da saúde. Como a atividade física protege o cérebro? [Internet]. 2022. Disponível em:< https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-exercitar/noticias/2022/como-a-atividade-fisica-protege-o-cerebro>. Acesso em: 04 set. 2024.
9. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. Dermatite atópica. [Internet]. 2021. Disponível em:< https://bvsms.saude.gov.br/dermatite-atopica/>. Acesso em: 04 set. 2024.
10. Ministério da Saúde. Alimentação saudável também ajuda a diminuir o estresse. [Internet]. 2022. Disponível em:< https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-brasil/eu-quero-me-alimentar-melhor/noticias/2017/alimentacao-saudavel-tambem-ajuda-a-diminuir-estresse#:~:text=Ficar%20sem%20comer%20para%20perder,variada%22%2C%20explica%20a%20nutricionista.>. Acesso em: 04 set. 2024.
11.BASTOS, A. P. S. DE et al. Repercussões neurológicas da insônia: uma revisão integrativa. Research, Society and Development, v. 11, n. 4, p. e47011427528–e47011427528, 24 mar. 2022.
12. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. O sono é essencial para a saúde: 17/03 Dia Mundial do Sono. [Internet]. Disponível em:<https://bvsms.saude.gov.br/o-sono-e-essencial-para-a-saude-17-3-dia-mundial-do-sono/#:~:text=%E2%80%93%20Se%20tiver%20o%20h%C3%A1bito%20de,e%20Associa%C3%A7%C3%A3o%20Brasileira%20do%20Sono>. Acesso em: 04 set. 2024.
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