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Os adolescentes estão iniciando a vida sexual cada vez mais cedo, o que torna essencial uma abordagem responsável sobre o tema.1 Mais do que oferecer educação sexual, é preciso garantir que eles tenham acesso a contraceptivos eficazes e saibam usá-los corretamente.1 Nesse sentido, a pílula anticoncepcional é um dos métodos mais utilizados, tanto para prevenir a gravidez quanto para regular a menstruação em jovens com ciclos irregulares.2

Em 2021, registraram-se 42 nascimentos a cada 1000 meninas entre 15 e 19 anos de idade em todo o mundo.3 A gestação não planejada nesta etapa da vida pode estar ligada a diversos riscos à saúde, como nascimento prematuro, pré-eclâmpsia e uma maior taxa de cesáreas, além de ter consequências negativas na qualidade de vida.3

A escolha da estratégia anticoncepcional deve ser personalizada, considerando desde as características, necessidades e preferências da adolescente.4 Quer saber mais sobre o assunto? Neste post, vamos abordar a importância e como realizar esse processo na prática. Confira!

Por que o acompanhamento médico é essencial para escolher a pílula ideal?

O acompanhamento médico é um fator essencial para que a mulher escolha o método anticoncepcional mais adequado, receba informações sobre os efeitos colaterais de forma clara e acessível, e consiga continuá-lo por mais tempo.5

Isso porque, a intolerância às reações adversas do contraceptivo é uma das principais razões para a sua descontinuação.5 Desse modo, é necessário estar ciente do que esperar de cada opção e qual delas atende melhor às necessidades da adolescente.5

A partir desse conhecimento, as mulheres podem ser orientadas sobre como se adaptar melhor ao uso do anticoncepcional, para que ele não seja descontinuado inesperadamente.5

Além disso, durante a conversa com o ginecologista, é possível esclarecer dúvidas sobre o medicamento, especialmente aquelas relacionadas a controvérsias, muitas vezes exageradas.5

Quais fatores considerar ao escolher um anticoncepcional para adolescentes?

As adolescentes podem começar a usar anticoncepcionais hormonais desde a menarca (primeira menstruação), aproveitando seus benefícios além da prevenção da gravidez, como ajudar no tratamento da tensão pré-menstrual, regularizar ciclos menstruais em casos de anovulação crônica e demais irregularidades.6 Entenda, abaixo, o que deve ser considerado na hora de escolher o anticoncepcional na adolescência.

Saúde em geral

O primeiro passo para a escolha da pílula anticoncepcional é uma avaliação da saúde geral da jovem.2 Para tanto, é necessário investigar o seu histórico médico e familiar.2

Existem algumas condições que podem tornar o uso desses medicamentos perigosos, sendo crucial avaliar tais riscos antes de qualquer decisão.2 Geralmente, eles não são indicados para as pessoas com as seguintes condições: 2

  • Tumor hepático benigno ou maligno;
  • Câncer de mama ou neoplasia dependente de estrogênio;
  • Doença arterial coronária ou acidente vascular cerebral;
  • Função hepática comprometida ou doença hepática atual;
  • Trombose venosa profunda, embolia pulmonar ou familiar próximo com distúrbios tromboembólicos;
  • Gravidez;
  • Sangramento vaginal anormal;
  • Hipertensão descontrolada.

Após a coleta da história médica, é feito um exame físico, que inclui a medição dos sinais vitais, altura, peso, além da avaliação da glândula tireóide, mamas, coração, pulmões, abdômen e exame pélvico.2

Em adolescentes saudáveis, sem queixas, o exame pélvico tem como finalidade verificar possíveis anomalias cervicais por meio de um Papanicolau e realizar a triagem para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), relacionadas à atividade sexual.2

Tipos de pílulas anticoncepcionais

Para a maioria das adolescentes, os anticoncepcionais orais combinados de baixa dosagem são a escolha mais indicada.2 ‘’A sua formulação contém estrogênio e progestina em diferentes quantidades e a combinação desses hormônios pode gerar diversos efeitos no corpo, ajudando a prevenir a gravidez’’, Vitor Maga, médico ginecologista (CRM-SP 185.033/REQ 92.064).

Eles funcionam de três maneiras principais: bloqueando o aumento do hormônio luteinizante (LH), que impede a ovulação; tornando o muco cervical mais espesso, o que dificulta a passagem dos espermatozoides; e modificando o endométrio de maneira que não favoreça a implantação de um óvulo fertilizado.2

Normalmente, os anticoncepcionais orais combinados vêm em diferentes tipos e ciclos de 28 dias.2 Há embalagens de 21, 24 e ainda 28 pílulas.2 Nas de 21 dias, todas as pílulas possuem hormônios.2 Ao final do ciclo, o medicamento é interrompido por 7 dias, o que provoca o sangramento semelhante à menstruação.2

Já as cartelas de 28 dias, podem vir em duas apresentações. Uma delas possui 24 pílulas com hormônios e quatro pílulas placebo, que não têm efeito, mas servem para manter a rotina de uso7. Outra opção existente no mercado são contraceptivos orais com 21 pílulas com hormônios e 7 pílulas placebo.2

Quais são os benefícios adicionais da pílula anticoncepcional para jovens?

A prescrição da pílula anticoncepcional, utilizada em ciclos estendidos ou contínuos, pode trazer benefícios extras para muitas pacientes.9 Afinal, são uma alternativa eficaz no tratamento de condições médicas como anemia, acne, cólicas menstruais intensas, endometriose, sangramentos menstruais irregulares e distúrbios de coagulação, como a doença de Von Willebrand. 9

‘’Esse tipo de regime também pode ajudar em casos de doenças ou sintomas que se agravam ao longo do ciclo menstrual, como enxaquecas sem aura, epilepsia, síndrome do intestino irritável, doença inflamatória intestinal e alguns transtornos psiquiátricos e comportamentais’’, acrescenta o médico ginecologista.

Anticoncepcional e o tratamento da acne

A acne, problema comum entre adolescentes, pode ser tratada com contraceptivos orais combinados, que ajudam diminuindo a produção de oleosidade e, consequentemente, as lesões da acne.10

Esse resultado se dá devido ao etinilestradiol presente na pílula, responsável por aumentar os níveis de SHBG, uma proteína que se liga aos hormônios sexuais, como a testosterona, e reduz a sua ação no organismo. Isso pode ajudar a melhorar a acne, pois a testosterona pode contribuir para o aumento da oleosidade e a formação de lesões de acne.10 O progestagênio também pode inibir a produção desses hormônios pelos ovários, reforçando o efeito antiandrogênico característico de todos os anticoncepcionais orais.10

No dia a dia, qualquer contraceptivo oral, inclusive os de baixa dosagem, pode contribuir para uma pele sem excesso de oleosidade ou acne.10 Todavia, em casos de acne severa ou hirsutismo, costumam ser indicados contraceptivos com progestagênios de ação antiandrogênica, que têm efeito maior sobre a testosterona, que, como já vimos, pode aumentar a oleosidade da pele e favorecer o surgimento da acne.10

Como iniciar o uso do contraceptivo com segurança e confiança?

Esquecer de tomar a pílula é algo bastante comum, com uma taxa de falha no uso típico que pode chegar a 9% em adultos e pode ser ainda maior entre adolescentes.9 Portanto, é fundamental adotar estratégias que ajudem a manter a regularidade, como programar alarmes no celular ou contar com o apoio de um familiar.

Se a pílula for esquecida, a recomendação é tomá-la assim que possível.9 No caso de 2 ou mais dias consecutivos sem tomar o medicamento, deve-se ingerir apenas a última pílula esquecida e continuar o restante no horário habitual.9 É importante lembrar que são necessários 7 dias seguidos de uso correto para assegurar a proteção contra a ovulação.9

Nas situações em que duas ou mais pílulas foram esquecidas na primeira semana do ciclo, e caso a paciente tenha tido relações sexuais no intervalo de até uma semana, o uso da contracepção de emergência (CE) é indicado.9

Se houver falhas no uso em qualquer momento do ciclo atual, ou no final do ciclo anterior, a CE também é indicada para os casos em que a paciente teve alguma relação sexual recente.10

Nas circunstâncias em que a paciente vomitar até 2 horas depois de tomar a pílula, deve considerar que esqueceu a dose e usar outro método contraceptivo até completar 7 dias consecutivos tomando o anticoncepcional oral.8 Da mesma forma, se tiver vômito intenso ou diarreia por 2 dias ou mais, deve seguir orientações para pílulas esquecidas.8

Uma vez que os jovens estão se relacionando sexualmente mais cedo e as taxas de gestações não planejadas são maiores entre esse público, a orientação e acesso a métodos contraceptivos eficazes e seguros é imprescindível para a manutenção da saúde sexual e reprodutiva.1,4

A escolha da pílula para adolescentes deve considerar o bem-estar da paciente, efeitos colaterais e riscos envolvidos.2,8 O acompanhamento médico durante esse processo é indispensável para escolher o anticoncepcional mais adequado e orientar seu uso, evitando que haja descontinuação.5

Quer cuidar da sua saúde física e mental? Leia mais posts no blog A Vida Plena e acompanhe dicas exclusivas para viver mais e melhor!

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor, Vitor Maga, médico ginecologista da Libbs Farmacêutica, (CRM-SP 185.033/REQ 92.064).

* As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências

1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Anticoncepção e Ginecologia Infanto-Puberal. 2017. [Internet]. [Acesso 19Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/212-anticoncepcao-e-ginecologia-infanto-puberal?highlight=WyJsYXJjIl0=.

2. Cromwell PF, Daley AM. Oral contraceptive pills: Considerations for the adolescent patient. J Pediatr Health Care. 2000;14(5):228-34.

3. Reilly K, Schmuhl KK, Bonny AE. Removing barriers to contraceptive access for adolescents. J Pediatr Pharmacol Ther. 2024 Jun;29(3):331-5.

4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Quais são os métodos contraceptivos mais adequados para adolescentes? 2025. [Internet]. [Acesso 19Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/2034-quais-sao-os-metodos-contraceptivos-mais-adequados-para-adolescente.

5. Dehlendorf C, Krajewski C, Borrero S. Contraceptive counseling: best practices to ensure quality communication and enable effective contraceptive use. Clin Obstet Gynecol. 2014 Dec;57(4):659-73.

6. Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização – Departamento Científico de Adolescência. Anticoncepção na Adolescência. 2018. [Internet]. [Acesso 19Mar2025]. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/20290c-GPA_-_Anticoncepcao_na_Adolescencia.pdf.

7. Edelman A, Micks E, Gallo MF, Jensen JT, Grimes DA. Continuous or extended cycle vs. cyclic use of combined hormonal contraceptives for contraception. Cochrane Database Syst Rev. 2014 Jul 29;2014(7):CD004695. doi: 10.1002/14651858. Disponível em https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25072731/ .

8. Powell A. Choosing the right oral contraceptive pill for teens. Pediatr Clin North Am. 2017;64(2):343-358.

9. American Academy of Pediatrics. Contraception for Adolescents. 2014. [Internet]. [Acesso 19Mar2025]. Disponível em: https://publications.aap.org/pediatrics/article/134/4/e1244/32981/Contraception-for-Adolescents?autologincheck=redirected.

10. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Anticoncepção para Adolescentes. 2017. [Internet]. [Acesso 19Mar2025]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/15-ANTICONCEPCAO_PARA_ADOLESCENTES.pdf.

Artigo elaborado em 19 de março de 2025.