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Prisão de ventre após cirurgia é comum: saiba como lidar!

Se você já passou por algum procedimento cirúrgico, provavelmente notou que seu intestino não estava funcionando muito bem, não é mesmo? Saiba que isso é completamente normal e uma situação bastante frequente!

Existem várias razões para isso acontecer, como uso de medicamentos opioides e o efeito da anestesia.1 Mais do que uma questão de desconforto, lidar com a prisão de ventre após cirurgia é importante para evitar complicações e diminuir o tempo de hospitalização.1

Quer entender melhor sobre esse tema? Fique tranquila! O conteúdo de hoje esclarece como ocorre a constipação pós-cirúrgica e te mostra como é o manejo desse e de outros sintomas gastrointestinais. Confira!

Como ocorre a prisão de ventre após cirurgia

Após cirurgias abdominais, é comum que o intestino não funcione corretamente, causando náuseas, vômito, dor, distensão abdominal, gases e constipação.1 Se não tratada, essa complicação pode atrapalhar na recuperação do paciente, levando a um aumento do tempo de hospitalização.1

Esses sintomas são considerados não específicos, mas saiba que também existem sintomas especificamente ligados a problemas cirúrgicos, como sangramentos intra-abdominais, infecções e distúrbios de absorção.2

A prisão de ventre no pós-cirúrgico pode ocorrer por vários motivos, como:

  • uso de medicamentos como opioides para controle da dor;
  • desregulação nos níveis de eletrólitos;
  • efeito da anestesia geral.1

Tais fatores influenciam a motilidade gastrointestinal ao interferirem na capacidade de digestão e absorção, nas secreções gastrointestinais, nos sinais hormonais e no microbioma intestinal.3

A alteração do microbioma, denominada disbiose, é um fator de bastante relevância clínica. Afinal, essas mudanças comprometem a função de barreira do intestino, prejudicando a permeabilidade e contribuindo para o desenvolvimento de ambiente inflamatório, ambos relacionados à exacerbação da doença e o desenvolvimento de falência múltipla de órgãos.3

Constipação em pacientes graves

Estima-se que a disfunção gastrointestinal atinja 60% dos pacientes graves e esteja associada a desfechos clínicos ruins, como o aumento do(a):

  • incidência de infecção;
  • duração da ventilação mecânica;
  • tempo de internação hospitalar;
  • mortalidade.3

As causas do mau prognóstico decorrentes dos sintomas gastrointestinais estão relacionadas com intolerância à alimentação por via oral, ingestão inadequada de nutrientes, risco de desnutrição, sistema imunológico enfraquecido, má cicatrização, entre outros exemplos.3

A constipação e obstipação após cirurgia (forma mais grave de constipação) são eventos comuns na UTI, atingindo entre 62–72% dos pacientes. Além do desconforto, pode haver complicações sérias como a elevação da pressão intra-abdominal e a síndrome compartimental abdominal, que consiste no aumento da pressão a ponto de comprometer as funções dos órgãos.3

Fatores de risco

Existem alguns fatores que tornam o paciente mais suscetível ao risco de desenvolver problemas gastrointestinais após a cirurgia. Eles estão relacionados às condições pré-existentes do paciente e o tipo de cirurgia realizada.2

Esse conhecimento é importante para o desenvolvimento e a implementação de medidas pré, intra e pós-cirúrgicas que minimizem os efeitos negativos e o risco de complicações sérias.8

Quanto à constipação pós-cirúrgica, as comorbidades que predispõem a essa complicação são:

  • diabetes mellitus;
  • trauma;
  • problemas renais crônicos;
  • esclerose sistêmica;
  • dermatomiosite.2

Em relação ao tipo de cirurgia, é evidente que os problemas gastrointestinais ocorram principalmente devido a cirurgias abdominais, mas vale lembrar que não se limitam a elas.2

Como lidar com a prisão de ventre após cirurgia

Prisão de ventre após cirurgia é comum: saiba como lidar!

O mau funcionamento do intestino no pós-operatório pode ocorrer por diversos motivos.4 Dessa maneira, reconhecer os fatores por detrás é fundamental para determinar as intervenções mais adequadas.5 Além do monitoramento cuidadoso pelo médico, o manejo da prisão de ventre no pós-cirúrgico envolve algumas medidas importantes.5 Confira!

Mobilização precoce do trato gastrointestinal

Uma prática muito comum após cirurgias gastrointestinais é a utilização de sonda nasogástrica. O objetivo é deixar o trato gastrointestinal se recuperar após o procedimento, pois se acreditava que isso acelerava a recuperação. Entretanto, novas evidências sugerem que, quanto mais rápido o paciente volta a se alimentar sem o uso da sonda, menor é a incidência de complicações e o tempo de hospitalização.1

Uso de medicamentos

A suspensão de medicamentos que diminuem a motilidade do trato gastrointestinal, quando possível, é uma opção. Por outro lado, drogas que estimulem o trato gastrointestinal (agentes procinéticos) também podem ser utilizadas.3 Lembrando que a administração, modificação ou retirada de medicamentos deve ser realizada apenas com prescrição médica seguida de um acompanhamento adequado.

Modificação da dieta

Em pacientes que sofrem com disfunção intestinal após cirurgia para tratamento de câncer de cólon, ajustes na dieta trazem efeitos positivos. Longe de ser uma tarefa fácil, trata-se de encontrar um equilíbrio entre o que é ingerido e a resposta intestinal.7

Consumo de cafeína

Por ser um estimulante da atividade do cólon, bebidas com cafeína podem acelerar a recuperação do funcionamento do intestino e diminuir o tempo de hospitalização.1

Mascar chiclete

Outra intervenção capaz de reduzir a recuperação pós-operatória no hospital é o simples fato de mascar chiclete. O procedimento acelera a flatulência e reduz o tempo da primeira defecação após a cirurgia.4

Correção dos distúrbios eletrolíticos

Quando a disfunção é causada por alterações nos níveis de eletrolíticos, principalmente do cálcio e magnésio, a reposição eletrolítica promove efeitos benéficos.3

Uso de probióticos e fibras

A ingestão de fibras e probióticos para restaurar o microbioma intestinal é plausível, mas cercada de incertezas. O uso deve ser feito por tempo determinado, programado e acompanhado diariamente pelo médico.3

Uso de laxantes

Para a função intestinal retornar mais rapidamente, os laxantes são ótimas opções. Um estudo mostra que pacientes que receberam laxantes 6 horas depois da cirurgia conseguiram ir ao banheiro muito antes do grupo que não recebeu o medicamento. O resultado foi de uma redução média de 1 dia no tempo de internação.4

A importância da avaliação médica

Cada paciente tem suas particularidades, portanto, o manejo da prisão de ventre após cirurgia deve ser individualizado.3 Isso significa que só o médico poderá orientar sobre o uso seguro de medicamentos ou outros tipos de tratamentos e intervenções.

A prisão de ventre após cirurgia é um incômodo frequente, mas pode ser aliviado de várias formas. Lembre-se: seguir as orientações médicas é o principal caminho acabar resolver esse desconforto e promover o reestabelecimento mais rápido e tranquilo da sua saúde.

Agora que você sabe sobre as opções de tratamento para prisão de ventre no pós-cirúrgico, leia mais sobre os benefícios do laxante osmótico

Referências

  1. Mazzotta E, Villalobos-Hernandez EC, Fiorda-Diaz J, Harzman A, Christofi FL. Postoperative Ileus and Postoperative Gastrointestinal Tract Dysfunction: Pathogenic Mechanisms and Novel Treatment Strategies Beyond Colorectal Enhanced Recovery After Surgery Protocols. Front Pharmacol. 2020;11:583422. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.frontiersin.org/journals/pharmacology/articles/10.3389/fphar.2020.583422/full.
  2. Reintam Blaser A, Starkopf J, Moonen PJ, Malbrain MLNG, Oudemans-van Straaten HM. Perioperative gastrointestinal problems in the ICU. Anaesthesiol Intensive Ther. 2018;50(1):59-71. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.termedia.pl/Perioperative-gastrointestinal-problems-in-the-ICU,118,37981,0,1.html.
  3. Barreto P, de Assis T, Castro MG, Rosenfeld RS, Duprat G, Costa R, et al. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (BRASPEN). Posicionamento BRASPEN – Manejo da disfunção trato gastrointestinal na UTI. BRASPEN J 2022;37(3):228-43. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://braspenjournal.org/article/10.37111/braspenj.2022.BRASPEN_posicionamentofibras/pdf/braspen-37-3-228.pdf.
  4. Mythen MG. Postoperative gastrointestinal tract dysfunction: an overview of causes and management strategies. Cleve Clin J Med. 2009;76(4):66-71. [Acesso 26Jul2024] Disponível em: https://www.ccjm.org/content/76/10_suppl_4/S66.long.
  5. Vazquez Roque M, Bouras EP. Epidemiology and management of chronic constipation in elderly patients. Clin Interv Aging. 2015;10:919-930. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4459612/
  6. Venara A, Neunlist M, Slim K, et al. Postoperative ileus: Pathophysiology, incidence, and prevention. J Visc Surg. 2016;153(6):439-446. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1878788616301266?via%3Dihub.
  7. Yanting Z, Xv D, Long W, Wang J, Tang C, Feng M, et al. Experience and coping strategies of bowel dysfunction in postoperative patients with rectal cancer: a systematic review of qualitative evidence. PeerJ. 2023;11:e15037. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC10042155/pdf/peerj-11-15037.pdf

Data de elaboração: 26.07.24