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Publicado em: 29 de novembro de 2024
Se você já passou por algum procedimento cirúrgico, provavelmente notou que seu intestino não estava funcionando muito bem, não é mesmo? Saiba que isso é completamente normal e uma situação bastante frequente!
Existem várias razões para isso acontecer, como uso de medicamentos opioides e o efeito da anestesia.1 Mais do que uma questão de desconforto, lidar com a prisão de ventre após cirurgia é importante para evitar complicações e diminuir o tempo de hospitalização.1
Quer entender melhor sobre esse tema? Fique tranquila! O conteúdo de hoje esclarece como ocorre a constipação pós-cirúrgica e te mostra como é o manejo desse e de outros sintomas gastrointestinais. Confira!
Após cirurgias abdominais, é comum que o intestino não funcione corretamente, causando náuseas, vômito, dor, distensão abdominal, gases e constipação.1 Se não tratada, essa complicação pode atrapalhar na recuperação do paciente, levando a um aumento do tempo de hospitalização.1
Esses sintomas são considerados não específicos, mas saiba que também existem sintomas especificamente ligados a problemas cirúrgicos, como sangramentos intra-abdominais, infecções e distúrbios de absorção.2
A prisão de ventre no pós-cirúrgico pode ocorrer por vários motivos, como:
Tais fatores influenciam a motilidade gastrointestinal ao interferirem na capacidade de digestão e absorção, nas secreções gastrointestinais, nos sinais hormonais e no microbioma intestinal.3
A alteração do microbioma, denominada disbiose, é um fator de bastante relevância clínica. Afinal, essas mudanças comprometem a função de barreira do intestino, prejudicando a permeabilidade e contribuindo para o desenvolvimento de ambiente inflamatório, ambos relacionados à exacerbação da doença e o desenvolvimento de falência múltipla de órgãos.3
Estima-se que a disfunção gastrointestinal atinja 60% dos pacientes graves e esteja associada a desfechos clínicos ruins, como o aumento do(a):
As causas do mau prognóstico decorrentes dos sintomas gastrointestinais estão relacionadas com intolerância à alimentação por via oral, ingestão inadequada de nutrientes, risco de desnutrição, sistema imunológico enfraquecido, má cicatrização, entre outros exemplos.3
A constipação e obstipação após cirurgia (forma mais grave de constipação) são eventos comuns na UTI, atingindo entre 62–72% dos pacientes. Além do desconforto, pode haver complicações sérias como a elevação da pressão intra-abdominal e a síndrome compartimental abdominal, que consiste no aumento da pressão a ponto de comprometer as funções dos órgãos.3
Existem alguns fatores que tornam o paciente mais suscetível ao risco de desenvolver problemas gastrointestinais após a cirurgia. Eles estão relacionados às condições pré-existentes do paciente e o tipo de cirurgia realizada.2
Esse conhecimento é importante para o desenvolvimento e a implementação de medidas pré, intra e pós-cirúrgicas que minimizem os efeitos negativos e o risco de complicações sérias.8
Quanto à constipação pós-cirúrgica, as comorbidades que predispõem a essa complicação são:
Em relação ao tipo de cirurgia, é evidente que os problemas gastrointestinais ocorram principalmente devido a cirurgias abdominais, mas vale lembrar que não se limitam a elas.2
O mau funcionamento do intestino no pós-operatório pode ocorrer por diversos motivos.4 Dessa maneira, reconhecer os fatores por detrás é fundamental para determinar as intervenções mais adequadas.5 Além do monitoramento cuidadoso pelo médico, o manejo da prisão de ventre no pós-cirúrgico envolve algumas medidas importantes.5 Confira!
Uma prática muito comum após cirurgias gastrointestinais é a utilização de sonda nasogástrica. O objetivo é deixar o trato gastrointestinal se recuperar após o procedimento, pois se acreditava que isso acelerava a recuperação. Entretanto, novas evidências sugerem que, quanto mais rápido o paciente volta a se alimentar sem o uso da sonda, menor é a incidência de complicações e o tempo de hospitalização.1
A suspensão de medicamentos que diminuem a motilidade do trato gastrointestinal, quando possível, é uma opção. Por outro lado, drogas que estimulem o trato gastrointestinal (agentes procinéticos) também podem ser utilizadas.3 Lembrando que a administração, modificação ou retirada de medicamentos deve ser realizada apenas com prescrição médica seguida de um acompanhamento adequado.
Em pacientes que sofrem com disfunção intestinal após cirurgia para tratamento de câncer de cólon, ajustes na dieta trazem efeitos positivos. Longe de ser uma tarefa fácil, trata-se de encontrar um equilíbrio entre o que é ingerido e a resposta intestinal.7
Por ser um estimulante da atividade do cólon, bebidas com cafeína podem acelerar a recuperação do funcionamento do intestino e diminuir o tempo de hospitalização.1
Outra intervenção capaz de reduzir a recuperação pós-operatória no hospital é o simples fato de mascar chiclete. O procedimento acelera a flatulência e reduz o tempo da primeira defecação após a cirurgia.4
Quando a disfunção é causada por alterações nos níveis de eletrolíticos, principalmente do cálcio e magnésio, a reposição eletrolítica promove efeitos benéficos.3
A ingestão de fibras e probióticos para restaurar o microbioma intestinal é plausível, mas cercada de incertezas. O uso deve ser feito por tempo determinado, programado e acompanhado diariamente pelo médico.3
Para a função intestinal retornar mais rapidamente, os laxantes são ótimas opções. Um estudo mostra que pacientes que receberam laxantes 6 horas depois da cirurgia conseguiram ir ao banheiro muito antes do grupo que não recebeu o medicamento. O resultado foi de uma redução média de 1 dia no tempo de internação.4
Cada paciente tem suas particularidades, portanto, o manejo da prisão de ventre após cirurgia deve ser individualizado.3 Isso significa que só o médico poderá orientar sobre o uso seguro de medicamentos ou outros tipos de tratamentos e intervenções.
A prisão de ventre após cirurgia é um incômodo frequente, mas pode ser aliviado de várias formas. Lembre-se: seguir as orientações médicas é o principal caminho acabar resolver esse desconforto e promover o reestabelecimento mais rápido e tranquilo da sua saúde.
Agora que você sabe sobre as opções de tratamento para prisão de ventre no pós-cirúrgico, leia mais sobre os benefícios do laxante osmótico!
Referências
Data de elaboração: 26.07.24
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