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Publicado em: 26 de março de 2025
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Os alimentos que escolhemos colocar no nosso prato no dia a dia podem ter o poder de transformar a nossa qualidade de vida. Enquanto alguns beneficiam a nossa saúde, outros podem agravá-la.1
Em pacientes com dermatite atópica (DA), principalmente os mais graves e as crianças menores, pode haver alergia alimentar associada e, nestes casos, o alimento precisa ser excluído. Mas é preciso muito cuidado, pois excluir alimentos desnecessariamente pode gerar alergia alimentar e ainda interferir na nutrição do paciente, sobretudo nas crianças menores.1
Considerada uma doença crônica bastante comum, principalmente no público infantil, a DA causa feridas na pele, gerando sintomas desagradáveis, como coceira e irritação, comprometendo o bem-estar de quem lida com esse diagnóstico.2
Pequenas escolhas e ajustes diários podem fazer uma grande diferença no gerenciamento da dermatite atópica.1 Neste post, vamos abordar como a alimentação pode trazer conforto ou estimular crises de dermatite. Confira!
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele, que consiste em um dos tipos mais comuns de eczema.2 Apesar de ser mais recorrente entre as crianças, os primeiros sintomas também podem se manifestar na adolescência e na vida adulta.2
Trata-se de uma condição de origem genética, caracterizada por coceira intensa e pele seca, que muitas vezes acaba levando ao aparecimento de lesões e feridas na pele.2 Pessoas com esta doença também podem desenvolver outras doenças atópicas associadas, como asma, rinite e alergias alimentares.2
Pacientes com DA costumam ter pele ressecada e sensível, o que pode agravar as suas manifestações clínicas.2 As áreas mais afetadas são as dobras do corpo, como atrás dos joelhos, porção anterior dos cotovelos e pescoço.2 Em bebês, a face também é uma região bastante acometida.2
Classificada como não contagiosa, a dermatite é conhecida por ser extremamente desconfortável.2 Allguns fatores como roupas sintéticas ou de lã, ambientes quentes e estresse podem favorecer as crises de DA.2
A dermatite apresenta períodos de melhora e recaída, podendo estar associada a outros problemas de saúde atópicos, como rinite e asma.2 Com o passar do tempo e a adoção dos cuidados adequados, é possível controlar bem os sintomas e viver com mais qualidade de vida.2
Nos casos em que a dermatite atópica está associada a alergias alimentares, as escolhas alimentares podem influenciar no surgimento ou intensidade das crises da doença.3 Veja, abaixo, como isso pode acontecer.
Os alimentos que fazem parte da dieta interferem na barreira protetora do corpo e no modo como o sistema imunológico responde aos alérgenos.3 Eles podem ajudar na eficácia dos mecanismos de defesa ou ensinar o corpo a não reagir a determinadas substâncias.3
Uma dieta rica em proteínas, como carnes vermelhas e laticínios, e com alto teor de gordura saturada, encontrada em frituras e alimentos processados, pode aumentar os processos inflamatórios em pessoas com DA e alergias alimentares associadas.3
Por sua vez, as vitaminas A e E, fornecidas por cenouras e nozes, respectivamente, são essenciais para a regeneração celular e proteção contra danos.4
Caso apresente alergia alimentar associada à dermatite, os sintomas podem se agravar, pois os alérgenos provocam uma resposta exagerada do sistema imunológico, podendo piorar a coceira.5
O desenvolvimento da DA também pode estar associado à diversidade de bactérias que vivem no nosso intestino.6 O nascimento, tipo de parto e forma de alimentação, como amamentação ou fórmula, têm grande influência na formação do microbioma intestinal.6
Bebês nascidos de parto normal, por exemplo, adquirem um microbioma mais parecido com o da mãe, enquanto os nascidos por cesárea acabam herdando mais bactérias da pele.6 E, à medida que crescem, as mudanças na dieta também moldam o equilíbrio desses microrganismos.6
Os probióticos, que incluem bactérias e leveduras, quando consumidos em quantidades adequadas, ajudam a ‘’educar’’ o sistema imunológico, podendo ajudar na prevenção do desenvolvimento de DA.6
Sendo assim, vale a pena investir no consumo de alimentos com probióticos, como iogurtes e demais produtos fermentados.6
As crianças com DA estão mais propensas a desenvolver alergias alimentares.5 A situação é mais preocupante para aquelas que apresentam a condição com quadros moderados ou graves.5
Um estudo realizado na Europa mostrou que o diagnóstico de dermatite atópica precocemente na vida aumenta o risco de alergia a alimentos quando as crianças atingem os 6 anos de idade. 5
Contudo, vale ressaltar que a maioria dos pacientes com DA não tem alergia alimentar associada.5 Portanto, o acompanhamento nutricional a restrição alimentar específica só é indicado quando houver necessidade comprovada.5
No geral, as crianças com dermatite atópica podem ter a mesma alimentação que as demais crianças da mesma idade.5
É comum que os pais eliminem certos alimentos da dieta de seus filhos na tentativa de controlar as crises de DA.5 No entanto, essa prática não é recomendada, pois pode levar à falta de nutrientes essenciais para o crescimento dos pequenos.5
Dietas que excluem alimentos como ovos e leite não apresentam benefícios claros para o eczema, a não ser que haja alergia alimentar comprovada, e essa restrição, se feita de forma desnecessária, pode agravar a situação.5
Ao evitá-los por um longo período, o risco de surgimento de alergias alimentares aumenta.5 Inclusive, há indícios de que reações alérgicas imediatas podem ocorrer em mais da metade dos casos após a reintrodução dos componentes excluídos.5
É necessário seguir uma alimentação que contenha os nutrientes benéficos para o organismo, além de identificar eventuais deficiências alimentares que comprometam o bem-estar, tratando-as a partir de suporte médico especializado.5
Alguns alimentos podem contribuir para a exacerbação dos sintomas da DA em indivíduos com alergias alimentares.5 Nesses casos, uma dieta personalizada pode ajudar no controle do problema.7
Porém, em vez de cortar vários alimentos de uma vez, o ideal é fazer testes com acompanhamento médico para verificar se realmente provocam reações negativas.7 Dessa forma, evita-se a exclusão desnecessária de nutrientes para a sua saúde.7
Por ser uma doença crônica, a dermatite atópica não tem cura, apresentando períodos de exacerbação e de remissão.2 Todavia, com um conjunto de medidas simples, pode-se conviver melhor com a doença, minimizando bastante seus sintomas.2 Saiba como prevenir as crises atópicas.
Em se tratando dos cuidados com a pele no diagnóstico de DA, a hidratação é um elemento fundamental, pois contribui para o fortalecimento da barreira natural da pele, impedindo a perda excessiva de água e protegendo contra irritações e inflamações.2
A escolha do hidratant requer atenção. Geralmente, são indicados cremes à base de óleo e loções que ajudam a suavizar e hidratar a pele, mantendo sua umidade.7 Os oclusivos, que criam uma camada protetora, também são eficazes para essa função.7
Uma boa dica é optar por aqueles que contenham ingredientes humectantes em suas formulações, como glicerina, além de ingredientes emolientes e oclusivos, que auxiliam na hidratação e manutenção da água na pele.7
Os pacientes atópicos devem fugir dos hidratantes com fragrância, já que peles sensíveis podem reagir mal a esses componentes.7 O mais aconselhável é optar por versões hipoalergênicas.7
Na hora do banho, prefira a água morna e não demore tanto tempo no chuveiro, pois o contato prolongado com água quente piora o ressecamento.2 Use sabonetes suaves, preferencialmente que respeitam o pH natural da pele e seque com toalhas macias para não causar irritação na pele.2 Logo em seguida, aplique o hidratante, reaplicando-o ao longo do dia.2
Para se vestir, recomenda-se roupas fabricadas com tecidos naturais e leves, como algodão, que não provocam atrito com a pele e a permitem respirar.2
A nutrição é uma poderosa estratégia para manter a pele saudável e bonita, pois ajuda a tratá-la de dentro para fora.4
Em se tratando especificamente das pessoas diagnosticadas com DA e alergia alimentar associada, o consumo dos alimentos certos proporciona os nutrientes adequados e necessários para o paciente e para melhor controle das inflamações da sua pele.4
No caso de lidar com esses dois diagnósticos, a qualidade de vida começa pelas decisões alimentares, sempre com orientação e supervisão especializada, médica e nutricional.4 A alimentação diária pode desde manter os sintomas da DA sob controle até intensificá-los.3
Os cuidados com a alimentação, quando necessários, somados à hidratação frequente, podem ajudar a equilibrar as reações do corpo e melhorar o aspecto da pele, o que resulta no aumento do bem-estar, confiança e tranquilidade, sem os desconfortos característicos desta condição.2,4
Conviver com uma doença de pele crônica pode ser desafiador, mas isso não precisa limitar a vida.
Aproveite e leia nosso e-book sobre Dermatite Atópica para saber mais sobre o assunto.
Referências
1. Khan A, Adalsteinsson J, Whitaker-Worth DL. Atopic dermatitis and nutrition. Clin Dermatol. 2022 Mar-Apr;40(2):135-144.
2. Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Dermatite atópica. [internet]. Disponível em: <https://www.sbd.org.br/doencas/dermatite-atopica/>. Acesso em: 30 set. 2024.
3. Zhang P. The Role of Diet and Nutrition in Allergic Diseases. Nutrients. 2023 Aug 22;15(17):3683.
4. Kanda N, Hoashi T, Saeki H. Nutrition and Atopic Dermatitis. J Nippon Med Sch. 2021 Jun 30;88(3):171-177.
5. Domínguez O, Plaza AM, Alvaro M. Relationship Between Atopic Dermatitis and Food Allergy. Curr Pediatr Rev. 2020;16(2):115-122.
6. Fang Z, Li L, Zhang H, Zhao J, Lu W, Chen W. Gut Microbiota, Probiotics, and Their Interactions in Prevention and Treatment of Atopic Dermatitis: A Review. Front Immunol. 2021 Jul 14;12:720393.
7. Kulthanan K, Tuchinda P, Nitiyarom R, Chunharas A, Chantaphakul H, Aunhachoke K, Chularojanamontri L, Rajatanavin N, Jirapongsananuruk O, Vichyanond P, Chatchatee P, Sangsupawanich P, Wananukul S, Singalavanija S, Trakanwittayarak S, Rerkpattanapipat T, Thongngarm T, Wisuthsarewong W, Limpongsanurak W, Kamchaisatian W, Noppakun N. Clinical practice guidelines for the diagnosis and management of atopic dermatitis. Asian Pac J Allergy Immunol. 2021 Sep;39(3):145-155.
Artigo elaborado em 21 de fevereiro de 2025
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