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Publicado em: 17 de fevereiro de 2025
Quando ouvimos a palavra ‘’bactéria’’, é comum associá-la a doenças e problemas de saúde, não é mesmo? Mas você sabia que também existem bactérias benéficas para o nosso organismo? Elas estão localizadas principalmente no nosso intestino, fazendo parte da flora intestinal, e desempenham um papel essencial no processo digestivo.1
Essas ‘’parceiras invisíveis’’ também ajudam a regular a imunidade, produzem vitaminas e até mesmo combatem inflamações.1 Dessa maneira, manter o equilíbrio intestinal é fundamental para a manutenção da nossa saúde.1 Neste post, vamos abordar a importância e como preservar as bactérias do bem. Confira!
A flora intestinal, também chamada de microbiota intestinal, é uma comunidade extremamente rica e diversificada de microrganismos que vivem no intestino, como bactérias, fungos e vírus.1 Quando essa ‘’população’’ está em equilíbrio, o organismo humano funciona melhor.1 Do contrário, podem surgir inflamações e doenças.1
Inclusive, nós somos vistos como ‘’superorganismo’’, vivendo em equilíbrio com nossos micróbios.1 Na prática, isso significa que a saúde intestinal impacta diretamente no bom funcionamento do corpo, do metabolismo e no sistema imunológico.1 Assim, cuidar da microbiota, é essencial para o nosso bem-estar.1
As bactérias do bem presentes no intestino são aliadas imprescindíveis para conseguirmos digerir nutrientes e energia.2 Elas produzem ácidos graxos que regulam funções cruciais como o gasto de energia, a saciedade e o equilíbrio dos níveis de glicose no corpo.2
Além disso, esses micróbios protegem o organismo ao barrar a entrada de agentes externos prejudiciais, como os transmitidos por alimentos contaminados, como frutas ou vegetais mal lavados.2
Vale ressaltar que a flora intestinal também está intimamente conectada ao sistema imunológico, ajudando na maturação do sistema de defesa desde a infância e mantido em operação ao longo da vida.2
Ela ainda está em contato com o sistema nervoso, estudos indicam uma possível influência não só na saúde física, mas também na função cognitiva e no nosso estado mental, podendo provocar alterações de humor.2
A microbiota intestinal possui uma imensa diversidade de microrganismos, mas alguns grupos de bactérias se destacam pela função vital que exercem na nossa saúde.2 Acompanhe, abaixo, quais são elas e como contribuem para uma vida mais saudável.
Bacteroidetes e Firmicutes
Essas duas bactérias dominam o ambiente intestinal, sendo responsáveis pela decomposição de nutrientes complexos, como fibras, que o organismo não consegue digerir por conta própria.2
Esse processo de fermentação resulta na produção de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), substâncias que fornecem energia para as células intestinais e têm efeitos anti-inflamatórios, auxiliando na manutenção do equilíbrio do metabolismo.2
Bifidobacterium e Lactobacillus
Verdadeiras amigas da nossa digestão, as bactérias do tipo Bifidobacterium estão entre as primeiras a colonizar o intestino após o nosso nascimento e continuam presentes até o fim da vida. 2
Elas também trabalham na digestão de fibras, produzindo substâncias que fortalecem a barreira intestinal, de modo a prevenir a entrada de agentes maléficos. 2 Junto com os Lactobacilos, essas bactérias promovem a manutenção do equilíbrio da microbiota e o apoio ao sistema imunológico. 2
Faecalibacterium prausnitzii e Roseburia intestinalis
As bactérias Faecalibacterium prausnitzii e Roseburia intestinalis reduzem a inflamação e melhoram o funcionamento do intestino. 2 Em parceria com as Bacteroides, também reduzem a quantidade de microrganismos indesejáveis nesse órgão. 2
Alguns fatores externos podem influenciar na composição e atividade da flora intestinal.2 Desde os alimentos que consumimos no dia a dia até o estilo de vida que levamos podem afetar esse sistema.2 Saiba o que pode alterá-lo.
Dieta
A dieta pode afetar a saúde humana de diferentes formas, inclusive, modificando a microbiota intestinal.2 O que comemos pode favorecer o crescimento de diferentes tipos de bactérias, alterando não só a quantidade, mas também suas funções metabólicas.3
Por exemplo, uma alimentação rica em fibras, carboidratos não animais e grãos integrais tende a estimular a presença de bactérias benéficas, que ajudam a digerir fibras e produzir substâncias essenciais para o funcionamento do intestino.3
Por outro lado, dietas com maior teor de açúcar, gordura animal e proteínas podem levar a um aumento de bactérias maléficas, que aumentam a inflamação e tornam a microbiota menos diversa.3
Ademais, as mudanças nas refeições diárias podem afetá-la de forma quase que imediata.3 Isso porque o consumo de alimentos específicos, como os de origem animal ou vegetal, altera a diversidade de bactérias em poucas horas, o que mostra o poder das nossas escolhas alimentares.3
Idade
Com o passar dos anos, a flora intestinal também vai mudando, refletindo o processo de envelhecimento do nosso corpo.3 Nos primeiros anos de vida, o intestino é colonizado por uma diversidade bacteriana que começa bem reduzida, mas vai crescendo conforme o bebê se alimenta e interage com o ambiente externo.3
No decorrer da infância, ela se torna mais estável, atingindo uma composição bem próxima à dos adultos por volta dos três anos de idade.3 Mas, à medida que envelhecemos, o cenário muda novamente, havendo uma redução de um grupo de bactérias, como Bifidobacterium e Faecalibacterium prausnitzii, enquanto outros aumentam.3
Em idosos, a microbiota intestinal também apresenta uma característica interessante: uma maior variação na distribuição das diferentes espécies bacterianas, o que pode influenciar no funcionamento da saúde digestiva e do sistema imunológico.3 Em alguns casos, ela pode desenvolver um perfil pró-inflamatório, favorecendo condições como inflamações crônicas e diminuindo a capacidade do organismo de combater doenças.3
Medicamentos
Os medicamentos, especialmente aqueles usados de forma contínua, podem modificar a flora intestinal.2 Quando tomamos medicamentos de modo prolongado, eles podem alterar a composição das bactérias intestinais, facilitando o surgimento de infecções e inflamações.2
Os antibióticos têm um impacto significativo nesse sentido, uma vez que reduzem a diversidade e a riqueza das bactérias no intestino em apenas 3 a 4 dias após o uso.3 Esses efeitos podem ser temporários, mas em algumas situações, podem causar mudanças duradouras na composição da microbiota, que persistem por meses, mesmo após o término do tratamento.3
Provavelmente, você já ouviu falar que os probióticos e prebióticos fazem bem para o intestino, mas você sabe por que isso acontece? Os probióticos, microrganismos vivos, são benéficos para a digestão e tratamento de diversas condições.4
A ideia de usá-los surgiu com a descoberta de que a redução de algumas bactérias benéficas no intestino pode prejudicar a saúde, como em casos de diarreia.4 Desde então, ficou claro que eles auxiliam na restauração do equilíbrio da microbiota não só se incorporando a ela, mas também compartilhando nutrientes e estimulando o sistema imunológico.4 Esse suporte à flora intestinal fragilizada contribui para a prevenção e tratamento de várias condições, como resistência à insulina, infecções e inflamações.
Por sua vez, os prebióticos são ingredientes alimentares não digestíveis que, ao serem seletivamente fermentados, estimulam o crescimento ou a atividades de bactérias benéficas no intestino, como os probióticos, promovendo a saúde humana.5
A manutenção da diversidade de bactérias é essencial para o equilíbrio e funcionamento adequado da flora intestinal.3 Para tanto, é recomendado investir em uma dieta rica em fibras, que inclua alimentos como frutas, vegetais, grãos integrais e legumes, que ajudam a alimentar as bactérias benéficas do intestino.6
O consumo de proteínas e gorduras deve ser feito de forma moderada, pois dietas que envolvem muita carne podem aumentar as bactérias que, em quantidades excessivas, não nos trazem tantos benefícios.6 Enquanto os carboidratos vegetais, como os oriundos dos legumes e grãos, favorecem a quantidade de bactérias positivas para nosso corpo.6
Os alimentos fontes de probióticos, como iogurte, também são bem-vindos.4 O segredo é apostar na diversidade alimentar.6
Adotar um estilo de vida saudável, com a prática regular de atividades físicas, e evitar o excesso de bebida alcoólica também ajuda na preservação da sua microbiota intestinal e, consequentemente, do seu sistema imunológico.6
Uma flora intestinal equilibrada traz muitos benefícios para a saúde, ajudando na digestão e até na prevenção de doenças.1 As bactérias boas no intestino quebram as fibras dos alimentos, criando ácidos graxos que dão energia para as células do cólon e têm um efeito anti-inflamatório.1
Com isso, é possível manter as células do intestino saudáveis, acelerando a recuperação de lesões, além de reduzir o risco de câncer no cólon.1 O equilíbrio da microbiota também reflete positivamente no controle de peso, regulando o armazenamento de gordura e o metabolismo de ácidos graxos.1
A harmonia entre as bactérias ainda atua na produção de vitaminas relevantes, como a B12 e a K, que auxiliam o corpo a funcionar adequadamente.1 Em um ambiente intestinal desequilibrado, isso pode afetar os processos de metabolismo, elevar o risco de obesidade e contribuir para problemas de ansiedade e depressão.1
Como você pôde perceber, as bactérias nem sempre são sinônimos de algo ruim.1 Afinal, a presença das bactérias do bem na flora intestinal é imprescindível para o bem-estar do nosso organismo.1 Para mantê-la equilibrada, é preciso seguir uma alimentação balanceada, rica em nutrientes diversificados.6 Portanto, esteja ciente de que o que você coloca no seu prato pode favorecer ou prejudicar o seu intestino!
Que tal continuar cuidando da sua saúde? Leia mais posts no blog A Vida Plena e melhore a sua qualidade de vida!
Referências
1. Sebastián Domingo JJ, Sánchez Sánchez C. From the intestinal flora to the microbiome. Rev Esp Enferm Dig. 2018 Jan;110(1):51-56.
2. Tojo R, Suárez A, Clemente MG, de los Reyes-Gavilán CG, Margolles A, Gueimonde M, Ruas-Madiedo P. Intestinal microbiota in health and disease: role of bifidobacteria in gut homeostasis. World J Gastroenterol. 2014 Nov 7;20(41):15163-76.
3. Tuddenham S, Sears CL. The intestinal microbiome and health. Curr Opin Infect Dis. 2015 Oct;28(5):464-70.
4. Wieërs G, Belkhir L, Enaud R, Leclercq S, Philippart de Foy JM, Dequenne I, de Timary P, Cani PD. How Probiotics Affect the Microbiota. Front Cell Infect Microbiol. 2020 Jan 15;9:454.
5. Davani-Davari D, Negahdaripour M, Karimzadeh I, Seifan M, Mohkam M, Masoumi SJ, Berenjian A, Ghasemi Y. Prebiotics: Definition, Types, Sources, Mechanisms, and Clinical Applications. Foods. 2019 Mar 9;8(3):92.
6. Si H, Yang Q, Hu H, Ding C, Wang H, Lin X. Colorectal cancer occurrence and treatment based on changes in intestinal flora. Semin Cancer Biol. 2021 May;70:3-10.
Artigo produzido em 24 de novembro de 2024
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